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Pitú: o sol líquido que aquece ainda mais Pernambuco e conquista a Europa

Descubra a história da Pitú, a cachaça pernambucana que conquistou o mundo e é símbolo de cultura e tradição. Beba com moderação!

Pitú: o sol líquido que aquece ainda mais Pernambuco e conquista a Europa
- A Pitú está presente em mais de 50 países , sendo uma das marcas de cachaça mais consumida no mundo
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Há bebidas que apenas passam pela garganta. E há aquelas que passam pela história. A Pitú é dessas — clara e intensa como o meio-dia de Vitória de Santo Antão, onde nasceu. É o fogo que o Nordeste aprendeu a domar, a energia engarrafada de um povo que resiste sorrindo.

O gosto do Brasil em outra língua

Eu era mais jovem quando viajei para a Argentina com dois amigos. Não esperava que o meu sotaque despertasse tanta curiosidade. “Brasil?”, perguntavam, e logo emendavam: “Seleção e caipirinha!”.

Porém, o que mais me surpreendia era o detalhe: eles falavam “caipirinha com Pitú”, como quem cita algo muito especial. Fiquei emocionada. Lá, a milhares de quilômetros do Recife, descobri que a cachaça da minha terra já tinha atravessado fronteiras antes de mim.

Eu, que nunca fui de bebidas quentes — já me bastam os dois sóis do Recife e a perda da vesícula —, guardo um ritual simples para os dias frios da Várzea, onde moro: Pitú gelada, pura, com limão. Sem pressa, de gole em gole. Para mim, também é a chave que abre a roda de samba (ou da ciranda), ou bebida certa para as vitórias do Santa Cruz.

Sabe o Soju, bebida destilada tão comum entre as dorameiras do Brasil? Pois bem, acho a Pitú mais gostosa, além de ser a bala de prata da alegria.

Quando o orgulho veio de fora

Entre 2021 e 2022, participei de uma reunião com o então cônsul-geral britânico no Recife, Graham Tidey, um visionário e cidadão de Pernambuco. Entre conversas sobre economia e cultura, ele comentou com o então secretário Alberes Lopes que o gosto da nossa Pitú era melhor que o de bons uísques europeus.

Saí daquela sala sentindo o peso leve do orgulho. Durante anos, vi a cachaça ser tratada como bebida menor — coisa de boteco de esquina. Ouvir um diplomata inglês exaltá-la como joia foi como ver o mundo corrigindo um equívoco antigo. É no boteco e na mesa do trabalhador, aliás, que os melhores sabores são descobertos.

A nascente e o nome

A história da Pitú começa onde a cana encontra a água. Nos anos 1930, um riacho chamado Pitú cortava as terras férteis de Vitória de Santo Antão. O nome vinha do crustáceo abundante na região — símbolo de vida, movimento e resistência.

Foi ali que as famílias Ferrer de Morais e Cândido Carneiro decidiram transformar a cana em herança. O que começou artesanalmente virou império, mas sem pressa: a mesma água, o mesmo cuidado, o mesmo brilho dourado.

Quase um século depois, a empresa segue nas mãos das novas gerações, produzindo mais de 90 milhões de litros por ano. Cada garrafa carrega o cheiro da terra, o barulho dos engenhos e um tanto da luz que cobre os canaviais ao entardecer.

A excelência da Pitú não nasce por acaso. É cuidada, medida e sentida em cada etapa — da cana recém-cortada ao copo do consumidor. Nos laboratórios da fábrica, a ciência se alia à tradição: o aroma é avaliado com rigor no Laboratório de Análise Sensorial; no Central, os técnicos examinam cada detalhe físico e químico; e no de Produção, todos os insumos passam por controle minucioso antes do envase. Um ritual moderno que garante que cada garrafa conserve o mesmo sabor que atravessa gerações.

O sol engarrafado que ilumina a Europa



Na Alemanha, agora, a Pitú é vista como artigo de prestígio. Lá, ela divide espaço nas prateleiras com uísques e vodkas de renome. No exterior, o mercado alemão é o principal destino da bebida, responsável por quase todas as exportações da marca.

A parceria com uma empresa familiar de Berlim levou a cachaça pernambucana a ganhar corpo europeu — mesmo longe da cana, ela continua brasileira na alma.

Neste país europeu, a marca lançou a Caipirinha Pitú, pronta para beber, voltada especialmente aos jovens que buscam praticidade sem abrir mão do sabor. A campanha — leve, divertida e moderna — tem feito sucesso nas redes sociais, traduzindo em outra língua o mesmo espírito de espontaneidade e calor que nasceu em Vitória de Santo Antão.

Neste ano, as campanhas “Feel Pitú” e “líder do mercado europeu no segmento de cachaça” conquistaram o público jovem com humor e espontaneidade. O saxofonista André Schnura, que virou meme durante a Eurocopa de 2024, é um dos rostos da nova fase da marca. É o Brasil em ritmo de festa, mas sem caricatura.



Tradição que não se acomoda

A Pitú aprendeu a modernizar sem se perder. Do sabor puro da tradicional às versões mais sofisticadas, como a Premium e a Vitoriosa — homenagem à cidade natal —, ela continua fiel à sua origem e ostenta a liderança do mercado Norte e Nordeste.

Recentemente, a Pitú ampliou seu portfólio com novidades que unem tradição e frescor: o coquetel alcoólico Pitú Mel e Limão, de sabor marcante e tropical, e a linha Pitú Remix, que traz versões ice pensadas para um público mais jovem e urbano, com tom cosmopolita, sem trair suas raízes.

O ouro líquido do Nordeste



A Pitú é mais que cachaça. É metáfora engarrafada de um povo que aprendeu a destilar o próprio calor. É o líquido que carrega o som do frevo, o suor do canavial, a ternura da beira de rio. Tem gosto de festa, mas também de memória. Tem a força do interior e o frescor do litoral.

Por isso, quando alguém em outro país diz “caipirinha”, eu sorrio.

É como ouvir o Recife falar em outra língua.

O sol líquido de Pernambuco continua atravessando oceanos — e cada gole é um lembrete de quem somos.

PS: Beba com moderação!


Rec’n’Play leva sobrevoo virtual pelo Centro do Recife

A Prefeitura do Recife, por meio do Gabinete do Centro, promove uma experiência inédita no Rec’n’Play: um passeio de balão virtual pelo Recife Antigo. A ativação, gratuita, ocorre desta quarta (15) até o dia 17 de outubro, das 10h às 19h, na Rua dos Amores, e permite sobrevoar cartões-postais como Marco Zero, Rio Capibaribe e Pátio do Carmo.

Os participantes usam óculos de realidade virtual para sentir a experiência de voo em balão criada com inteligência artificial. O filme exclusivo de 1 minuto e meio foi produzido por Eric Laurence com imagens 8K captadas por drone 360º.


Revinda chega a Olinda com arte, dança e frevo

O espetáculo itinerante Revinda, que mistura dança, música, artes visuais, poesia e Libras, apresenta-se em Olinda no sábado, 18 de outubro, na Praça Laura Nigro.

A dançarina Rebeca Gondim e artistas convidados como Paloma Granjeiro, Mayara Ferreira, Neris Rodrigues e a dupla Mestre Wilson e Mestra Francis dividem o palco em uma noite dedicada às experiências do povo preto e periférico.

O evento começa com oficina de frevo às 16h, ministrada pelos Brincantes das Ladeiras, seguida do espetáculo às 17h30. Revinda foi contemplada pelo FUNCULTURA PE e terá itinerância em novembro por Camaragibe, Caruaru, Triunfo e Arcoverde.

O projeto integra artistas locais em cada cidade, fortalecendo a cultura popular e a resistência artística.

A apresentação combina performance ao vivo, música, luz, corporeolibras e bate-papo final com o público, tornando a experiência completa e acessível.


Coluna atualizada no dia 15 de outubro com correção da data do encontro com o cônsul

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