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Infestação

Mosca provoca aborto e morte de bezerros na Mata Sul e Agreste de Pernambuco

Inseto que se alimenta de sangue causa sofrimento no gado, perda de peso e prejuízos econômicos

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Pernambuco enfrenta uma onda da
chamada Mosca do Estábulo, que prejudica especialmente a pecuária, causa
feridas profundas em bois e vacas, causa aborto nas fêmeas e morte dos bezerros
novos. Pelo menos sete municípios na Zona da Mata e do Agreste do estado estão
sofrendo com a infestação.

A zoonose também ameaça a
estabilidade econômica local e os primeiros indícios apontam que a infestação
se manifestou já em 10 de agosto, lançando um alerta preocupante para a região.
Os municípios mais afetados pela situação atual são Barra de Guabiraba, Cortês,
Sairé, Gravatá, Amaraji, Bonito e Camocim de São Félix. A doença pode atingir
outros animais.

Como a mosca se alimenta de
sangue, o flagelo causa estresse, feridas nos animais, emagrecimento e até
morte dos rebanhos (bovino e equinos). “Os animais que não morrem perdem três
arrobas (ou 45 quilos) por infestação.

A praga mata os bezerros, evita
que as matizes entrem no cio e as prenhas perdem os bezerros”, alertou o
diretor da União Nordestina da Agropecuária, João Tavares da Silva, em
entrevista à Tribuna. “Meu cachorro foi atingido e perdeu metade da orelha”, alertou.

Segundo informações fornecidas
pelo especialista, a Mosca do Estábulo tem sido uma ocorrência comum nesta
época do ano, coincidindo com a prática de utilizar a cama de frango como adubo
orgânico nas plantações da região.

O produto, adquirido junto a
avicultores, muitas vezes não passa pelo devido processo de compostagem,
tornando-se um atrativo para as moscas. Neste contexto, os impactos da
infestação são notáveis, podendo resultar em uma redução de até 30% no ganho de
peso do gado e também afeta em até 60% da produção leiteira.

Em relação à legislação vigente
em Pernambuco, um Projeto de Lei apresentado pelo deputado Antônio Moraes
(PSDB), que foi aprovado no ano passado, estabeleceu regras específicas para
lidar com esse problema. A Lei nº 17.890 proíbe a utilização da cama de frango
entre julho e outubro nos municípios que enfrentaram infestações da Mosca do
Estábulo.

“A Lei 17.890 ajudou muito. Com
isso, houve uma queda de 80% na infestação no ano passado, mas houve uma
mudança na lei este ano e, hoje, permite-se a entrada dessa cama de galinha
nesses meses e por isso estamos com essa infestação”, declarou João Tavares.

De acordo com o diretor da União
Nordestina da Agropecuária, os produtores de hortaliças, legumes e tubérculos
continuam utilizando o produto nesses períodos. Em teoria, essa legislação
funcionaria como um período de restrição durante a época de maior incidência da
mosca, mas, na prática, essa medida não tem se mostrado eficaz.

Para resolver esse desafio, João
Tavares enfatiza a necessidade de uma abordagem conjunta envolvendo
apicultores, agricultores, pecuaristas e órgãos do Estado. No entanto, até o
momento, ele acredita que as ações de fiscalização das autoridades públicas não
têm surtido o efeito desejado.

A Agência de Defesa e
Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) relatou ter realizado reuniões
informativas em todos os municípios afetados pela infestação, efetuando a
vistoria de mais de 30 propriedades até o momento. Duas delas foram notificadas,
visto que alguns produtores que utilizam a cama de frango são arrendatários e
não permanecem nos locais de plantio.

O uso da cama de frango é uma
prática comum entre agricultores de culturas de ciclo curto em Pernambuco. No
entanto, para que essa prática de baixo custo em termos de matéria orgânica
seja eficaz, são necessários cuidados específicos, como o armazenamento
adequado no campo. Além disso, o manejo envolve enterrar o adubo orgânico a uma
profundidade de 20 centímetros, o que reduz o risco de proliferação de larvas,
não tem sido devidamente adotado.

Solução  

Para resolver esse desafio, João Tavares enfatiza a necessidade de uma abordagem conjunta envolvendo apicultores, agricultores, pecuaristas e órgãos do Estado. No entanto, até o momento, ele acredita que as ações de fiscalização das autoridades públicas não têm surtido o efeito desejado.

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