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BARREIROS

“Porque eu quis”: a resposta de aluno após esfaquear três meninas em escola

Adolescente de 14 anos contou a motivação do crime ao conversar com o Conselho Tutelar de Barreiros, cidade da Mata Sul de Pernambuco

Escola Estadual Cristiano Barbosa e Silva permanece fechada
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com colaboração de Carlos Simões



A pergunta do conselheiro tutelar André Costa foi direta: “Por que você fez isso?”. A resposta do adolescente de 14 anos, que acabara de esfaquear três colegas de sala de aula em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, foi ainda mais curta: “Porque eu quis”. Sem desvios, sem hesitação.

O diálogo ocorreu na Delegacia de Barreiros, após o jovem ser detido por funcionários e posteriormente apreendido pela polícia na Escola Estadual Cristiano Barbosa e Silva, na manhã desta segunda-feira (16). Ao ser questionado novamente por André se a violência seria a solução para os problemas que enfrentava, o estudante foi enfático: “Para mim foi”.

O rastro da premeditação

As frases curtas e secas citadas na conversa se somam a outras informações apuradas pelo Tribuna Online PE. Relatos de pessoas da escola indicam que o rastro do ataque começou a ser desenhado há cerca de um ano. Na época, o adolescente – considerado como muito calado e frio -, teria escrito na parede de um banheiro que praticaria uma “chacina” na unidade de ensino. 

O plano, que parecia apenas uma ameaça pichada, quase se materializou hoje quando ele retirou uma faca da mochila, por volta das 7h30, e atacou as três meninas. A polícia recolheu cadernos do jovem para perícia. O objetivo era buscar registros, desenhos ou planos que ajudem a entender a construção dessa violência.

Bullying e a tipificação do crime



O agressor sustentou que era chamado de “feio e horrível” pelas vítimas. O conselheiro André Costa, em mais uma tentativa de diálogo com o adolescente, rebateu a lógica do jovem lembrando que também sofreu bullying na juventude — era chamado de “esqueleto” por ser muito magro — e nunca reagiu com violência. Ele não respondeu.

A mãe do adolescente, por sua vez, reforçou a tese de bullying e apontou negligência por parte da escola. Segundo ela, as perseguições eram antigas e conhecidas pela direção. A avó do jovem teria ido pessoalmente à unidade para cobrar providências. Contudo, na ocasião, de acordo com informações do próprio adolescente ao conselheiro tutelar, a escola chegou a convocar familiares das meninas envolvidas e da sua para uma reunião e a situação foi momentaneamente resolvida. O que parece ter mudado.

A Polícia Civil, por sua vez, não tratou o caso como uma reação emocional. A apreensão foi lavrada por ato infracional análogo à tentativa de feminicídio.

Secretária de Saúde detalha atendimento às vítimas

As três adolescentes feridas, todas com 14 anos, foram levadas inicialmente ao Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque. Segundo a secretária de Saúde de Barreiros, Patrícia Ihally, duas meninas sofreram ferimentos superficiais no ombro, na barriga e no supercílio e já receberam alta.

A terceira vítima, atingida por três facadas nas costas, precisou de cuidados maiores. “Ela se queixava de dor e formigamento nas pernas. Por precaução, decidimos transferi-la para o Hospital da Restauração (HR), no Recife, para avaliação de um neurocirurgião”, explicou a secretária. Apesar do susto, nenhuma das sobreviventes corre risco de morte.

“Escola é lugar de paz”, afirma governadora Raquel Lyra

A governadora Raquel Lyra (PSD) utilizou suas redes sociais para lamentar o episódio e garantir que o Estado está prestando todo o suporte necessário. A gestora afirmou que acompanha de perto as ações da polícia e os desdobramentos na rede estadual de ensino.

“Neste momento, a situação está sob controle e as vítimas estão fora de perigo. Em Pernambuco, escola é lugar de paz e de construção do nosso lugar do mundo. Jamais de violência”, publicou a governadora. 

O adolescente foi transferido para a Delegacia de Palmares, por questões de segurança, será ouvido por um promotor e deve ser encaminhado para a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).

O que diz a Gerência Regional de Educação

O gerente regional de Educação, Danilo Santos, contou que não tomou conhecimento do assunto antes das cenas de violência ocorrerem. Ele confirmou que o adolescente apresentava um comportamento isolado, mas ressaltou que a escola tem psicólogos e trabalha a cultura da paz. Ainda de acordo com ele, a lei não permite revistar mochilas de estudantes, mas frisou que vão estudar outras formas para garantir a segurança na unidade escolar.

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