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Seis jovens plantam mais de 15 mil mudas e fazem renascer o mangue em Itamaracá

Descubra como jovens de Itamaracá transformam a preservação ambiental em um movimento inspirador, plantando esperança e cuidando do mangue.

Seis jovens plantam mais de 15 mil mudas e fazem renascer o mangue em Itamaracá
- As mudas são plantadas especialmente na foz do Rio Jaguaribe
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Há quem diga que o futuro nasce no concreto, entre máquinas e prédios iluminados. Mas talvez o futuro também esteja nas águas turvas do mangue. É ali que o planeta ensaia sua resistência silenciosa — e que jovens de Itamaracá, no litoral Norte de Pernambuco, têm escrito uma das mais belas páginas do cuidado com a Terra, com o nosso estado. 

Em 28 de março de 2021, quatro jovens se juntaram para fazer o que parecia simples: recolher o lixo das praias da ilha. Hoje, são seis. 

As garrafas plásticas e as latas de alumínio não eram apenas restos do descuido humano — eram símbolos de um tempo que esqueceu de agradecer. Naquele primeiro mutirão, eles não imaginavam que estavam plantando mais que limpeza: estavam plantando um movimento. E é sobre eles que a coluna Pernambuco que encanta fala nesta semana.

Um movimento que brota da lama



O grupo cresceu como cresce o mangue, devagar, firme, entrelaçado. Eles descobriram que a lama que parece suja, é fértil. E sustenta nossa existência.

O que era mutirão virou projeto, e o projeto virou o Instituto Itamaracá Preservada, uma força viva dos que acreditam que amar a natureza não é um discurso pesado que precisa de muitas reuniões políticas, é um gesto cotidiano.

Hoje, quatro anos depois, eles já plantaram mais de 15 mil mudas de mangue em Itamaracá, algumas já estão com mais de 2 metros. Eles também se tornaram especialistas em proteger dezenas de ninhos de tartarugas marinhas, duas espécies delas — a tartaruga-de-pente e a tartaruga-oliva — que escolhem as praias da Ilha para o milagre da desova.

Cada ninho cercado pelo Instituto Itamaracá Preservada é uma promessa de continuidade. Cada filhote que encontra o mar pela primeira vez é um lembrete de que o tempo da natureza é outro. Que a pressa humana é miúda diante do ritmo das marés.

Veja vídeo feito no dia das tartarugas em junho



O tripé da esperança

Esses jovens — estudantes de ciências biológicas, de engenharia de pesca e cuidadores da natureza — desafiam o que parece impossível. Em vez de esperar, fazem. O trabalho deles, muitas vezes a sol a pino, precisa ser ouvido numa época em que se fala tanto sobre mudanças climáticas, mas se age tão pouco. Enquanto o mundo se reúne em conferências e redige relatórios, em Itamaracá há quem pratique a esperança com as próprias mãos.

Plantam. Cercam. Educam.

Já levaram mais de 300 estudantes da Ilha para visitas ao projeto Peixe-Boi, onde transformaram curiosidade em consciência ambiental. Montaram ecobarreiras para conter o lixo que tenta fugir para o mar. Criaram pontes entre o que somos e o que deixaremos de ser se não mudarmos o olhar.

E tudo isso sem patrocínio milionário, sem câmeras, sem grandes estruturas. O que move o Itamaracá Preservada é o que move o próprio mangue: a força do coletivo. Um organismo vivo, que resiste junto.



O abraço do mangue

O mangue é mais que paisagem. É o abraço da terra no mar. É o lugar onde o sal se mistura ao doce, onde o novo nasce da mistura.

Num tempo em que a COP reúne líderes mundiais para falar do planeta, talvez o exemplo mais puro venha desses meninos e meninas que entendem, intuitivamente, o que é equilíbrio. Para esses meninos, cada muda é uma oração silenciosa, cada ninho de tartaruga é uma canção de futuro.

Entre 2014 e 2023, há estimativas de que 35 hectares de mangues foram devastados em Pernambuco ou seja, 49 campos de futebol, segundo o padrão Fifa. 

Terra que resiste



E é bonito ver que o Brasil ainda é capaz disso — de gerar gente que não se conforma. Que entende que a natureza não precisa de plateia, mas de parceria. Que o planeta não quer heróis, quer aliados.

O mangue é o berçário dos peixes, o escudo contra as marés, o filtro natural do carbono. É um santuário invisível, tantas vezes pisoteado. Ainda assim, insiste em renascer.

Assim como o projeto de Itamaracá.

Ver aquela juventude com os pés na lama é ver que a esperança ainda tem corpo e rosto.

Porque o mangue — esse organismo ancestral e misterioso — é, no fundo, a imagem de Pernambuco.

Nascido da mistura, sobrevivente por natureza, e belo mesmo quando a maré está baixa.


HFN e Super Mix movimentam R$ 900 milhões no Recife

As feiras HFN – Hotel & Food Nordeste e Super Mix 2025 encerraram, no Centro de Convenções de Pernambuco, com R$ 900 milhões em negócios e público de 32 mil visitantes. Organizados pela Insight Feiras & Negócios, os eventos reuniram 1.500 marcas de todo o país e consolidaram o Estado como polo de alimentos, varejo e hospitalidade. A próxima edição acontece de 4 a 6 de novembro de 2026, no Recife.

Clima de confiança entre os expositores — e a sensação de que o setor reencontrou seu fôlego no Nordeste.


Criatividade em jogo

O Recife vem se firmando como um dos polos criativos mais vibrantes do país — e o universo dos games é mais uma prova disso. Nesta quinta (13), o Instituto de Ciência e Tecnologia do Senac PE abre as portas para um bate-papo gratuito sobre Jogos Digitais, às 19h, no auditório do ICT, no Recife Antigo.

O encontro vai reunir Miguel Doherty e Daniel Manginelli, fundadores do estúdio Pixel Hound, que já desenvolveu títulos como Across the Abyss: Voidborn e Raccon Out. Os dois falam sobre o caminho entre a paixão pelos games e a construção de uma carreira criativa no setor.

O evento é gratuito, e as inscrições podem ser feitas pelo site www.pe.senac.br/evento.


Música que navega



O Recife vai ganhar um espetáculo inédito: a Orquestra Criança Cidadã vai trocar o palco pelo rio. O ensaio do primeiro concerto flutuante acontece nesta quinta (13), às 16h30, nas margens do Parque das Graças — uma prévia do grande encontro de domingo (16). A ideia de levar música clássica para o Capibaribe é poética e poderosa: aproxima a arte da cidade e faz o público lembrar que cultura e natureza podem — e devem — remar juntas. Bora?


Para enviar notícias exclusivas para a coluna Pernambuco que encanta: jornalistaalinemoura@gmail.com

@alinemourape

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