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TRIBUNA DA BOLA

Campo neutro, torcida ausente: o perigo da “Arenização” no Pernambucano

O futebol pernambucano enfrenta desafios com clubes jogando fora de casa. É vital preservar a identidade local e garantir que cada time jogue em seu ...

Campo neutro, torcida ausente: o perigo da “Arenização” no Pernambucano
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Rafael Araujo

Rafael Araújo é formado em jornalismo pela Uninassau Recife. Atua como repórter e colunista de esportes no portal Tribuna Online. É também produtor do Jogo Aberto Pernambuco da Tv Tribuna PE / Band.

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O futebol pernambucano é reconhecido nacionalmente por sua tradição e identidade. Em Pernambuco, “time forasteiro não se cria” (ou, ao menos, não se criava). Digo isso porque todas as pesquisas de torcida confirmam o óbvio: o “Trio de Ferro” domina as preferências locais. E não se engane com o interior; por lá, há uma multidão que veste a camisa e respira, por exemplo, o Central de Caruaru.

No entanto, quando falamos em identidade no futebol, mencionamos alguns pilares que a compõem: cores, títulos, mascotes, símbolos e, principalmente, o estádio. Na temporada de 2026, presenciamos um cenário preocupante no nosso tradicional Campeonato Pernambucano: clubes jogando constantemente em campos que não são seus.

Essa situação ocorreu por diversos fatores: clubes sem estádio próprio, praças esportivas sem laudos técnicos e negligência estrutural. O resultado foi a Arena de Pernambuco tornando-se a “casa” de quase todos os times da disputa. As exceções foram praticamente Sport e Náutico, que utilizaram a Ilha do Retiro e os Aflitos — e, coincidentemente ou não, terminaram como os dois melhores da primeira fase, garantindo vaga direta nas semis.

A Arena de Pernambuco, embora seja um equipamento moderno que deve ser utilizado com frequência, não pode se tornar o endereço universal dos clubes. Isso destrói a identidade e a conexão do torcedor, principalmente interiorano, que se vê obrigado a se deslocar até a Região Metropolitana do Recife ou se contentar em torcer à distância. O resultado de jogos de times intermediários na Arena é a baixa adesão de público e, consequentemente, rendas deficitárias. Futebol sem público é sinônimo de falência.

A solução não é simples, mas uma coisa é certa: não podemos permitir novas edições do Pernambucano que pareçam torneios amadores de fim de semana, onde todos os times dividem um único campo.

É necessário bom senso. Os clubes precisam jogar em suas cidades e, para isso, é essencial o apoio de patrocinadores, da Federação e, dentro da legalidade, do poder público. O futebol de Pernambuco só é forte quando pulsa em todos os seus sotaques e sedia seus jogos em seus próprios domínios. Não podemos perder essa identidade.

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