- Pernambuco, PE 25°C

Pernambuco 25°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
POLÍCIA

O corpo de Joyciline denunciou o algoz: mais uma vítima do feminicídio no estado

Neste ano, em Pernambuco, 6 mulheres foram vítimas de violência doméstica por hora, uma equivalência de 1 mulher a cada 9 minutos

O corpo de Joyciline denunciou o algoz: mais uma vítima do feminicídio no estado
- Joyciline Carvalho da Silva passou cerca de 5 a 6 anos com o homem que lhe retirou a vida
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O corpo imóvel de Joyciline Carvalho da Silva, de 26 anos, ficou estendido no chão e o sangue escorria da face quando foi localizado. Estava estirado após um tiro na cabeça. Caiu reta, com o rosto levemente virado para o teto.

O local onde Joyciline morreu já é estigmatizado, conhecido como Camburão. Não à toa, na rua onde morava, Rua da Vitória, no bairro de Água Fria, no Recife, pessoas de todas as idades, inclusive crianças e idosos, observaram o passa a passa das equipes da polícia. Não houve censura das cenas para menores. É um lugar do Recife onde não faz sentido dizer ser o melhor em linha reta do mundo.

Todos observaram a polícia chegar e sair carregando a jovem numa maca do Instituto de Medicina Legal. Coberto com uma lona preta. Escura como o seu fim.

O corpo que falou por ela

O suspeito de ter matado a mulher, sua ex-companheira, alegou que ela tinha cometido suicídio. Mas a posição do corpo e a realização da perícia comprovou algo diferente. O corpo da vítima denunciou o algoz.

Ele mesmo havia matado a sua ex com um tiro, encerrando uma história de um relacionamento de abusos psicológicos, agressões a ela e até a filha, que tem 7 anos e de quem não era o pai. Algo que muitas vezes ela minimizou ou escondeu, num relacionamento que durou de 5 a 6 anos. Certa vez chegou a prestar boletim de Ocorrência, que, pelo visto, não foi adiante.

“Tragédia anunciada”, dizem familiares

A morte de Joyciline entrou, mais uma vez, para as estatísticas. Familiares e amigos diziam ser uma tragédia anunciada. Todos viam a mulher sofrer no dia a dia. Por outro lado, ao que parece, ninguém fez denúncias anônimas no Dique 100 ou Disque 190, o que teria alertado os organismos de defesa da mulher.

Embora Joyciline não seja culpada pela própria morte, ela foi responsável pela escolha com quem se envolveu. Igor, como o suspeito é conhecido, já havia sido preso, tinha histórico de tráfico de drogas, um meio conhecido por vingança e violência. Mas Joyciline, como muitas outras mulheres, achava que ele poderia ser diferente com ela do que era no tráfico. 

O crime aconteceu dentro de uma pequena casa, num lugar simples, cortado travessas com rêgo a céu aberto, e muita escadaria, casas molhadas e ainda úmidas por causa da chuva.

Joyciline deixa filha de 7 anos

Joyciline Carvalho da Silva, de 26 anos, tinha saído de casa para deixar a filha de 7 anos na escola. Quando voltou para pergar a carteirinha de vacina da filha, foi surpreendida pelo ex companheiro, de quem estava separada há menos de uma semana. E ele tratou de  lhe tira a vida, sem aceitar o fim do relacionamento.

A família está revoltada. O suspeito chegou a dizer que a ex tinha tirado a própria vida. Mas, ninguém acreditou nessa versão. Quando era casada, Joyciline tinha um relacionamento conturbado com o ex. As brigas eram frequentes.

Segundo a irmã Josineide da Silva, o homem ameaçava qualquer pessoa ligada à família e até já desferiu balas sem direcionamento para assustar a mãe e o pai. O suspeito, inclusive, cometia agressões frequentes contra a companheira, de quem estava separado.

A tia da vítima, Daniele de Carvalho, também falou: “Ela deixava e depois voltava para ele. Era a maior confusão. Essa semana eu vi ela toda arranhada. Eu perguntei o que foi isso, Joyce? Ela disse que foi ‘brigando com o Igor’.Eu disse, brigando não. O Igor deu em você, Joyce. Estava batendo até na menina, que não é filha dele, de sete anos. A gente quer justiça”.

Delegado descarta versão de suicídio

O delegado Rodrigo Bello botou fim nos argumentos de suicídio. “Dentro da casa não tem sinais de que houve luta e resistência e o local onde foi encontrado a lesão não indica suicídio. O que indica é homicídio ou feminicídio por parte do companheiro dela”.

À noite, o JT1 recebeu a informação de que ele havia sido preso e sua audiência de custódia será realizada neste sábado (15).

De janeiro a julho deste ano, 32.245 mulheres denunciaram casos de violência doméstica, de acordo com estatísticas oficiais da Secretaria de Defesa Social. Isso siginifica 6,3 mulheres por hora, uma equivalência de 1 mulher a cada 9 minutos. É um tipo de crime onde familiares, amigas e vizinhos precisam meter a colher, ligar para Disque 100 sem pena.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança, os homicídios caíram em Pernambuco e o número de feminicídios também caiu de 2023 para 2024, passando de 82 para 77. O esquisito é que a sensação de insegurança é a mesma.

As informações do Anuário foram divulgadas este ano, mas só mostram o retrato de uma realidade paralela que vem acontecendo com as mulheres no estado, sem providências concretas que possam estancar esse derramamento de sangue.

Veja, abaixo, a matéria de Luciana Queiroz exibida no JT2, apresentado por Eliane Nóbrega



Mais Lidas

Ver tudo ›