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INVESTIGAÇÃO

Falsas entrevistas de emprego causam prejuízo superior a R$ 500 mil em PE

Polícia Civil de Pernambuco prendeu dois suspeitos do Paraná e identificou quatro vítimas de quadrilha

Última atualização



Uma quadrilha que usava falsas entrevistas de emprego para roubar vítimas por meio de reconhecimento facial causou prejuízo superior a R$ 500 mil em Pernambuco, segundo investigações da Polícia Civil de Pernambuco.

A PCPE já identificou quatro casos e dois suspeitos do Paraná foram presos.

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Polícia da Rio Branco. O primeiro caso chegou à polícia no dia 31 de julho, após uma vítima registrar boletim de ocorrência.

Como o golpe era aplicado

A vítima era atraída para uma suposta entrevista de emprego em uma sala de coworking alugada pelos criminosos. Durante o encontro, ela era induzida a fornecer uma imagem do próprio rosto e a desligar ou colocar o celular no silencioso.

Com a imagem, os criminosos acessavam a conta bancária da vítima. Em um dos casos, o prejuízo chegou a R$ 120 mil.

Segundo o delegado Ernesto Novaes, titular da delegacia responsável, a quadrilha usava informações de redes sociais voltadas a relações profissionais para selecionar as vítimas.

As propostas de emprego ofereciam salários elevados, de até R$ 38 mil, além de benefícios. No local, um falso entrevistador apresentava um extenso formulário e pedia uma selfie, sob o pretexto de fazer parte do processo seletivo.

Enquanto a vítima preenchia o formulário, a imagem era encaminhada a outro integrante da organização, que tentava acessar os serviços bancários por reconhecimento facial. Os criminosos buscavam realizar transferências, contratar empréstimos e até financiamentos de veículos.

“A selfie era uma etapa fundamental do golpe. A vítima acreditava que estava diante de um entrevistador e, por isso, não desconfiava do pedido para registrar o rosto. Enquanto ela preenchia o formulário, aquela imagem já estava sendo utilizada por outro integrante da organização criminosa para tentar acessar a conta bancária”, detalhou o delegado Ernesto Novaes, titular da Delegacia da Rio Branco.

Prisões em flagrante

Os policiais identificaram que a mesma sala de coworking foi alugada novamente no dia 6 de agosto pela mesma pessoa. A equipe monitorou o local e prendeu em flagrante um falso entrevistador, natural do Paraná.

O suspeito foi autuado por furto mediante fraude eletrônica e uso de documento falso. A tentativa de cometer o golpe falhou após a vítima desconfiar do pedido para desligar o celular e encontrar mensagens do banco sobre tentativa de alteração de senha por reconhecimento facial.

No dia 9 de setembro, os policiais identificaram uma nova locação da mesma sala para falsas entrevistas. 

Organização com atuação em outros estados

Apesar das prisões e dos quatro casos identificados, a Polícia Civil acredita que o número de vítimas possa ser maior. Os presos em Pernambuco seriam apenas integrantes de uma estrutura mais ampla, que também atuaria em outros estados, como Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, onde houve registros de crimes similares.

Um dos suspeitos teria passado por outros locais antes de chegar ao Recife. A Polícia Civil pernambucana mantém contato com equipes de outros estados para verificar a atuação do grupo.

Orientações para candidatos

A Polícia Civil alerta para que candidatos desconfiem de propostas com salários muito acima do mercado. A orientação é verificar a existência e a credibilidade da empresa e confirmar as credenciais dos entrevistadores.

Entre as medidas de segurança recomendadas estão:

  • Verificar se a empresa e o processo seletivo realmente existem
  • Confirmar as credenciais dos entrevistadores
  • Não fornecer selfies ou imagens do rosto durante a entrevista
  • Não informar dados bancários em processos seletivos

“Não há necessidade de fazer selfie durante uma entrevista de emprego. Se houver esse tipo de solicitação, desconfie imediatamente. A pessoa deve interromper a entrevista, deixar o local e procurar a polícia. Também é importante verificar se a empresa e o processo seletivo realmente existem”, orientou o delegado Ernesto Novaes.

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