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LUTO

Thaissa é sepultada; Justiça decreta prisão preventiva de suspeito de feminicídio

Henryque Cassiano, 22, segue detido no Cotel; familiares se despedem emocionados de Thaissa Lorrany

Thaissa é sepultada; Justiça decreta prisão preventiva de suspeito de feminicídio
- Thaissa era estudante de técnica de enfermagem e confeiteira
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A Justiça converteu em prisão preventiva o flagrante de Henryque Cassiano da Silva, 22 anos, suspeito de matar a ex-namorada Thaissa Lorrany Muniz Melo, de 21 anos, encontrada com sinais de estrangulamento, uma facada nas costas e mutilações nos braços dentro da casa dele, na Várzea, Zona Oeste do Recife. Ele foi encaminhado ao Cotel nesta quarta-feira (19).

Dor e incredulidade no velório

Familiares e amigos se despediram de Thaissa, que era estudante de técnica de enfermagem e confeiteira, em um velório marcado pela comoção no cemitério da Várzea. A mãe, sem condições de falar, era amparada por parentes. Primos relataram à reportagem que nunca imaginaram que o suspeito — descrito como alguém de comportamento retraído, que frequentava almoços e encontros da família — pudesse cometer um crime dessa gravidade. O enterro de Thaissa ocorreu às 11h, antes de a família saber que o suspeito teve a prisão preventiva decretada.

Versão do suspeito não bate com a cena do crime

A narrativa de Henryque, segundo a polícia, apresenta inconsistências graves: ele afirma que saiu para buscar um fósforo na casa da avó quando Thaissa teria se enforcado na noite da última segunda-feira (17).

A cena do crime, porém, não apresentava corda ou qualquer meio compatível com a versão. Além de sinais de estrangulamento, o corpo tinha uma facada nas costas, indicando agressão antes da morte. Ele também não acionou a polícia em nenhum momento.

O suspeito ainda afirmou ter colocado um rap de temática ligada a animes para “se acalmar” enquanto mutilava o corpo — elemento que chamou atenção dos investigadores pela frieza.

A perícia encontrou o braço esquerdo da vítima dentro de uma caixa de madeira, e o outro membro parcialmente cortado. Aparentemente, ele estava tentando cortar o corpo em pedaços para se livrar do crime.

Thaissa havia sido arrastada para outro cômodo e colocada atrás de um guarda-roupa. A Polícia Civil trata o caso como feminicídio qualificado, com ocultação e vilipêndio de cadáver.

Carta carinhosa mostra fim do relacionamento sem conflito

Entre os materiais apreendidos, a família identificou uma carta escrita por Thaissa, terminando o relacionamento com delicadeza. No texto, ela afirma que ainda nutria carinho por ele e desejava que ambos pudessem se reencontrar no futuro. Para os parentes, o conteúdo reforça que ela não tinha comportamento suicida nem apresentava sinais de autodestruição. “Ela era feliz”, disse a mãe nesta última terça-feira ao encontrar o corpo da filha. “Ele mente”, acrescentou a mãe ao falar da versão de Henryque.

Histórico do casal e investigação sobre motivação

Os dois namoraram por cerca de três anos. O término recente ocorreu após ela descobrir que ele mantinha outro relacionamento paralelo havia dois anos. A polícia apura se Thaissa foi atraída para a casa dele com a promessa de ajuda nos estudos e no trabalho — ela fazia curso técnico de enfermagem no Senac e trabalhava como confeiteira.

Família pede justiça e alerta para onda de feminicídios

Parentes afirmam que Thaissa era “inofensiva, inocente e muito amorosa” e pedem justiça. O caso se soma ao cenário crescente de feminicídios em Pernambuco, que mantém índices altos em 2024 e 2025. O processo seguirá sob a condução da Delegacia de Homicídios da Capital.

O coletivo de mulheres varzeanas divulgaram uma nota contra o feminicídio

O Senac, onde Thaissa fazia curso de técnica de enfermagem, também divulgou nota de pesar

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