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Ouro doce de Pombos: a realeza do abacaxi que conquista o mundo

Descubra Pombos, a Capital do Abacaxi de Pernambuco, onde tradição e inovação se encontram na produção e transformação do 'ouro doce'.

Ouro doce de Pombos: a realeza do abacaxi que conquista o mundo
- A soberania de Pombos no campo é um fenômeno de resistência e doçura
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O horizonte de Pombos, a 57 quilômetros do Recife, não é feito apenas de curvas acidentadas e solo fértil. Ele é desenhado por milhares de coroas verdes que protegem o “ouro doce” da Zona da Mata: o abacaxi. Hoje, o município consolida-se como o maior produtor da fruta em Pernambuco, sustentando o título de Capital do Abacaxi com uma força de trabalho que brota de mãos calejadas e corações resilientes.

São cerca de 200 agricultores familiares que, entre o sol e o barro, garantem que mais de 30% da safra estadual — cerca de 20 milhões de frutos anuais — saiam dali para abastecer mesas e mercados, tendo o Ceasa-PE como o principal corredor desse escoamento vibrante.

A soberania de Pombos no campo é um fenômeno de resistência e doçura, o que ressalta a abordagem da coluna Pernambuco que encanta. Lá, predomina a variedade Pérola. Quem caminha pelas plantações sente o aroma acentuado antes mesmo de tocar a polpa amarelada e macia, famosa pela baixa acidez e suculência que parece aprisionar o sol do Agreste dentro da casca. Mas a economia local já não se limita ao fruto in natura. O aroma que sai das cozinhas das associações revela uma nova fase: a da transformação.

“Essa é uma forma de diversificar e, principalmente, agregar valor à produção. Tudo isso no contexto de promover o desenvolvimento local, integrado e sustentável, considerando que a atividade é realizada por agricultores do lugar, a renda gerada permanece no território e explora uma atividade que tem um fator identitário com a própria região”, diz Alexandre Alves, gerente do Sebrae/PE para a Zona da Mata.

Do colapso da mandioca ao reinado da coroa verde


Para entender a Pombos de hoje, é preciso olhar para as cicatrizes dos anos 1970. Naquela época, a cidade vivia sob a égide da mandioca. No entanto, uma seca impiedosa, aliada a pragas que dizimaram as raízes, forçou o agricultor a olhar para o lado. Foi nos anos 1980 que o abacaxi surgiu como a promessa de um amanhã menos dependente das chuvas constantes e mais adaptado à topografia acidentada da região.

O solo respondeu com generosidade. O que começou como uma alternativa de subsistência tornou-se um fator identitário. Hoje, o abacaxi não é apenas um produto; é o sobrenome de Pombos. O apoio do Sebrae/PE entrou como a ferramenta necessária para que essa vocação não ficasse estagnada no tempo.

“Recentemente, começamos a desenvolver ações mais específicas e estruturadoras para consolidar essa cultura e reposicioná-la no mercado”, afirma Alexandre Alves. O foco mudou: da sobrevivência para a estratégia.

O trabalho envolveu desde o fortalecimento do associativismo até a criação de uma cooperativa e de uma central de negócios que une produtores de diversas frentes, criando um ecossistema de cooperação que é a base do desenvolvimento territorial.

Rastreabilidade: o DNA do fruto ao alcance de um toque

Uma das maiores inovações implementadas em Pombos é a rastreabilidade — uma medida inédita no estado. Pode parecer técnico, mas, na prática, é o “bilhete de identidade” do alimento. De forma didática, rastrear o abacaxi significa criar um mapa digital da vida do fruto. Desde o momento em que a muda é plantada até o instante em que o consumidor o coloca no carrinho, cada etapa é registrada.

Ao ler um código ou selo, o comprador pode saber quais insumos foram utilizados, em que data foi colhido e como foi transportado. Isso garante segurança alimentar, pois permite identificar qualquer problema na cadeia de forma imediata. Para o produtor de Pombos, a rastreabilidade é a prova de honestidade e qualidade que abre as portas de grandes redes de supermercados e mercados gourmet, onde a origem do alimento é o maior valor agregado.

“Reunimos produtores e trabalhamos a estruturação social para valorizar a formação, a compreensão e a organização do ponto de vista da cultura de cooperação. Hoje, eles têm uma cooperativa instituída, uma associação e o suporte do sindicato dos trabalhadores da categoria. Também foi montada uma central de negócios que reúne todos os produtores organizados, não só os que trabalham com o abacaxi”, detalha Alves.

O passaporte para o mundo: Certificação Global e IGs

O sonho dos agricultores de Pombos agora atravessa oceanos. O município está na trilha da certificação GlobalG.A.P., um padrão internacional de Boas Práticas Agrícolas que funciona como um passaporte para o comércio mundial. O cumprimento das etapas do chamado “Caderno de Campo” assegura que a produção respeita o meio ambiente, a saúde dos trabalhadores e a segurança do consumidor final.

“Com a comercialização para outros mercados, surge a questão da certificação. No GlobalG.A.P., chegamos até a etapa do Caderno de Campo”, aponta o gerente do Sebrae/PE. Esse selo atesta que o abacaxi de Pombos atinge níveis globais de excelência, transformando a pequena cidade pernambucana em um player competitivo no agronegócio internacional.

Além disso, o abacaxi de Pombos está no radar das Indicações Geográficas (IGs) em Pernambuco. O reconhecimento pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) é o que confere ao produto uma proteção jurídica e uma reputação baseada na sua origem. É a confirmação oficial de que nenhum outro lugar do mundo produz um abacaxi exatamente como o de Pombos.

16 produtos do estado buscam o selo IG

Este esforço coletivo é um dos destaques da série audiovisual “Riquezas de Pernambuco”, uma parceria entre Sebrae/PE e Adepe. O objetivo é mostrar que, por trás de cada tonelada de fruta, há uma história de superação familiar. Atualmente, 16 produtos no estado buscam o selo de IG, e o abacaxi de Pombos já é uma estrela dessa constelação produtiva.

Ao visitar Pombos, o viajante não encontra apenas números ou estatísticas do IBGE. Encontra o doce cheiro da geleia sendo preparada no tacho, o brilho dos licores artesanais e a certeza de que, naquela terra de relevo acidentado e sol forte, o desenvolvimento tem sabor de fruta colhida na hora. É o jornalismo da terra, feito por gente que entende que a maior riqueza de Pernambuco é, e sempre será, a sua capacidade de se reinventar a partir das suas próprias raízes.

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