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VEJA COMO DEPUTADOS VOTARAM

Projeto que dificulta aborto de criança estuprada divide votos da bancada de PE

Foram 12 votos contra e 10 a favor entre os deputados pernambucanos; PL votou fechado a favor

Projeto que dificulta aborto de criança estuprada divide votos da bancada de PE
- Entre os partidos da bancada do estado, o PL foi o que mais votou a favor do PDL
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A votação que movimentou o plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (5) dividiu a bancada federal de Pernambuco e ainda repercute nas redes sociais e entre celebridades com a bandeira “criança não é mãe”, “estuprador não é pai”.

Por 317 votos a 111, os deputados aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que suspende uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Essa norma orientava o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de estupro na rede pública de saúde.

O PDL não muda a lei do aborto — que já permite a interrupção da gestação em casos de estupro, risco de morte materna e anencefalia —, mas altera o caminho até esse atendimento, dificultando o acesso. para interrupção da gravidez em crianças abusadas. O texto agora será votado no Senado e parte da sociedade faz pressão.

A questão é polêmica. Várias celebridades se posicionaram contra a aprovação do projeto. Entre elas, Anitta, Luna Piovani, Camila Pitanga, Monica Iozzi e Felipe Neto. Entidades denunciaram à ONU projeto.

PARTIDOS DE PERNAMBUCO: QUEM DEFENDEU O QUÊ

Entre os partidos da bancada do estado, o PL foi o que mais votou a favor do PDL: todos os seus quatro deputados presentes (André Ferreira, Coronel Meira, Fernando Rodolfo e Pastor Eurico) votaram sim.

Do outro lado, o PSB foi o partido que mais votou contra. Dos seis parlamentares da sigla em atividade, quatro votaram “não” (Eriberto Medeiros, Felipe Carreras, Pedro Campos e Renildo Calheiros), enquanto dois votaram “sim” (Guilherme Uchoa e Lucas Ramos), revelando divisão interna.

O QUE MUDA NA PRÁTICA

A resolução do Conanda permitia que o atendimento médico ocorresse sem a exigência de boletim de ocorrência e sem autorização judicial, para evitar atraso em casos de urgência e proteger a vítima quando o agressor fosse um parente ou alguém responsável pela criança.

Com o PDL aprovado:

• Volta a necessidade de intermediação de autoridades (pais, boletim de ocorrência, instâncias externas);

• profissionais de saúde não podem agir imediatamente se houver conflito entre a versão da criança e a do responsável;

• o procedimento volta a depender de outras etapas que podem atrasar o atendimento.

Na prática, o projeto não impede a realização do aborto legal, mas recoloca barreiras que a norma retirada tentava reduzir, especialmente para meninas pequenas, vítimas de estupro intrafamiliar.

COMO VOTOU PERNAMBUCO

Dos 25 deputados federais eleitos por Pernambuco, 22 votaram.

SIM

André Ferreira — PL

Augusto Coutinho — Republicanos

Clarissa Tércio — PP

Coronel Meira — PL

Eduardo da Fonte — PP

Fernando Coelho Filho — União Brasil

Fernando Rodolfo — PL

Guilherme Uchoa — PSB

Iza Arruda — MDB

Lucas Ramos — PSB

Ossesio Silva — Republicanos

Pastor Eurico — PL

→ Total de SIM: 12

NÃO

Carlos Veras — PT

Clodoaldo Magalhães — PV

Eriberto Medeiros — PSB

Felipe Carreras — PSB

Luciano Bivar — União Brasil

Maria Arraes — Solidariedade

Pedro Campos — PSB

Renildo Calheiros — PCdoB

Túlio Gadêlha — Rede

Waldemar Oliveira — Avante

→ Total de NÃO: 10

QUAL FOI A POLÊMICA

A principal divergência no plenário foi a exigência de boletim de ocorrência para que a interrupção da gravidez avance. O Ministério das Mulheres argumentou que a resolução do Conanda orientava o atendimento com foco na proteção da vítima e que exigir BO pode retardar o atendimento em casos urgentes.

Deputados que apoiaram o PDL defenderam que a ausência do boletim fragilizaria a investigação do crime.

Para o Ministério da Mulher, não exigir BO para o procedimento médico não é sinônimo de impunidade. A obrigação de notificar ao Conselho Tutelar e aos sistemas de vigilância continua; além disso, quando houver indícios de crime, há procedimentos forenses e, se houver elementos suficientes, investigação policial.

A ideia da norma era separar o acesso ao cuidado imediato (saúde/prevensão/ interrupção legal) da etapa investigativa, que pode se desencadear em paralelo.

Entre os dados apresentados durante a sessão, o governo citou que, entre 2013 e 2023, mais de 232 mil meninas de até 14 anos deram à luz no Brasil, o que pela lei configura estupro de vulnerável.

PRÓXIMOS PASSOS

Por se tratar de um PDL, o texto não vai à sanção presidencial. Se aprovado no Senado, entra em vigor imediatamente.

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