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Em Solidão, sementes brotam entre fé, memória e o arroz da terra

Descubra a história de Solidão, Pernambuco, e como o programa Arroz da Gente traz esperança e revitaliza a agricultura local em meio à ...

Em Solidão, sementes brotam entre fé, memória e o arroz da terra
- Cristo Redentor Ressucitado de Solidão
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Quando o padre Carlos Cortatt, na década de 1940 , chegou a uma pequena comunidade no Sertão do Pajeú, em Pernambuco, surpreendeu-se com o silêncio do lugar. Exclamou: “Nossa, que solidão!”.

Na época, ninguém conhecia bem a palavra, mas acharam bonita e o lugar passou a ter um nome, sendo fundado como município somente em 1963. Mas o que era apenas uma exclamação virou identidade: Solidão, o município mais discreto de Pernambuco, com apenas 5,4 mil pessoas e a 411 quilômetros do Recife, tem histórias para contar.

Hoje, essa mesma terra que nasceu de um nome inusitado guarda outro capítulo — o da volta do arroz da terra, dentro do programa nacional de sementes lançado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O governo federal, por meio Conab, abriu uma nova rodada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para 2025. O objetivo é comprar e distribuir sementes, mudas e outros materiais de plantio para os participantes do Programa Arroz da Gente.

A iniciativa, com R$ 10 milhões destinados a todo o país, vai beneficiar comunidades indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Solidão foi escolhida para semear mais que grãos: esperança. (Veja os prazos para recebimento das novas propostas)

Vulnerabilidade hídrica



O município sofre com vulnerabilidade hídrica, por isso o meu espanto do programa ser anunciado para lá. A cidade é cortada pelo Riacho da Barra – cobre cerca de 73% do município -, Riacho Tabira (cerca de 12 %) e pelo Riacho Bandeira (cerca de 11 %). Todos ligados à bacia do Pajeú. Mas a vegetação predominante é a caatinga, com temperaturas que podem chegar a 36 graus.



Se o programa prosperar, o que ainda desperta dúvidas nas autoridades locais entrevistadas pelo Tribuna Online PE, será como um milagre. O Arroz da Gente vai para outros municípios de Pernambuco: Triunfo, Carnaíba, Quixaba (outras três cidades do Pajeú) e Goiana, na Mata Norte. A prosperidade do programa, portanto, depende da Conab e da prefeitura, comandada por Mayco da Farmácia (PSB).

O arroz que nasce da água



Na minha cabeça, sempre imaginei plantações de arroz em áreas alagadas. E como isso poderia, então, acontecer em pleno Sertão do Pajeú, no meio da caatinga?

Mas é justamente assim que o cultivo acontecerá em Solidão. Segundo o secretário de Agricultura, Damião Alves Feitosa, graças às características geográficas do município, pequenas áreas de acúmulo de água já permitem que 11 famílias se dediquem à plantação de arroz da terra. Quatro delas já estão em plena produção; outras sete preparam o terreno para colher no próximo ciclo.

O incentivo financeiro é modesto, mas pode aumentar. Cada produtor recebe entre R$ 4 mil e R$ 4,8 mil, o que soma pouco mais de R$ 58 mil injetados na economia local. A proposta, segundo Damião Alves Feitosa, é simples: reviver uma tradição interrompida e valorizar um alimento 100% natural, com forte importância cultural e de mercado.

“O objetivo é incentivar aqueles que já produziam e pararam, além de fortalecer os que permanecem na atividade”, explicou o secretário. Mais do que economia, portanto, o programa pode devolver reconhecimento a uma tradição que, por anos, resistiu apenas na memória.

Economia e fé



Em Solidão, a agricultura divide espaço com o turismo religioso. O município, conhecido pela gruta de Nossa Senhora de Lourdes e pelo Cristo Ressuscitado que observa a cidade do alto da serra, recebe romeiros que movimentam entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por mês. A roça, por sua vez, garante de R$ 30 mil a R$ 40 mil mensais com a criação de animais e produção de alimentos.

A chegada do programa de sementes dialoga com essas duas forças. De um lado, o turismo que atrai fiéis e mantém viva a fé coletiva. Do outro, a agricultura, que resiste como sustento e identidade cultural. Entre rezas e plantações, Solidão reafirma sua vocação de sobreviver no limite da seca.



Sementes de resistência

Segundo a Conab, as cooperativas e associações que quiserem participar do programa Arroz da Gente têm até o dia 30 de setembro para enviar seus projetos. Cada organização pode receber até R$ 500 mil, e cada família pode ser contemplada com até R$ 10 mil em sementes.

No edital, os números são frios e exigentes: prazos até 30 de setembro, prioridade para mulheres e jovens. Mas, na prática, cada grão entregue, especialmente em Solidão, carrega séculos de saberes e a esperança de permanecer na terra. O município possui um IDHM de cerca de 0,585, considerado baixo segundo os parâmetros do IBGE. Precisa ser visto!

Se um dia o nome da cidade remeteu ao silêncio, hoje é outro som que ecoa: em Solidão, a esperança germina e anuncia, no arroz da terra, uma promessa de abundância.




Equipamentos que fazem o mar chegar à mesa

Associações comunitárias de cidades do litoral de Pernambuco estão recebendo equipamentos da 15ª Superintendência Regional da Codevasf, como freezers, balanças e caixas térmicas, que ajudam a conservar os frutos do mar comercializados pelos pescadores. Com as doações, a produção local consegue chegar a outras regiões, ampliando a comercialização.

Ao todo, mais de 100 unidades foram entregues. O superintendente Gustavo Melo tem visitado as cidades beneficiadas, conversando com os associados sobre novas oportunidades de atuação da estatal em favor das comunidades litorâneas.


Publicidade em pauta

O Fórum da Propaganda de Pernambuco, promovido pelo Sinapro-PE e Abap-PE, será realizado no dia 10 de setembro, no Hotel Transamérica Prestige Recife. O encontro reúne sócios das agências associadas para debater estratégias e fortalecer o mercado publicitário estadual.

Com mais de 20 anos de existência, o Fórum se consolidou como espaço de troca de experiências e construção coletiva de soluções para o setor. A edição de 2025 abordará temas do Ecossistema Sinapro/Fenapro e levantará novas demandas e ações para atuação integrada das agências.


IMIP oferece cursos gratuitos em oncologia

O Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), em parceria com o Ministério da Saúde e com recursos do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), está oferecendo cursos gratuitos na área de oncologia pela plataforma Oncoline.

A iniciativa é voltada a profissionais que atuam ou desejam atuar na assistência, ensino ou pesquisa em oncologia, e inclui aulas on-line, síncronas e assíncronas, adaptáveis à rotina de cada aluno. Entre os cursos disponíveis estão Metodologias Ativas de Aprendizagem, Telessaúde, Educação Permanente para técnicos de enfermagem e pesquisa em oncologia.

O Pronon visa fortalecer a formação de profissionais, ampliar o acesso ao conhecimento especializado e apoiar a prevenção e o combate ao câncer no Brasil. As inscrições podem ser feitas diretamente na plataforma Oncoline: https://oncoline.com.br

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