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Polícia

Advogado assassinado trabalhou como garçom para pagar faculdade

Edson Faria teve sonho interrompido ao ser executado a tiros na área externa do prédio onde morava, em Nova América, Vila Velha

Advogado assassinado trabalhou como garçom para pagar faculdade
- Edson tinha 38 anos e foi encontrado com 11 perfurações pelo corpo.

Última atualização

 
















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Correndo atrás do seu sonho, que era cursar uma faculdade particular de Direito,  Edson Faria dos Santos   trabalhou como garçom e churrasqueiro e, com dificuldades,  conseguiu se formar.

 Atuando como advogado criminal há cerca de quatro anos, ele dava mais um passo na carreira: recentemente  alugou uma sala comercial em Campo Grande,  Cariacica. 

Mas na noite do último sábado, aos 38 anos, Edson teve o sonho interrompido de forma drástica:  ele foi assassinado a tiros, por volta das 20h30 dentro da área do edifício onde morava, na rua Rio Marinho, em  Nova América, Vila Velha.

A vítima, que morava no local com a mulher, estava portando uma pistola 9 mm, que teria sido levada pelos assassinos. A arma, que estava na cintura na hora do crime,  era legalizada:  tinha registro. Dois carregadores da arma que estava com a vítima  foram  recolhidos pela equipe da Polícia Civil. 

Testemunhas contaram que o advogado estava em seu apartamento quando dois rapazes o chamaram pelo nome. Ele desceu e foi executado. 

Edson foi encontrado com 11 perfurações pelo corpo, de entrada e saída, sendo quatro no braço esquerdo, quatro nas costas e três no tórax.

No local, as pessoas ficaram em pânico ao ouvir os tiros. Crianças brincavam no pátio e correram, segundo vizinhos. Os criminosos fugiram em direção a Cobilândia.  

Sobre o crime, a Polícia Civil informou, por nota,  que o caso segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha e até o momento nenhum suspeito foi detido. 

Ainda segundo a Polícia Civil, a  população pode denunciar através do Disque-denúncia (181) qualquer tipo de irregularidade, ilegalidade ou repassar informações que ajudem as polícias na elucidação de delitos ou infrações. A ligação é gratuita e pode ser realizada em qualquer município do Estado.

O sepultamento foi na manhã de terça-feira (08), no Cemitério de Nova Almeida, na Serra.

ENTREVISTA | “Foi um crime brutal. Perdi o grande amor da minha vida”, lamenta Aparecida Reis, mulher  da vítima

 
















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Buscando forças e clamando por justiça,  a cozinheira Aparecida Oliveira Reis, de 46 anos,  falou ontem sobre o marido, o  advogado Edson Faria dos Santos, quem ela define como o grande amor da sua vida. 

Pelo telefone, Aparecida conversou na tarde de ontem com a reportagem e disse  que não entende o que pode ter motivado o que ela chama de uma  crueldade. 

A Tribuna –  Quando esteve com o seu marido pela última vez?

Aparecida Oliveira Reis –  Estávamos no corredor, no sábado, quando o chamaram. Ele desceu e só ouvi os tiros. Fiquei desesperada, entrei em pânico. 

Quem era o seu marido?

Uma pessoa batalhadora, que lutou muito para se formar em Direito. Ele trabalhou como garçom e churrasqueiro para custear os estudos. Ser advogado era a sua paixão.

Imagina o que pode ter motivado essa morte?  Ele estava sendo ameaçado?

Não. Só peço justiça. Foi uma crueldade o que fizeram com ele. Foi um crime brutal.  Ele não merecia isso. Ele não tinha inimigos, não falou nada de ameaça, todo mundo gostava muito dele. Perdi o grande amor da minha vida. É um mistério, mas a polícia vai descobrir quem fez isso com o meu marido. Tudo indica que quem o matou  estava dentro do prédio. Nos casamos em abril de 2009 e tínhamos muitos sonhos. 

 Quais sonhos?

Aparecida Oliveira Reis – Muitos. Iríamos viajar na semana que vem, passear um pouco, visitar familiares em  Minas Gerais, mas ele não teve tempo de  realizar todos os seus sonhos. Morreu muito novo, aos 38 anos.  Além de tirar a vida dele, levaram a sua arma, que era legalizada. Ele tinha arma por causa da profissão. Queremos justiça!

Depoimentos

“Estava muito feliz”

 
















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“Ele foi o meu aluno na faculdade. Formou há cerca de  4 anos. Sempre foi um rapaz esforçado, muito educado. Depois de formado, a gente sempre se encontrava nos fóruns. 

Ele sempre estava muito feliz. Eu não atuo na área criminal, mas nunca  soube de problema envolvendo o nome dele. Quando soube da morte, eu fiquei muito  chateado, pois ele era um rapaz do bem, lutou muito  para exercer a advocacia”.

“É um atentado”

 
















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“Justiça e condenação não é o que eu peço, é o que a humanidade exige. É um atentado não só contra a categoria, mas contra o Estado Democrático de Direito. 

É inaceitável que a advocacia, um serviço indispensável à Justiça e ao funcionamento do Estado, tenha se tornado uma atividade de elevado risco. Ceifar a vida daquele que foi responsável pelo direito de defesa de tantas pessoas é de uma crueldade sem tamanho.”

Cena chocante “Passei mal”

 
















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No prédio onde o advogado Edson Faria dos Santos morava, em Nova América, Vila Velha, as pessoas ainda  estão assustadas.  

Uma pensionista, de 72 anos, contou que tinha acabado de sair para um chá de bebê e cerca de cinco minutos depois recebeu a notícia. “Eu esperei um tempo para voltar, mas quando cheguei passei mal ao ver aquela cena dele morto”.

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