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DESIGUALDADE SOCIAL

“Ela vai passar o Natal com o filho. O meu está morto”, diz mãe de trabalhador

Família critica soltura de Gabriel Graciliano, que dirigia embriagado, e pede júri popular pela morte de Alex Nunes, atropelado em Boa Viagem

“Ela vai passar o Natal com o filho. O meu está morto”, diz mãe de trabalhador
- Cláudia Nunes, mãe de Alex
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com informações de Carlos Simões/JT1


“Ela vai passar o Natal, o Ano Novo com o filho dela, e eu sem meu filho.” A frase, dita entre lágrimas por Cláudia Nunes, mãe de Alex Nunes Viana, resume a dor que tomou conta da família após a Justiça conceder habeas corpus ao jovem que atropelou e matou o trabalhador na Avenida Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

Alex tinha 25 anos. Era montador de estruturas. Trabalhava de madrugada, fazia hora extra para comprar uma geladeira para a mãe. Morreu após ser atingido por um carro dirigido por Gabriel Graciliano Guerra Barreto de Queiroz, de 19 anos, que conduzia o veículo sob efeito de álcool e em alta velocidade, segundo a investigação.

Com a decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Gabriel deixou a prisão e passou a responder ao processo em liberdade, sem consequências concretas.

“Soltar um rapaz desse, depois de tudo o que aconteceu… como é que pôde?”, questionou Cláudia. 

A dor se mistura à exaustão emocional. Cláudia relata uso constante de medicamentos e dias em que perde a noção do tempo.

“Eu não sei mais o que é dia, não sei o que é noite”, disse. Em um dos trechos mais sensíveis do relato, revelou que chegou a pensar em tirar a própria vida, mas afirma que desistiu por causa da fé e do neto pequeno, que pergunta pelo tio que não volta mais.


A revolta é compartilhada pela irmã Esteffany Nunes, que cobra medidas cautelares mais duras contra o acusado. “Nem isso o Gabriel saiu, para monitorar se realmente ele irá cumprir com o que foi descrito”, afirmou.

Para ela, a ausência de tornozeleira eletrônica e de apreensão do passaporte aprofunda a sensação de injustiça e desigualdade social.

Segundo Esteffany, o tratamento dado ao caso não reflete a realidade de quem vive na periferia.

“Se isso fosse na minha comunidade, no mínimo a pessoa sairia monitorada”, disse.



Do ponto de vista jurídico, a assistente de acusação Emily Amaral afirmou que, apesar da soltura, o processo avançou de forma decisiva.

Segundo ela, a defesa da família conseguiu a mudança da tipificação do crime, que deixou de ser tratado como culposo e passou a ser enquadrado como crime doloso, na modalidade de dolo eventual, quando o agente assume o risco de matar.

“Nós conseguimos alterar a tipificação de crime culposo pra crime doloso”, explicou. Ainda de acordo com a advogada, o processo foi distribuído para uma das varas do Tribunal do Júri da capital, o que garante que Gabriel Graciliano será julgado pelo júri popular.

“O objetivo é que ele seja julgado pelo povo”, disse, destacando que a acusação ainda aguarda laudos periciais e novas provas, o que pode embasar um novo pedido de prisão. “A gente acredita que ele ainda pode voltar pra ser preso.”

A advogada também reforçou a mensagem que o Tribunal de Justiça de Pernambuco passou uma mensagem errada à sociedade neste momento de confraternizações, no qual muitas pessoas bebem e dirigem.

Ao conceder habeas corpus sem medidas cautelares, a Justiça transmite um sinal preocupante à sociedade, segundo a advogada. O de que dirigir embriagado, matar um trabalhador e ser flagrado por câmeras pode não impedir que o acusado volte para casa. Em tempos de confraternizações e consumo de álcool, a decisão não protege, não educa e não conforta quem fico

“Beber e dirigir não é legal”, afirmou. “A partir do momento que você pega um veículo, você assume o risco de matar um inocente.”

Presente no momento do atropelamento, o amigo João Paulo afirma que a tragédia poderia ter deixado ainda mais vítimas. “Minha mãe podia estar chorando hoje”, disse, ao lembrar que quase foi atingido segundos antes do impacto que matou Alex.

Veja a matéria completa da TV Tribuna PE. Basta clicar no link abaixo



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