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ESTREIA

De Olinda a Buenos Aires: escritora pernambucana lança romance sobre migração

Romance de estreia de Raíza Hanna Milfont acompanha jovem mulher negra de Olinda em sua experiência de migração e deslocamento em Buenos Aires

Última atualização



A escritora, editora e pesquisadora pernambucana Raíza Hanna Milfont lança, no dia 11 de setembro de 2026, às 19h, no Furdunço Café e Cultura, em Recife, seu primeiro romance, ‘A filha das américas’, publicado pela Editora Patuá.

A obra acompanha a trajetória de uma jovem mulher negra que deixa Olinda, em Pernambuco, para viver em Buenos Aires, na Argentina. Entre deslocamentos, descobertas, dificuldades e reencontros, ela passa a questionar as próprias ideias de identidade, pertencimento e casa.

Romance de estreia e enredo marcado pela migração

Estruturado a partir das estações do ano (inverno, primavera, verão e outono), além de uma “outra estação”, o romance constrói uma narrativa marcada pelo movimento e despertou atenção antes mesmo da publicação.

Semifinalista do Prêmio Kindle Vozes Negras, promovido pela Amazon, esteve entre os dez destaques de mais de mil obras inscritas no concurso.

Na trama, a protagonista parte do Nordeste brasileiro acompanhando o namorado e chega ao país vizinho com a expectativa de começar uma nova vida. Longe de casa, porém, depara-se com o avesso dessa promessa.

Ela passa a lidar com as dificuldades concretas de quem imigra: a busca por trabalho, a adaptação a outra língua e cultura, a burocracia da imigração e a instabilidade financeira. A essas dificuldades se somam o racismo e a xenofobia, que atravessam o cotidiano de uma mulher negra brasileira em solo argentino.

Linguagem híbrida entre romance e poesia

A linguagem do livro se aproxima da poesia visual e incorpora espaços, repetições, diferentes disposições das palavras, referências culturais e música. Esses recursos dão à página um papel ativo e acompanham o modo fragmentado como as lembranças retornam ao longo da narrativa.

Essa escolha está ligada à relação de Raíza Hanna Milfont com a poesia. Antes de transformar o material em romance, ela já havia escrito poemas sobre imigração e, durante a criação, percebeu que aquelas questões poderiam ganhar uma dimensão maior.

“Eu deixo que o vazio também conte a história. A página também conta a história, o vazio da página, como a gente desenha as palavras. O poema ajudou muito nesse sentido: começar com poema e virar uma narrativa, uma longa narrativa, mas que tenha ali ainda um pouco de poesia e do próprio poema, tratando da materialidade mesmo do texto”

A escritora Jarid Arraes, que realizou a leitura crítica do original, destaca justamente o trabalho de Raíza com a linguagem e os elementos visuais da página.

“Eu gostei muito de ser surpreendida pela sua habilidade inegável de usar a forma e a estética para desenhar movimentos e imagens com as palavras, os espaços, as pontuações.”

Serviço: lançamento de A filha das américas

Sobre Raíza Hanna Milfont

A estreia no romance acontece depois da publicação de Sol a Pino (Castanha Mecânica, 2022), livro de poemas de Raíza. Doutoranda em Ciência da Literatura pela UFRJ e mestra em Literatura, Teoria e Crítica pela UFPB, a autora também atua como editora e pesquisadora.

Ela é fundadora da Editora Alvoroça e idealizadora do Prêmio Clarice Lispector.

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