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POLÍCIA

Polícia descobre que adolescente foi dopada antes de sofrer abuso sexual do pai

A madrasta e mais outro homem de 38 anos também foram presos, respectivamente, em João Pessoa e Goiana

Polícia descobre que adolescente foi dopada antes de sofrer abuso sexual do pai
- Pernambuco é o segundo no ranking do Nordeste onde é cometido estupro de vulneráveis. A partir dos 14 anos, quase dos abusos e violência sexual - quase 60% - são praticados por familiares
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (19) a operação “Infância Protegida”, que resultou na prisão de três pessoas suspeitas de estupro de vulnerável. Dois homens, de 38 e 50 anos, foram detidos em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Um terceiro mandado foi cumprido em João Pessoa (PB) contra uma mulher.

Segundo as investigações, o homem de 50 anos e a mulher — pai e madrasta da vítima — teriam dopado uma adolescente de 14 anos para estuprá-la. O outro suspeito, preso em Goiana, também estaria envolvido, mas a polícia não detalhou seu papel no crime. Os três foram levados à delegacia e estão à disposição da Justiça. Os nomes não podem ser divulgados devido ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

Caso expõe falhas na rede de proteção

A gravidade do caso reacende o debate sobre a eficácia das políticas públicas voltadas para prevenir e combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. O Brasil possui legislações avançadas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei 13.431/2017, que trata do depoimento especial e da escuta protegida, mas especialistas apontam gargalos na aplicação prática dessas medidas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, houve 2.224 estupros de vulneráveis no estado, número que reduziu pouco mais de 13% em 2024, passando para 1.921. Ainda assim, Pernambuco  é o segundo no ranking do Nordeste onde esse tipo de crime é mais praticado, atrás apenas da Bahia. Os dados foram divulgados este ano. Nesse mesmo estudo é possível ver estatísticas difíciceis. Quase 60% dos suspeitos dos estupros é familiar da vítima.

Cooperação entre estados

A operação teve caráter interestadual, envolvendo as polícias de Pernambuco e da Paraíba, o que, segundo autoridades, mostra a necessidade de articulação mais ampla no enfrentamento do problema. O uso do nome “Infância Protegida” reflete a prioridade dada pela corporação à repressão desses crimes, mas também evidencia a urgência de ações preventivas que vão além da esfera policial.

Próximos passos

Os suspeitos devem responder por estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal), crime considerado hediondo. A pena varia de 8 a 15 anos de reclusão, podendo ser aumentada por conta do vínculo de parentesco.

O Ministério Público de Pernambuco deve acompanhar o caso e avaliar medidas adicionais de proteção à vítima, enquanto a Defensoria Pública poderá atuar para garantir assistência jurídica e psicológica.

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