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CARNAVAL 2026

Olinda homenageia “amores de Carnaval” em Encontro de Bonecos Gigantes nesta terça

37º Encontro de Bonecos de Silvio Botelho reúne 100 calungas no Guadalupe; Mulher da Sombrinha é a grande homenageada

Olinda homenageia “amores de Carnaval” em Encontro de Bonecos Gigantes nesta terça
- Desfile dos bonecos gigantes
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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O Largo do Guadalupe, em Olinda, também vira uma homenagem não só cultural como aos “amores de Carnaval” nesta terça-feira (17). O 37º Encontro dos Bonecos Gigantes, regido pelo Mestre Silvio Botelho, reúne cerca de 100 figuras colossais para o tradicional desfile pelas ladeiras históricas. A concentração começa às 8h, com o “Esquenta da Folia” iniciando às 9h30 ao som de Charles Teone e quatro orquestras de frevo.



Este ano, o enredo foca no triângulo amoroso entre os gigantes. A homenageada é a Mulher da Sombrinha, ícone de Catende, antiga namorada do Homem da Meia-Noite. Ela viaja até Olinda para disputar o coração do Gigante mais reverenciado da Cidade Alta. (Veja detalhes da história dela abaixo)
O Calunga de 94 anos, que já é “pai” do Menino da Tarde e namorado oficial da Mulher do Dia, verá a antiga amada sair de sua própria sede em direção ao Guadalupe para o cortejo que ganha as ruas às 10h30.

Mestre Silvio Botelho, criador de mais de mil bonecos, também presta honras a Pai Jorge de Bessem e a Gilberto Giba Sobral (in memoriam). O evento marca a união dos bonecos da Região Metropolitana com os do interior do estado.

Origem da tradição A tradição dos bonecos gigantes em Pernambuco remonta a 1919, na cidade de Belém de Maria, com a criação do “Zé Pereira”. A figura foi idealizada por Gumercindo Pires, inspirada em relatos de grandes bonecos que desfilavam em festas religiosas na Europa (especialmente em Portugal e Espanha) durante a Idade Média. Em Olinda, o costume fincou raízes em 1932 com o nascimento do Homem da Meia-Noite, criado por Anacleto e Bernardino da Silva para desfilar no horário em que os demais blocos se recolhiam.

Figura icônica de Catende surgiu de aparições à meia-noite em usina de açúcar no século 18

Muito antes de arrastar multidões pelas ladeiras, a Mulher da Sombrinha habitava o imaginário dos trabalhadores da Usina Catende. A lenda, que mistura medo e fascínio, conta que uma mulher loira e exuberante surgia sempre à meia-noite. Vestida com trajes luxuosos do século 18 e empunhando uma sombrinha, ela cruzava o caminho dos operários do último turno.

O registro histórico mais antigo da aparição remonta à década de 1940. O ex-prefeito do município, Renato Buarque de Macedo, documentou o susto de um ferreiro chamado José Leandro, que teria sido uma das “vítimas” do charme misterioso da assombração. Para os locais, o encontro com a loira era o prenúncio de uma história que ninguém sabia se era real ou fruto do cansaço das jornadas na usina.

Do medo à folia

A transição do mistério para o Carnaval aconteceu há 42 anos, quando o bloco oficial foi fundado em Catende. O que antes era um relato de assombração transformou-se em patrimônio cultural. Hoje, a gigante de trajes coloridos e sombrinha em riste não assusta mais: ela atrai foliões e, em 2026, desembarca em Olinda para disputar o coração do Homem da Meia-Noite no 37º Encontro de Bonecos Gigantes.

Veja mais em: Homem da Meia-Noite desfila no Bairro do Recife na terça de Carnaval

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