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RECONHECIMENTO

Pernambuco reconhece 10 novos Patrimônios Vivos: veja quem são

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a criar uma política pública contínua para valorizar os mestres da cultura tradicional

Pernambuco reconhece 10 novos Patrimônios Vivos: veja quem são
- Dona Maria Viúva (Maracatu de Baque Solto – Glória do Goitá) é uma das que teve o talento reconhecido
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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Eles resistem. Ensinaram com o corpo, com a voz, com as mãos. Agora, são reconhecidos. Pernambuco acaba de eleger dez novos Patrimônios Vivos. Nomes que sustentam a cultura popular com o suor de uma vida inteira.

A lista foi anunciada nesta quarta-feira (6), após reunião do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, na Academia Pernambucana de Letras. Com os novos títulos, o Estado chega a 115 mestres, mestras e grupos oficialmente registrados.

Estão entre os eleitos: o maracatu que nasceu no terreiro, a sanfoneira que abriu caminhos, a fotógrafa da memória nordestina, o artesão da palha, o frevista que fez escola. Cada um, um mundo. Cada mundo, um elo da herança popular.

Os novos Patrimônios Vivos são:

Dona Maria Viúva (Maracatu de Baque Solto – Glória do Goitá),

Boi Tira-Teima (Bumba Meu Boi – Caruaru),

Mestra Mariquinha do Samba de Coco (Tupanatinga),

Maestro Edson Rodrigues (Frevo – Recife),

Mestra Joana Cavalcante (Maracatu de Baque Virado – Recife),

Maracatu Nação Raízes de Pai Adão (Recife),

Dona Dá (Carnaval – Olinda),

Mestre Lourenço (Artesanato de palha – Goiana),

Terezinha do Acordeon (Forró – Recife)

e Xirumba Amorim (Fotografia – Olinda).

Pioneiro no país, o título de Patrimônio Vivo garante pensão vitalícia e, em troca, o compromisso de transmitir os saberes às novas gerações.

“Além do reconhecimento, essas pessoas e grupos assumem a responsabilidade de manter viva a tradição”, disse Renata Borba, presidente da Fundarpe.

A tradição segue. Reinventada, ensinada, vivida.

SOBRE OS NOVOS PATRIMÔNIOS:

1. Boi Tira-Teima

Fundado em 1922, o grupo é um dos ícones da cultura popular de Caruaru. Nasceu sob a liderança de Mestre Gerson, que passou o legado à esposa Dona Lindaura e ao filho Mestre Roberto Gercino. Com uma história centenária, o Boi segue ativo, promovendo educação e cultura. Marca presença em festivais, escolas e projetos formativos. Foi reconhecido recentemente como Ponto de Cultura.

2. Dona Dá

Nasceu no Recife, em 1938, mas foi em Olinda que fez história. Tornou-se uma das figuras mais emblemáticas do Carnaval da cidade. Recebeu o título de Cidadã Olindense pelo papel na cultura local. É símbolo vivo da ponte afetiva e artística entre Recife e Olinda.

3. Dona Maria Viúva

É mestra do Maracatu Estrela da Tarde, fundado por ela em seu próprio terreiro, em 1977. Dedicou a vida à salvaguarda do maracatu de baque solto. Ensina por meio da oralidade e da prática coletiva. Respeitada por sua liderança, é referência na cultura afro-indígena do Estado.

4. Mestra Mariquinha

Desde criança, dança o Samba de Coco. Com a morte dos antigos mestres, assumiu a liderança da tradição em Tupanatinga. Tem memória forte, repertório vasto e um talento raro para ensinar. Mesmo com a saúde fragilizada, segue repassando o saber às novas gerações.

5. Maestro Edson Rodrigues

É maestro, instrumentista, arranjador e educador. Autor de “Duas Épocas”, frevo clássico de 1965. Fundou a Banda Municipal do Recife. É personagem do documentário Sete Corações. Formou músicos e construiu uma carreira dedicada ao frevo.

6. Maracatu Nação Raízes de Pai Adão

Nasceu em 1998 no Terreiro Obá Ogunté, sob a liderança dos descendentes de Pai Adão. Une o maracatu de baque virado à espiritualidade de matriz africana. Há nove gerações mantém viva a tradição yorubana. Atua com força na cultura e no social.

7. Mestra Joana Cavalcante

É a primeira mulher a comandar uma Nação de Maracatu, o Encanto do Pina. Rompeu barreiras no baque virado e fundou o Baque Mulher — um movimento de empoderamento através da cultura. Leva oficinas, shows e projetos sociais para mulheres e jovens, dentro e fora do Brasil. No tambor, faz da arte um ato de resistência.

8. Mestre Lourenço

Transforma palha de Cana Brava em arte. Aprendeu sozinho. Moldou técnicas, criou sustento e fez escola. Seus cestos e objetos são tradição viva de Goiana. É Mestre Artesão desde 2013. Um símbolo da inteligência das mãos e da força de quem não deixou o ofício morrer.

9. Terezinha do Acordeon

Quebrou o silêncio dos palcos para as mulheres sanfoneiras. Começou menina. Gravou dez discos, viajou o mundo, fundou o Bloco Sanfona do Povo. Também lidera a Orquestra Sanfônica de Pernambuco. Faz forró com maestria e solidariedade: atua em projetos sociais e comunitários.

10. Xirumba Amorim

Fotógrafo, cronista e artista da memória. Há mais de meio século registra o povo, a rua, o grito. Suas imagens atravessaram fronteiras, mas nasceram do chão nordestino. Mesmo doente, continua a produzir. Sua obra é farol e espelho de uma cultura viva, sofrida e resistente.

Um programa pioneiro de salvaguarda cultural

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a criar uma política pública contínua para valorizar os mestres da cultura tradicional.

A Lei nº 12.196, de 2002, criou o Registro do Patrimônio Vivo (RPV-PE), que reconhece oficialmente grupos e mestres populares. O título vem com uma pensão vitalícia. Em troca, os contemplados devem repassar seus saberes em oficinas, cursos e vivências apoiadas pela Secretaria Estadual de Cultura. É uma forma de garantir que os conhecimentos não morram com seus guardiões.

A princípio, apenas três nomes eram escolhidos por ano. Mas o número cresceu. Em 2016, a Lei nº 15.944 elevou as bolsas para seis. Em 2021, uma nova mudança: a Lei nº 17.489 passou o limite para dez.

A política se consolidou. Tornou-se exemplo. E ampliou a presença de mestres e mestras reconhecidos em todas as regiões do Estado.

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