No momento em que o adolescente de 16 anos entrou atirando na sala de professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti, em Coqueiral de Aracruz, alunos entraram em desespero e muitos deles pularam janelas do segundo andar para tentar escapar do atirador.
Outros alunos estavam no pátio da escola e, em meio a correria para tentar se salvar, uma estudante viu crianças da escola desesperadas chorando. Ela relatou que a reação foi tentar acalmá-las.
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A Tribuna – Onde você estava no momento dos ataques?
Aluna – Eu estava no pátio e não tinha noção nenhuma do que estava acontecendo. De repente escutei um disparo, depois o professor de Geometria mandou todos os alunos que estavam no pátio correr.
Ele mandou correr para onde?
Para os fundos da escola ou para onde pudéssemos, já que ele disse que havia alguém atirando dentro do colégio. Eu achei que era brincadeira, mas quando vi as pessoas correndo, fui junto.
Quando isso aconteceu, o que passou pela sua cabeça?
Eu não pensei direito na hora, mas muitas crianças, alunos mais novos que eu, estavam chorando. Minha reação foi tentar acalmar essas crianças, passar alguma tranquilidade.
Quando fugiram, vocês ficaram em qual local?
Primeiro atrás da escola, abaixados. Depois, vi uma mãe de uma amiga falando pra gente sair pelo portão dos fundos, que estava aberto. As crianças conseguiram sair comigo, e elas choravam muito, pedindo pelos pais. Assim que eu saí, explicaram que havia um rapaz de capuz, com máscara de caveira, atirando dentro da escola.
Como será voltar à escola?
Assustador. Não sei se vou ter condições de voltar.
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Alunos não querem voltar às aulas
Após viverem momentos de terror na manhã de ontem, quando duas escolas em Coqueiral de Aracruz foram invadidas por um atirador de 16 anos, que fez três vítimas fatais e deixou 13 feridos, os alunos das duas instituições dizem que não sabem se será possível retornar às aulas.
Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Primo Bitti, duas professoras foram mortas. Além disso, vários educadores foram atingidos por tiros. Já no Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), uma aluna de 12 anos foi assassinada.
De acordo com um aluno do 2º ano do ensino médio do CEPC, a sensação de não saber se os colegas e professores estavam vivos foi desesperadora.
Com todo o desespero vivido durante poucos minutos, mas que pareciam uma eternidade para quem estava na mira do atirador, um aluno, de 16 anos, disse que as cenas ficarão para sempre na cabeça. “Não desejo voltar à escola. Só de saber que naquele lugar alunos foram baleados e uma pessoa foi morta, não tenho condições de voltar”, desabafou.
Além disso, o aluno conhecia a vítima e comentou que eles sempre se falavam pelos corredores da escola.
“Eu conhecia a Selena. Apesar de ser mais nova que eu, todo dia dava bom dia pra mim, era gente boa com todo mundo”, comentou.
Já um aluno de 17 anos que cursa o 2º ano do ensino médio da Primo Bitti, disse que conseguiu fugir após trancar as portas da sala, que ficava no segundo andar.
“Decidimos fechar a porta e colocar algumas cadeiras. Foi um desespero total. Quando olhei pela janela, vi o suspeito fugindo para o lado de uma mata que tem perto da escola”, contou.
Ainda segundo esse aluno, alguns estudantes conseguiram fugir da escola ao pular as janelas do segundo andar do prédio. “Como não conseguimos, esperamos a polícia chegar”, disse.
Apesar de ter conseguido fugir sem ferimentos, o adolescente disse que está muito abalado.
“Emocionalmente eu estou mal, nem consegui comer. Esse ano eu não consigo voltar a estudar. Além de mim, ninguém quer voltar, porque para qualquer coisa acontecer, pode ser a qualquer momento”, explica o estudante.