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Polícia

Fé ferida: terreiro é depredado e babalorixá é mal atendido na delegacia

Espaço religioso é totalmente destruído e pai de santo não consegue prestar queixa

Em entrevista ao Brasil Urgente, babalorixá Mythel T'Jagun fala sobre depredação do terreiro
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Um ato de vandalismo praticamente destruiu o terreiro de candomblé Ilê Asé Féfé Aiyê, no bairro de Caetés II, localizado em Abreu e Lima, município da Região Metropolitana do Recife. O local estava fechado, em luto de um ano pela morte do antigo babalorixá, mas ladrões entraram no espaço, roubaram e depredaram.

Foram destruídos objetos e estátuas de santos desta religião afrodescendente e uma grade de uns cinco metros de largura foi levada, além de bebedouro, botijão de gás, fogão, panelas e máquina de lavar. Não conseguiram levar a geladeira, mas partiram o fio.

O atual babalorixá, Mythel T’Jagun, contou ter ido prestar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Paulista, mas, ao chegar lá, ele contou que foi mal atendido e incentivado a voltar no outro dia. O caso foi exibido no Brasil Urgente, comandado por Artur Tigre. A reportagem foi de Marwyn Barbosa.

Havia dois policiais no momento em que ele chegou à Delegacia, mas ambos disseram estar sem tempo para atendê-lo. O babalorixá também tinha dito que se tratava de um Boletim de Ocorrência contra a intolerância religiosa.

Mythel T’Jagun acredita que o mal tratamento pode ter sido por estresse ou preconceito, uma vez que ele estava vestido com trajes típicos da religião.

O pai de santo relatou estar bastante abalado, porque acredita que, se fosse o representante de outra crença chegando numa delegacia, teria recebido um tratamento melhor.

A depredação ocorreu na madrugada da quarta-feira (28), no terreiro. Em comunicado oficial, a Polícia Civil expressou sua surpresa em relação ao incidente relatado e declarou sua intenção de investigar o ocorrido. Além disso, ressaltou que “a orientação da chefia é que todos os cidadãos sejam atendidos em suas unidades policiais com respeito, sem discriminação e com dedicação ao trabalho de Polícia Judiciária”.

A corporação afirmou ainda que não há qualquer registro da ocorrência em seu sistema, destacando a importância do registro para possibilitar as devidas medidas em relação aos danos e depredações mencionados no local em questão.

Por último, salientou que, caso haja interesse do cidadão em denunciar o comportamento dos policiais, é possível contatar a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social, localizada no bairro da Boa Vista, Centro do Recife.



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