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CORRUPÇÃO

Operação revela esquema de desvio de equipamentos médicos durante a pandemia em PE

Escamotagem II mostra como servidores públicos se beneficiaram da crise sanitária para enriquecer ilicitamente.

Operação revela esquema de desvio de equipamentos médicos durante a pandemia em PE
- Segundo Breno Maia, os pedidos fraudulentos simulavam a necessidade de unidades hospitalares e de saúde vinculadas à secretaria
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

A Operação Escamotagem II, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, foi deflagrada nesta sexta-feira (29, em quatro municípios do estado, para desmantelar uma organização criminosa acusada de praticar crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

Os supostos crimes envolvem o desvio de 500 mil pares de luvas médicas da Secretaria de Saúde de Pernambuco durante a pandemia de Covid-19.

As investigações fazem parte das ações de repressão qualificada do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO).

Vinculada à Diretoria Integrada Especializada (DIRESP, esta é a segunda fase de uma investigação que teve início em abril de 2022. Já dura dois anos.

De acordo com o delegado Breno Maia, titular da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção (1ª DECCOR), o esquema operava da seguinte forma: servidores da Secretaria Estadual de Saúde forjavam pedidos de luvas no sistema informatizado, sem o conhecimento ou autorização do Estado.

Segundo Breno Maia, os pedidos fraudulentos simulavam a necessidade de unidades hospitalares e de saúde vinculadas à secretaria.

Após a aprovação das requisições, “um motorista da secretaria apanhava essas luvas na logística e aí ele distribuía para os outros integrantes do grupo criminoso” explicou o delegado Breno Maia.

Essas luvas eram então repassadas para terceiros, incluindo pessoas ligadas a hospitais particulares e empresas que comercializam produtos hospitalares. O nome das unidades hospitalares não foram divulgados.

A polícia não divulgou nomes, nem os cargos. Quando a primeira fase da operação começou, houve investigação de seis funcionários públicos da saúde, sendo três efetivos e três comissionados. Não foi informado se eles estão presos.

Contas bloqueadas podem chegar a R$ 500 mil

Apesar de os envolvidos alegarem em seus interrogatórios iniciais que desconheciam a origem ilícita dos materiais, as investigações continuam para verificar a veracidade dessas alegações. Mas um deles admitiu que adquiria o material por baixo preço e sem nota fiscal.

As contas bancárias dos suspeitos estão sendo bloqueadas pela justiça com valores que podem chegar até R$ 500 mil reais para os líderes da organização criminosa, conforme a participação de cada um no esquema.

O delegado Breno Maia ressaltou que “as investigações continuam, porque hoje foi a deflagração da operação para a polícia angariar novos elementos de prova.”

As provas coletadas durante esta segunda fase serão agora analisadas para avançar nas apurações e, possivelmente, responsabilizar criminalmente todos os envolvidos.

De acordo com o delegado Breno Maia, “durante a deflagração da operação de hoje, do cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares de todos os suspeitos.

Foram apreendidos também alguns documentos importantes para a investigação”.

Além disso, um cofre e um veículo de luxo foram confiscados. Houve ainda uma prisão em flagrante no município de Pesqueira, embora o delegado tenha esclarecido que “esse flagrante, especificamente, ele não tem relação com a investigação,” sendo o suspeito autuado por posse irregular de munição.

A operação se desdobrou em quatro municípios:

  1. Recife
  2. Paudalho
  3. Pesqueira
  4. São José da Coroa Grande.

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