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Caso de Camaragibe

Bebê Ana Vitória recebe alta hospitalar após tragédia de violência policial

Menina nasceu no dia 2 de outubro, de forma prematura, mas a mãe não conseguiu resistir

Mãe da grávida feita de escudo humano levou o bebê em seus braços para casa
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Depois de uma sucessão de nove mortes provocadas em tiroteio com a polícia, entre os municípios de Camaragibe e Paudalho, eis que, nesta quarta-feira (22), uma notícia de esperança. A bebê Ana Vitória, filha de Ana Letícia, que foi baleada no dia 14 de setembro e morreu no dia 21 de outubro, recebeu alta hospitalar. Ela saiu do Hospital Imip nos braços da avó Izelma Carias.

“Estou muito feliz. Queria que minha filha estivesse aqui”, disse a avó da criança, de forma tímida. A guarda da criança está com o Conselho Tutelar, que entregou a menina aos braços da avô com uma medida proteção. A avó espera poder criar a neta, ao lado de outra neta de três anos, também filha de Ana Letícia. “Vou dizer a ela que a mãe foi uma ótima mãe, alegre e divertida”, disse.

A TV Tribuna/Band (canal 4) também cobriu a saída de Ana Vitória do Hospital, com o repórter Carlos Simões, do Jornal da Tribuna, 1ª edição, conduzido por Moab Augusto.

Falando pouco e baixinho, a avó parecia fragilizada, não quis defender teses sobre justiça e impunidade. Não falou sobre os episódios que tiraram a vida de Ana Letícia, que, na época, tinha 19 anos. Sua filha ficou em coma por mais de um mês após ser feita de escudo humano e baleada na cabeça em tiroteio em Camaragibe. No período em que esteve internada, deu à luz uma menina, numa madrugada do dia 2 de outubro.



Ana Letícia estava com 28 semanas de gravidez quando foi baleada

Ana estava com 28 semanas de gravidez quando foi baleada. Ela deu à luz com 30 semanas de gestação, morreu e quase três meses depois, nada foi esclarecido pela polícia pernambucana. Ela enfrentou um quadro grave de infecção e complicações médicas, tornando sua situação extremamente delicada.

A história dramática se insere em um contexto de violência policial que resultou, no início, em oito mortes no Estado, incluindo dois policiais militares, o atirador e cinco de seus parentes.

A jovem foi vítima de um ataque no dia 14 de setembro, quando se encontrava em sua própria residência. No trágico incidente, ela foi utilizada como “escudo humano” por Alex da Silva Barbosa, 33 anos.



O motorista tinha arma com laser, 9 milímetros, e se envolveu em um tiroteio que resultou na morte do soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, de 33 anos, e do cabo Rodolfo José da Silva, de 38 anos. Tudo começou numa abordagem policial, onde ele fugiu porque estava com uma arma.

Além de Ana Letícia, o primo da jovem, um adolescente de 14 anos, também foi atingido na cabeça pelos disparos, mas conseguiu sobreviver. Ambos foram inicialmente internados no Hospital da Restauração, localizado no Derby, região central do Recife. O adolescente não lembra de rostos. Enquanto o menino teve alta médica, Ana Letícia foi transferida para o IMIP, atendendo a um pedido da família.

Após a mortes de dois policiais, protagonizada por Alex, outros agentes da Polícia seguiram uma linha de vingança que tirou a vida de Alex e de vários familiares: a mãe, a esposa e mais três irmãos.

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