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Pernambuco é 2º em intoxicação por metanol no país; Saúde encerra Sala de Situação

Estado teve oito casos confirmados e cinco mortes, ficando atrás apenas de São Paulo, segundo o Ministério da Saúde

Em Pernambuco, até o dia 5 de dezembro, houve 109 notificações e oito confirmações
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Pernambuco terminou 2025 como o segundo estado do país com mais casos confirmados e mortes por intoxicação por metanol, ficano atrás apenas de São Paulo.

O cenário aparece no balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, que também anunciou, nesta segunda-feira (8), o encerramento da Sala de Situação criada em outubro para monitorar o surto.

A decisão foi formalizada na Portaria nº 9.169, assinada pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde) e publicada no Diário Oficial da União.

O último caso confirmado da intoxicação ocorreu em 26 de novembro, em um paciente que manifestou os primeiros sintomas no dia 23. Com a redução acentuada das notificações e dos óbitos, a pasta afirma que o país atingiu estabilidade epidemiológica.

Distribuição de antídotos e reforço da vigilância

Para o ministro Alexandre Padilha, “o país respondeu de forma rápida, coordenada e eficaz, garantindo diagnóstico, assistência e distribuição de antídoto a todos os estados”. Ele reforça que o acompanhamento continuará: “Mesmo com o encerramento da Sala de Situação, seguimos atentos e preparados. O cuidado permanece, e a vigilância segue sem qualquer interrupção”, afirmou.

Com a normalização dos indicadores, o atendimento e a vigilância voltam ao fluxo rotineiro do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Segundo a pasta, todos os estados estão abastecidos com antídotos e têm maior capacidade de diagnóstico.

A Sala de Situação havia sido instalada em 1º de outubro, poucos dias após o alerta nacional emitido em 26 de setembro pelo Sistema de Alerta Rápido da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP).

Durante dois meses, equipes técnicas acompanharam dados enviados por todos os estados, orientando ações urgentes — desde protocolos de atendimento até medidas de combate às bebidas adulteradas.

O grupo reuniu representantes de várias áreas do Ministério da Saúde, além de Anvisa, Fiocruz, Ebserh, Conass, Conasems, Conselho Nacional de Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e secretarias estaduais. Ministérios da Agricultura (MAPA) e da Justiça (MJSP) também atuaram no controle e na investigação da origem das bebidas fraudadas.

Fornecimento de insumos

Durante o período de monitoramento ampliado, o Ministério da Saúde distribuiu 1.500 ampolas de fomepizol e 4.806 unidades de etanol aos estados, priorizando regiões com maior concentração de casos. A pasta também manteve estoque estratégico de 2,6 mil ampolas de antídoto.

Segundo Padilha, “a garantia de antídoto foi fundamental para evitar mais mortes. Atuamos de forma preventiva, reforçando o estoque nacional e ampliando a capacidade de resposta dos serviços de saúde”.

Ações de repressão

Paralelamente, o Governo Federal intensificou ações contra a produção e a venda de bebidas adulteradas. No início da crise, o ministro Ricardo Lewandowski determinou a criação de um comitê coordenado pela Senacon e autorizou a Polícia Federal a abrir inquéritos para rastrear a origem do metanol.

“O que aconteceu foi uma ocorrência gravíssima, que trouxe grande reflexos na saúde pública. O Ministério da Justiça e Segurança Pública atuou rapidamente, determinando que todas as ocorrências fossem apuradas e investigadas, com a abertura de inquéritos para verificar a procedência da droga e a possível rede de distribuição. A estabilidade que alcançamos agora é resultado de todo o esforço e empenho dos envolvidos, principalmente do Governo do Brasil”, disse.

Em 16 de outubro, a PF deflagrou a Operação Alquimia, mirando 24 empresas do setor sucroalcooleiro e distribuidoras de metanol em cinco estados. As amostras coletadas estão em análise no Instituto Nacional de Criminalística.

Outra ofensiva, a Operação Fronteira, apreendeu 215 mil litros de bebidas alcoólicas em depósitos clandestinos em Fortaleza e Maringá, além de garrafas, álcool etílico, corantes e recipientes lacrados.

Entre 29 de setembro e 27 de novembro, o MAPA realizou 137 ações de fiscalização, que resultaram na apreensão de 793 mil litros de bebidas irregulares, avaliados em R$ 11,8 milhões. Houve ainda o fechamento cautelar de 22 estabelecimentos e lavratura de autos de infração.

A Senacon orientou Procons e varejistas desde o início. Já a Senad capacitou peritos e compartilhou protocolos para identificar metanol em bebidas.

Cenário epidemiológico: Balanço de casos e mortes no Brasil

Entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol:

• 73 confirmadas

• 29 suspeitas, ainda sob análise

• 788 descartadas

Os estados com mais registros foram:

• São Paulo – 578 notificações e 50 confirmações

• Pernambuco – 109 notificações e 8 confirmações

• Paraná – 6

• Mato Grosso – 6

• Bahia – 2

• Rio Grande do Sul – 1

• demais estados, casos pontuais

Óbitos

Ao todo, 22 mortes foram confirmadas:

• 10 em São Paulo

• 5 em Pernambuco

• 3 no Paraná

• 3 em Mato Grosso

• 1 na Bahia

Outros 9 óbitos permanecem em investigação (5 em SP, 3 em PE e 1 em AL). Mais de 20 notificações foram descartadas após análise.

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