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Bolsonaro passa por audiência de custódia neste domingo (23): veja detalhes e vídeo

Defesa deve se explicar sobre violação da tornozeleira no máximo até o início da tarde

Bolsonaro passa por audiência de custódia neste domingo (23): veja detalhes e vídeo
- Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-presBolsonaro pela manhã, na reta final do processo da trama golpista
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O ex-presidente Jair Bolsonaro deve participar, por volta de meio-dia deste domingo (23), de audiência de custódia realizada por videoconferência a partir da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está detido desde a decretação de sua prisão preventiva.

A sessão deve avaliar a legalidade da prisão, as condições em que ela foi cumprida e eventuais irregularidades no monitoramento eletrônico. A defesa do ex-presidente tem 13h09 para apresentar sua manifestação sobre a violação da tornozeleira eletrônica registrada pelas autoridades.

O QUE ESTÁ EM JOGO NA SESSÃO

A audiência de custódia é o momento em que o juiz analisa se o preso sofreu abuso, se a prisão respeitou as garantias legais e se a manutenção da medida é necessária. Embora rotineira no sistema judicial brasileiro, a audiência de um ex-presidente amplia a repercussão política do ato e pressiona tanto acusação quanto defesa a se movimentarem rapidamente.

Na decisão que embasou a prisão preventiva, o ministro Alexandre de Moraes listou a violação da tornozeleira como fator determinante. O equipamento gerou alerta técnico na madrugada do dia 22, o que levou à abertura de procedimento interno de monitoramento e à exigência de explicações imediatas por parte da defesa.

A DEFESA E O ARGUMENTO DO “SURTO”

Integrantes próximos a Bolsonaro passaram o sábado tentando justificar o comportamento do ex-presidente, alegando que ele teria tido um “surto” causado pelo apito e pelas notificações sonoras do equipamento de monitoramento.

Segundo esses aliados, Bolsonaro teria relatado que “ouviu vozes” vindas da tornozeleira — uma explicação que, nos bastidores jurídicos, é vista com ceticismo e pouca probabilidade de prosperar como justificativa formal.

Até agora, a defesa não confirmou se usará esse argumento de forma oficial. A versão é tratada como estratégia política de contenção de danos, e não como fundamento jurídico sólido.

Advogados avaliam que a manifestação deverá se apoiar em questões técnicas do equipamento, na possibilidade de falha mecânica ou na suposta ausência de intenção de burlar o monitoramento. A defesa sustenta que a tornozeleira foi colocada para causar humilhação ao ex-presidente.

“A tornozeleira eletrônica tornou-se, neste caso, o símbolo da pena infamante, a versão moderna da pena infamante. Sua finalidade foi apenas causar humilhação ao ex-presidente. Não havia qualquer necessidade. Desconheço qualquer indivíduo no Brasil com tornozeleira eletrônica que tenha uma escolta permanente da Polícia Federal na porta da sua casa”, destacou o advogado Paulo Cunho ainda neste último sábado (22).

24 HORAS QUE PODEM ALTERAR O CENÁRIO

O prazo de 24 horas imposto para a defesa se explicar é crucial. Caso a manifestação não seja convincente, a tendência é que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que se reúne na segunda-feira para analisar o caso, mantenha a prisão preventiva.

Para a equipe jurídica de Bolsonaro, o desafio é apresentar elementos que enfraqueçam a narrativa de violação deliberada e reduzam o impacto do relatório técnico que embasou a medida.Bolsonaro disse à polícia que meteu ferro quente na tornozeleira por “curiosidade”.



CLIMA POLÍTICO TENSO

A prisão do ex-presidente desencadeou mobilização de apoiadores em várias capitais, mas com menos intensidade do que em episódios anteriores. Ainda assim, grupos bolsonaristas convocaram vigílias e atos nas redes sociais, insistindo na tese de que Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição judicial.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares aliados pressionam por reação coordenada, enquanto opositores defendem que a prisão foi uma resposta necessária ao desrespeito reiterado às medidas impostas pelo STF.

PRÓXIMOS PASSOS

Após a audiência de custódia e a apresentação da defesa, a próxima etapa será a análise da Primeira Turma do STF, que deve decidir se mantém ou revoga a prisão preventiva.

Independentemente do resultado, o episódio já marca um dos momentos mais delicados da trajetória política de Bolsonaro e reforça o papel do monitoramento eletrônico e das audiências de custódia como ferramentas centrais no controle judicial de medidas cautelares.

IMPORTÂNCIA POLÍTICA E JUDICIAL

A audiência de custódia de um ex-presidente, especialmente uma figura tão polarizadora como Bolsonaro, tem carga simbólica elevada.

Além de tornar público o exame judicial das condições de sua detenção, o episódio pode influenciar a percepção pública sobre o tratamento judicial dado a ele — e impactar seus apoiadores, que já se mobilizaram anteriormente em sua defesa.

Também é relevante para o sistema de justiça brasileiro, por mostrar como a audiência de custódia — frequentemente usada para casos de prisão em flagrante — é aplicada em casos de alta magnitude política.

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