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Protesto: Lei que pune “surfe rodoviário” gera revolta entre motoristas de ônibus

Sindicato dos Rodoviários pede que governadora vete o projeto do Pastor Júnior Tércio (PP)

De acordo com o projeto, ao notar a prática, o motorista deve parar o ônibus imediatamente e ordenar que os infratores desçam do teto do veículo
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Na manhã desta segunda-feira (4), motoristas de ônibus realizaram um protesto na Avenida dos Guararapes, no centro do Recife. A categoria bloqueou a via, um dos principais corredores de trânsito.

O objetivo era protestar contra o Projeto de Lei 13.666/2023 do deputado Pastor Júnior Tércio (PP), que multa aqueles que surfam nos coletivos em até 100 vezes o valor da passagem, porém, traz mais uma responsabilidade para os motoristas.

A matéria foi aprovada em dois turnos na Assembleia Legislativa e seguiu para a sanção da governadora Raquel Lyra (PSDB). Porém, o assunto sequer foi debatido com os Rodoviários.

De acordo com o projeto, ao notar a prática, o motorista deve parar o ônibus imediatamente e ordenar que os infratores desçam do teto do veículo. Caso eles não obedeçam, a Polícia Militar deverá ser chamada. Para os motoristas, essa é mais uma responsabilidade, que os coloca em risco.

A manifestação reflete a insatisfação dos motoristas com um projeto que propõe punir rodoviários pela prática do “surfe” nos ônibus. Eles que pedem que a governadora Raquel Lyra vete a proposta.

Ainda segundo o sindicato, ao mesmo tempo que tira a responsabilidade do estado de zelar pela segurança pública, o deputado e autor da proposta não apareceu para fazer cobranças às empresas quanto à renovação de ar-condicionado, lei que existe, mas que não é posta em prática.

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana expressou sua insatisfação com a recente aprovação do Projeto de Lei 1366/23 na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE).

O projeto, que visa combater a prática perigosa do “surfe rodoviário” — quando pessoas se penduram do lado de fora dos ônibus em movimento —, também atribui aos motoristas a responsabilidade por impedir tais ocorrências, o que, segundo o sindicato, é injusto e irrealista.

De acordo com a nota divulgada, o sindicato afirma que “em nenhum momento” foi consultado para debater o tema. A aprovação do projeto teria ocorrido de forma “sorrateira”, o que gerou revolta entre os trabalhadores da categoria.

Embora o sindicato declare que é contrário à prática do surfe rodoviário, reforça que considera a responsabilidade de combate a essa atividade uma função do Estado. “Temos clareza que a responsabilidade pela eliminação de tal prática é do Estado”, diz o texto.

Por fim, o sindicato faz um apelo à governadora, solicitando que ela vete a responsabilização dos motoristas e promova um “autêntico debate com a Sociedade Pernambucana” sobre o tema.

Veja nota na íntegra

Dessa vez, expressamos nossa revolta pela forma como o PL 1366/23 foi aprovado na ALEPE, um projeto que visa proibir a prática do surfe rodoviário, mas que culpabiliza o motorista caso ele não consiga coibir tal prática no ônibus que tiver conduzindo. Em nenhum momento o Sindicato foi procurado para debater o tema e de repente, de forma sorrateira o projeto foi aprovado.

Somos contra a prática do surfe, mas temos clareza que a responsabilidade pela eliminação de tal prática é do Estado.

Nesse sentido solicitamos que a Governadora vete o projeto, no que diz respeito à culpabilização dos rodoviários e abra um autêntico debate com a Sociedade Pernambucana.

Recife, 4 de novembro de 2024.

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