Um ato de vandalismo praticamente destruiu o terreiro de candomblé Ilê Asé Féfé Aiyê, no bairro de Caetés II, localizado em Abreu e Lima, município da Região Metropolitana do Recife. O local estava fechado, em luto de um ano pela morte do antigo babalorixá, mas ladrões entraram no espaço, roubaram e depredaram.
Foram destruídos objetos e estátuas de santos desta religião afrodescendente e uma grade de uns cinco metros de largura foi levada, além de bebedouro, botijão de gás, fogão, panelas e máquina de lavar. Não conseguiram levar a geladeira, mas partiram o fio.
O atual babalorixá, Mythel T’Jagun, contou ter ido prestar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Paulista, mas, ao chegar lá, ele contou que foi mal atendido e incentivado a voltar no outro dia. O caso foi exibido no Brasil Urgente, comandado por Artur Tigre. A reportagem foi de Marwyn Barbosa.
Havia dois policiais no momento em que ele chegou à Delegacia, mas ambos disseram estar sem tempo para atendê-lo. O babalorixá também tinha dito que se tratava de um Boletim de Ocorrência contra a intolerância religiosa.
Mythel T’Jagun acredita que o mal tratamento pode ter sido por estresse ou preconceito, uma vez que ele estava vestido com trajes típicos da religião.
O pai de santo relatou estar bastante abalado, porque acredita que, se fosse o representante de outra crença chegando numa delegacia, teria recebido um tratamento melhor.
A depredação ocorreu na madrugada da quarta-feira (28), no terreiro. Em comunicado oficial, a Polícia Civil expressou sua surpresa em relação ao incidente relatado e declarou sua intenção de investigar o ocorrido. Além disso, ressaltou que “a orientação da chefia é que todos os cidadãos sejam atendidos em suas unidades policiais com respeito, sem discriminação e com dedicação ao trabalho de Polícia Judiciária”.
A corporação afirmou ainda que não há qualquer registro da ocorrência em seu sistema, destacando a importância do registro para possibilitar as devidas medidas em relação aos danos e depredações mencionados no local em questão.
Por último, salientou que, caso haja interesse do cidadão em denunciar o comportamento dos policiais, é possível contatar a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social, localizada no bairro da Boa Vista, Centro do Recife.