O presidente do Sport, Matheus Souto Maior, abordou os desafios enfrentados pelo clube dentro e fora de campo em entrevista exclusiva ao Tribuna da Bola, da TV Tribuna, exibida no último sábado (17).
Entre os assuntos, o dirigente comentou as expectativas para a reta final da Série B do Campeonato Brasileiro, os impactos financeiros da perda de patrocínio de uma casa de apostas, as melhorias na estrutura rubro-negra e as iniciativas voltadas à torcida.
Após a derrota para o Fortaleza, na última sexta (16), o Sport segue na disputa por uma vaga no acesso à Série A, em uma reta final marcada pela imprevisibilidade. Apesar do resultado negativo, Matheus demonstrou confiança na possibilidade de o time alcançar o objetivo.
“Temos muita confiança nos resultados que faltam. O Sport sempre foi assim: tudo pro Sport é difícil, é complicado. Vamos brigar até o último jogo pelo acesso”, afirmou.
Presidente comenta impacto financeiro após fim das BETs
Ao comentar a proibição das bets no Brasil, determinada por medida provisória do governo federal em setembro, o dirigente destacou a perda de um patrocínio que já estava previsto no orçamento rubro-negro.
Segundo Matheus Souto Maior, a proximidade do encerramento da temporada torna o cenário ainda mais desafiador, uma vez que os contratos com fornecedores também chegam ao fim nesse período. O dirigente ressaltou, no entanto, que as dificuldades não atingem apenas o Sport.
Ele revelou que o clube começou o ano com R$ 70 milhões em contas vencidas e afirmou que, desde então, foram pagas 12 folhas administrativas. Apesar dos obstáculos, a gestão busca alternativas para manter os compromissos financeiros e reduzir os impactos da perda de receita.
“Esse ponto da bet é para nós mais um desafio. É um impacto grande. Mas a gente vai sair do outro lado, a gente vai encontrar alternativas para isso”, declarou.
O presidente também reforçou o compromisso de manter a transparência com os torcedores sobre a situação administrativa e financeira do clube.
“Todos os meses do Sport foram extremamente desafiadores. […] A gente vai buscar superar, é mais um desafio, é mais uma oportunidade para colocar a criatividade em jogo, e é isso que a gente tem feito”, disse.
Sport investe em reformas na Ilha do Retiro
Além das questões financeiras e esportivas, Matheus Souto Maior destacou as intervenções realizadas na estrutura do Sport. De acordo com o presidente, o clube recebe diariamente cerca de duas mil pessoas, entre funcionários, fornecedores, atletas profissionais e amadores, além de abrigar aproximadamente 14 modalidades olímpicas amadoras.
Entre as melhorias já executadas, o dirigente citou a reforma da quadra de futsal, a troca do piso da quadra de basquete e os ajustes na quadra de vôlei. As intervenções fazem parte de um esforço para recuperar e modernizar os espaços do clube, mesmo diante das limitações orçamentárias.
Outra obra em andamento é a recuperação do campo auxiliar, que deverá ser entregue até o fim do ano. A estrutura será utilizada pelo futebol feminino e pelas categorias de base, que deixaram de frequentar o local anteriormente devido às condições do gramado.
O presidente também mencionou a instalação de uma estrutura de iluminação, o uso de um placar eletrônico e a pintura da Ilha do Retiro, prevista para ser concluída até o fim de outubro. O clube também prepara novos espaços, incluindo uma sala de imprensa e uma área destinada aos torcedores visitantes.
Presidente avalia punição do Sport pelo STJD
Outro assunto abordado foi a punição aplicada ao Sport pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Matheus Souto Maior afirmou que o clube ainda terá dois jogos com restrições e que a administração está detalhando como as medidas serão implementadas para comunicar as condições de acesso aos torcedores.
O dirigente considerou positiva a decisão do tribunal em relação às sanções previstas, destacando o trabalho realizado pelo departamento jurídico para reverter parte das medidas. Segundo ele, a punição não impedirá a presença de público nos jogos, embora haja restrições específicas a serem cumpridas.
“Juridicamente, eu considero que foi uma vitória para nós. O departamento jurídico trabalhou muito para conseguir convencer o tribunal de que a nossa punição estava, em algum momento, inadequada. Fico feliz que todos tenham entendido que o caminho não era o que estava previsto inicialmente e que a gente tinha conseguido reverter”, declarou.
Matheus também ressaltou a importância da presença da torcida na Ilha do Retiro, tanto pelo apoio ao time quanto pela influência no ambiente das partidas.
“Para nós, a Ilha do Retiro cheia e com torcida é vital. Faz total diferença. […] Não ter a torcida é uma punição para o clube inteiro”, concluiu.