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PRISÕES

Operação Alvitre: entenda o papel de cada envolvido no esquema de Ipojuca

Delegado detalha como vereador, vice, laranjas, associação e empresa fantasma atuavam no desvio de R$ 12 milhões

Operação Alvitre: entenda o papel de cada envolvido no esquema de Ipojuca
- Delegado Ney Luiz Rodrigues detalha as acusações de cada um
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com informações de Carlos Simões, reportér da TV Tribuna

Atualiazada às 19h41



A segunda fase da Operação Alvitre expôs, nesta quarta-feira (19), a engrenagem de um esquema que teria drenado recursos públicos de Ipojuca por meio de emendas parlamentares.  Quatro prisões foram efetuadas desde ontem: dois vereadores, o presidente da Associação Filhos de Ipojuca e um empresário de Bezerros.

Segundo o delegado Ney Rodrigues, entre os casos mais graves está o do presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), que direcionava suas próprias emendas para a Associação Filhos de Ipojuca — entidade que, na prática, pertencia a ele, embora estivesse registrada em nome de terceiros. 

No carro do parlamentar e do vice, Professor Eduardo (PSD), a Polícia Civil apreendeu cerca de R$ 17 mil e um caderno com valores que, segundo a investigação, indicam um possível esquema de rachadinha, com anotações que somavam R$ 350 mil apenas no mês de outubro. 

Um empresário de Bezerros, com identidade ainda não divulgada oficialmente, e o presidente da Associação Filhos de Ipojuca também foram presos. A entidade recebeu R$ 12 milhões para serviços de saúde que não tinha capacidade de prestar.

Valor que daria para construir pelo menos duas UPAs



O valor desviado impressiona quando colocado na vida real: R$ 12 milhões dariam para construir duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de porte I no Nordeste, segundo parâmetros do Ministério da Saúde, que estima em cerca de R$ 5,8 milhões o custo de cada unidade.

Dependendo do modelo construtivo — modular, pré-moldado ou metálico — seria possível erguer até três unidades menores, capazes de atender milhares de pessoas por mês.

Em vez disso, o dinheiro público irrigou uma associação sem capacidade técnica, empresas fantasmas e uma rede de laranjas. É um valor que poderia ter virado porta aberta, leito, sala de medicação e vida salva — e virou desvio.

Salários de até R$ 30 mil divididos em rachadinha

A apuração indica que servidores recebiam salários que chegavam a R$ 30 mil para sacar parte do montante e repassar ao vice. As investigações ainda miram outras associações e parlamentares que enviaram recursos a entidades suspeitas.

O Ministério Público e a Polícia Civil querem entender por que ao menos nove vereadores destinaram emendas para instituições sem condições de executar serviços públicos.

Além dos desvios, uma mulher ligada a uma dessas associações foi assassinada no curso da investigação. A Polícia Civil informa que ainda não há provas de relação entre o homicídio e o esquema, que envolve indícios de organização criminosa, peculato e corrupção passiva.

Veja também: Ministério Público e polícias cumprem mandados contra corrupção em Ipojuca

PAPEL DE CADA PERSONAGEM

1. Presidente da Câmara de Ipojuca — Flávio do Cartório (PSD)





  • Apontado como líder do núcleo político.
  • Encaminhava emendas para a associação que, segundo a polícia, pertenceria a ele por meio de laranjas.
  • A Filhos de Ipojuca não tinha estrutura para prestar serviços de saúde.
  • É suspeito de comandar um esquema de rachadinha com servidores do gabinete.
  • Foi preso com R$ 14 mil em espécie.

2. Vice-presidente da Câmara — Professor Eduardo (PSD)






  • Estava com o presidente no momento da abordagem policial.
  • A polícia viu indícios de flagrante devido à movimentação de valores e documentos suspeitos.
  • Com ele, foram apreendidos cerca de R$ 3 mil.
  • No veículo, havia anotações com nomes de servidores do gabinete e valores atribuídos a cada um.
  • O total chegava a R$ 350 mil em outubro.
  • Segundo o delegado, alguns servidores recebiam até R$ 30 mil, sacavam e devolviam parte ao vice — prática típica de rachadinha.

3. Presidente da Associação Filhos de Ipojuca — Severino Joaquim da Silva





  • A associação recebeu R$ 12 milhões entre 2022 e 2025.
  • Segundo a polícia, é um laranja do presidente da Câmara.
  • Já trabalhou no gabinete do vereador e seria pessoa de confiança.
  • Foi preso com cerca de R$ 14 mil.
  • Conforme o delegado, demonstrou baixo nível de instrução e não sabia explicar o que era uma emenda parlamentar.

4. Empresário preso em Bezerros

  • Identidade ainda não divulgada oficialmente.
  • Dono de uma empresa que prestaria serviços à Filhos de Ipojuca.
  • A empresa seria fantasma, segundo a investigação.
  • Parte do núcleo empresarial que fornecia notas ou serviços fictícios para justificar o desvio de recursos.

5. Outras associações investigadas

  • Algumas contratavam outras em cadeia — todas sem capacidade técnica.
  • Não conseguiam executar os serviços de saúde para os quais recebiam verba.
  • Integravam o que a polícia chama de rede de esvaziamento de recursos.

6. Caso Simone Marques — a funcionária assassinada

  • Simone Marques era funcionária administrativa de uma faculdade ligada ao esquema, não professora, segundo o delegado.
  • Presidiu uma das associações investigadas.
  • Tinha relação com o responsável pela instituição de ensino, preso na primeira fase.
  • Foi assassinada antes de depor.
  • O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios; não há prova de relação com os desvios.

7. Papel da Faculdade Novo Horizonte




  • A instituição, gerida por Gilberto Claudino da Silva Júnior, também recebeu emendas.
  • O gestor foi preso na primeira fase.
  • A ligação entre Simone e o responsável era um dos pontos que seria esclarecido na investigação.
  • Até o fechamento desta matéria no JT1, os advogados dos suspeitos presos não haviam se posicionado.

    Veja entrevista do delegado Ney Rodrigues ao repórter Carlos Simões. É só

https://tribunaonline.com.br/pernambuco/policia/ministerio-publico-e-policias-cumprem-mandados-contra-corrupcao-em-ipojuca-282229?home=pernambuco

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