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Itamacará

Deboche à polícia termina em prisão e recado do delegado: “sem vida fácil”

Jovens detidos são suspeitos de participar de organização criminosa

O delegado José Tenório Neto disse que supostos envolvimentos com a morte de crianças em Itamaracá serão investigados
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Após desafiar e debochar da polícia por meio de live na internet, um jovem de 18 anos e um adolescente de 17 foram detidos. Eles foram localizados e algemados no bairro da Iputinga, nas imediações do viaduto da Caxangá, Zona Oeste do Recife. (Veja o vídeo abaixo)

Ambos são suspeitos de participar de organização criminosa de Itamaracá, município que tem sido palco de crimes bárbaros contra crianças. As investigações ainda estão em andamento.

O delegado titular do Grupo de Operações Especiais, José Tenório Neto, contou à repórter Carol Guibu, na primeira Edição do Jornal da Tribuna, sobre como foi a prisão e a apreensão do menor. A ação policial ocorreu na madrugada da terça-feira (27).

O deboche

“A gente recebeu a determinação da diretoria de polícia especializada após esse vídeo viralizar na internet de membros daquelas organizações que disputam o controle pelo território e o tráfico de drogas na ilha de Itamaracá. Eles haviam acabado de fazer uma live debochando das autoridades policiais, dizendo que tinham saído da ilha com a arma e que queriam ser localizados”, contou José Tenório.

O delegado contou que o desafio foi aceito pelo GOE. Foi montada uma operação que localizou os indivíduos após eles saírem do bairro do Ibura, no Recife, com destino à cidade de Paulista.

Um deles, menor de idade, teria fugido de Itamaracá no dia do crime que vitimou fatalmente uma criança (de 10 anos) e feriu os dois irmãos dela.

“A gente fez uma interceptação tática no bairro da Iputinga, mais precisamente no viaduto da Caxangá, conseguindo localizá-los e prendê-los”, disse o delegado.

Conexão com a morte das crianças

Indagado se havia conexão dessas pessoas com os crimes de Itamaracá, o delegado afirmou que só podia afirmar que eles faziam parte das facções que disputam o poder na Ilha, um dos destinos turísticos mais procurados em Pernambuco.

Recentemente, a Ilha tem sido palco de crimes bárbaros contra crianças. Um bebê de 9 meses foi morto e uma criança de 10 anos, na disputa pelo tráfico na cidade.

“Conexão direta a gente não pode afirmar nem descartar, até porque essas investigações estão a cargo da Divisão de Homicídio Norte. Essa Divisão de Homicídios é que vai fazer a individualização de todos os envolvidos diretamente nas mortes praticadas por esses grupos. O que a gente pode afirmar é que esses indivíduos fazem parte dessas facções que brigam lá”.

José Tenório: “Eles não vão ter vida fácil”

“Após a intensificação do policiamento na Ilha, a tendência é que os criminosos tentem se esconder, fugir, para não serem localizados não só pela prática dos homicídios, mas pelo fato de alguns terem mandado de prisão. Outros estão envolvidos com o tráfico de drogas. A tendência é que eles tentem se evadir, mas a gente está fazendo esse monitoramento constante e esses criminosos não vão ter vida fácil”.

Na Justiça

Os dois jovens foram pegos com posse de arma, uma delas tinha o número de série raspado e o crime é equiparado à posse de arma de uso restrito, segundo o delegado José Tenório. O jovem de 18 anos foi preso e será acusado por corrupção de menor e posse de arma de uso restrito.

Pena de até 10 anos

O adulto foi encaminhado à audiência de custódia e, por não ter antecedentes criminais, o Poder Judiciário entendeu que ele deveria responder em liberdade”. Se for condenado durante o julgamento, ele pode ser condenado a até 10 anos de prisão.

Em geral, a pena para posse de arma é 4 a 6 anos de reclusão, se for de uso comum com o número de série raspado e o crime for cometido em concurso com outro crime. Já a penalidade para corrupção de menores, neste caso específico, é de reclusão de 1 a 4 anos.

O que aconteceu com o adolescente?

Segundo o delegado, o adolescente vai responder por ato análogo ao crime de porta ilegal de arma de fogo. Como ele já tinha histórico pela prática de crime análogo ao de tráfico de drogas, o Ministério Público da Infância e Juventude decidiu pela sua internação.

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