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PROCESSO ADMINISTRATIVO

Policial militar investigado por feminicídio é expulso da corporação em Pernambuco

Decisão administrativa aponta que ex-sargento efetuou disparo contra a vítima, omitiu socorro e alterou a cena do crime

Amanda Carolina Pacheco Pereira tinha 34 anos. Ela deixou dois filhos
Foto de perfil de Edilson Vieira

Edilson Vieira

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Ciência Política pela mesma instituição. Trabalhou com marketing político. Atuou como repórter, produtor, e editor de texto de TV, e ainda como assessor e gerente de comunicação em assessorias de imprensa de empresas públicas. Foi repórter e colunista no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação por 11 anos, nas editorias de Veículos e Economia. Está no Portal Tribuna Online PE desde julho de 2023.

Última atualização


O policial militar Leonardo Vieira Gomes foi expulso da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar Militar que apurou sua participação na morte da comerciante e estudante de gastronomia Amanda Carolina Pacheco Pereira, de 34 anos. O casal tinha um relacionamento de alguns meses quando o crime aconteceu.

A decisão pela expulsão do PM da corporação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (9) e assinada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho. Segundo a portaria, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) concluiu que há provas suficientes de que o então terceiro-sargento efetuou o disparo de arma de fogo que resultou no óbito da vítima, em abril de 2025, no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

DADOS DO INQUÉRITO

O documento oficial destaca que, além de causar a morte de Amanda, a investigação administrativa apontou que o militar deixou o local sem prestar socorro e alterou a cena do crime para tentar simular um suicídio. De acordo com a decisão, Leonardo posicionou a própria pistola na mão da vítima com o objetivo de induzir peritos policiais ao erro. Para a SDS, a conduta configura fraude processual. Amanda deixou dois filhos, um adolescente de 14 anos e um bebê de 1 ano e 6 meses.

A decisão administrativa também ressalta que o processo respeitou a ampla defesa. Com base nos relatórios da Corregedoria e pareceres técnicos produzidos durante a apuração, a Secretaria concluiu que Leonardo Vieira Gomes não possui condições de permanecer nos quadros da corporação, aplicando a penalidade de exclusão, considerada a mais grave prevista para militares. A portaria aponta que a conduta do policial afetou o decoro da classe, além de violar dispositivos do Estatuto dos Militares de Pernambuco e do Regulamento de Ética Profissional da categoria.

COMO FOI O CRIME

Amanda Carolina Pacheco Pereira foi morta na madrugada de 12 de abril de 2025, quando ela e Leonardo Vieira Gomes estavam no apartamento da madrinha da vítima, em Piedade. Segundo relatos colhidos durante as investigações, os dois consumiam bebidas alcoólicas e conversavam normalmente antes do disparo. A madrinha de Amanda informou ter acordado após ouvir um tiro e, ao chegar ao cômodo, encontrou a afilhada caída e ferida por arma de fogo, momento em que Leonardo já havia deixado o local. Pouco tempo depois, o policial se apresentou na Delegacia de Prazeres, onde foi preso em flagrante, mas acabou colocado em liberdade após audiência de custódia realizada no mesmo dia.

Na decisão judicial que concedeu a liberdade provisória, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) considerou que não havia elementos concretos que indicassem risco à instrução processual ou possibilidade de fuga, destacando que o acusado possuía residência fixa e era policial militar da ativa. O Ministério Público também se manifestou pela liberdade provisória ao apontar que o investigado não possuía antecedentes criminais e que ainda existiam dúvidas sobre a dinâmica da morte.

Com o fim das investigações e o oferecimento da denúncia, foi apresentado um novo pedido de prisão. Leonardo Vieira Gomes responde criminalmente pelos por feminicídio e fraude processual. A data de julgamento do ex-sargento da PM ainda não foi definida pela Justiça.

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