Este ano, 462 policiais militares de Pernambuco precisaram se afastar do trabalho para tratar de doenças mentais, um número alarmante que reflete a pressão constante enfrentada por esses profissionais. O tema foi discutido em um debate na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde especialistas ressaltaram os impactos do estresse, causado pela rotina de violência extrema que esses servidores enfrentam no dia a dia.
A doutora Ana Paula Velozo, chefe da Unidade de Estudos e Gerenciamento de Saúde da Polícia Civil, explicou que o peso do trabalho e das tensões diárias, incluindo o contato com situações de violência, afeta profundamente a saúde mental dos profissionais. “A carga emocional e a pressão constante geram problemas como depressão e síndrome de burnout, que afetam não só o profissional, mas também sua vida pessoal e familiar”, afirmou, em entrevista à TV Tribuna/Band.
Em 2022, quase 2 mil policiais militares foram afastados por doenças mentais, o que evidência a urgência do tema. Para enfrentar essa realidade, foram discutidas alternativas, como ampliar e interiorizar os serviços de saúde mental, garantindo que esses profissionais recebam o suporte necessário para lidar com o estresse do trabalho.
Ana Paula também ressaltou que o acompanhamento psicológico deve ser mais eficaz e contínuo, a fim de evitar complicações a longo prazo.
O debate destacou a importância de se criar políticas públicas que tratem da saúde mental dos profissionais de segurança pública, considerando as condições extremas de seu trabalho e o impacto direto no bem-estar deles e de suas famílias. A situação é crítica e requer ação imediata para melhorar as condições de trabalho e saúde desses servidores. Participaram do debate: bombeiros, policiais militares, civis e profissionais da área de saúde.
Audiência traz raio X de como melhorar a saúde mental dos profissionais de segurança
Ao Tribuna Online, o deputado estadual Joel da Harpa (PL), coordenador da Frente Parlamentar pela Saúde dos Pernambucanos, destacou a escassez de suporte psicológico e psiquiátrico para esses profissionais. Segundo ele, a Polícia Militar conta com apenas três psiquiatras para um efetivo de mais de 15 mil pessoas, enquanto a Polícia Civil sequer possui psiquiatras em seu quadro.
“Hoje, enfrentamos um índice preocupante de suicídios entre policiais e um tabu persistente em discutir saúde mental entre os militares”, comentou o deputado. Ele mencionou casos de violência extrema, como um incidente no 19º Batalhão, onde um policial, sem tratamento adequado para problemas mentais, tirou a vida de três pessoas, incluindo a própria. Para ele, a falta de apoio cria um ciclo em que os agentes, sem acompanhamento, se tornam vulneráveis e, potencialmente, um risco para a sociedade.
Joel da Harpa também lamentou a rejeição de seu projeto de lei que visava colocar um psicólogo em cada batalhão. O projeto foi recusado por gerar gastos, algo que o legislativo não pode aprovar diretamente. “Mas fizemos um requerimento ao governo do estado para que isso avance”, explicou.
Após essa primeira audiência focada na saúde mental dos agentes de segurança, a Frente Parlamentar pretende consolidar as informações levantadas e criar um documento com indicações e propostas ao governo estadual. Entre as prioridades estão a realização de concursos públicos para aumentar o número de psiquiatras e psicólogos disponíveis para atender a esses profissionais que, diariamente, enfrentam condições extremas de estresse e risco.