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REPERCUSSÃO

Defesa contesta versão de “vingança” dada por subtenente acusado de estupro no Cabo

Segundo a advogada Maju Leonel, há indicativos de que o policial teve acesso ao depoimento da vítima antes de ser escutado

Defesa contesta versão de “vingança” dada por subtenente acusado de estupro no Cabo
- Segundo advogada, depois de estuprar a vítima, policial pediu o telefone dela e anotou, como forma de coação
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A advogada Maju Leonel, que representa a mulher de 48 anos que acusa o subtenente Luciano Valério de Moura de estupro dentro de um posto do Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho, afirmou que o policial teve acesso ao depoimento da vítima antes de prestar a própria oitiva. Segundo ela, essa circunstância explicaria o uso, por parte do militar, de “expressões idênticas” às utilizadas pela testemunha da mulher.

“Ficou muito evidente que é muito provável que esse policial tenha tido acesso aos autos antes de dar o depoimento dele, o que é um verdadeiro absurdo, porque ele utiliza expressões que foram exatamente as utilizadas pela testemunha da vítima”, disse a advogada.

Maju Leonel também contestou a tese de defesa do subtenente, que afirmou ter sido acusado injustamente após aplicar uma multa de trânsito. Segundo o policial, a mulher o acusou por ter recebido uma multa. A advogada sustenta que essa versão é mentirosa e que não há registro da infração no sistema do Detran.

“É mentira. A gente já procurou aqui no Detran e essa multa não existe”, afirmou. “Você acha que uma mulher, por conta de uma multa, ia fazer isso tudo? Ia se submeter a tomar coquetel, duas bezentacis, se expor, colocar em risco a vida das filhas dela, por causa de uma multa? Multa essa que não existe.”

Veja também: Subtenente preso por suspeita de estupro nega relação com mulher em posto do Cabo

“A defesa é desrespeitosa com a vítima”

Para a advogada, a postura adotada pela defesa do subtenente foi “desrespeitosa com a vítima” e reforça a cultura de descrédito em relação à palavra da mulher em casos de violência sexual.

“A defesa do acusado é, antes de tudo, desrespeitosa com a vítima. Quando a gente for fazer uma defesa criminal, a gente não precisa desrespeitar a palavra de uma outra pessoa. Toda tese deve se substanciar na técnica, sobretudo quando envolve violência sexual contra a mulher”, afirmou.

Ela destacou ainda que o relato da vítima é suficiente para sustentar a acusação, mesmo na ausência de provas materiais.

“Quando a gente está falando de crime sexual, a palavra da vítima tem um poder infinitamente maior do que a do acusado, justamente porque esses crimes, em regra, acontecem na ausência de testemunhas.”

Contradições no depoimento do policial

De acordo com Maju Leonel, há diversas contradições no depoimento prestado pelo subtenente Valério. A advogada citou como exemplo o trecho em que ele afirma ter recebido o número de telefone da vítima como um convite para alugar uma casa na praia.

“Se ele era casado, e tão bem casado como afirma o advogado dele, por que pegou o telefone de uma civil?”, questionou. “Quando ele acabou de estuprá-la, ele perguntou qual era o telefone dela e anotou num papel que ficava em cima de uma mesa dentro do posto”, dando a entender que a mulher foi coagida.

Ela também disse que o depoimento dos outros dois policiais que estavam no local corrobora a versão da vítima, ao indicar que o subtenente e a mulher permaneceram sozinhos no interior do posto policial por um período considerável.

“Um dos policiais chega a dizer que fez três abordagens enquanto ela estava lá dentro do posto. E eles têm uma determinação que nenhum civil pode entrar ali. De certa forma, a postura omissiva desses policiais contribuiu para o resultado do estupro.”

“Ela estava com medo e envergonhada”

Maju Leonel explicou que a mulher demorou a formalizar a denúncia por medo e vergonha, agravados pelo fato de o agressor ser um policial.

“Ela não fez a denúncia na hora porque estava envergonhada, se sentindo humilhada e suja. E estava dentro de uma unidade policial onde os outros dois PMs não entraram para ver o que estava acontecendo. Que segurança ela teria?”, questionou.

Segundo a advogada, a vítima ficou tão abalada que não teve coragem de passar novamente em frente ao posto onde o crime ocorreu.

“No dia seguinte, quando foi trabalhar, ela foi de ônibus. Não teve coragem de passar de carro na frente do posto por medo de ser abusada novamente.”

Provas e próximos passos

A defesa da vítima informou que reuniu provas materiais e testemunhais que podem contradizer o depoimento do policial. Uma das evidências é o vestido usado pela mulher, que pode conter vestígios de material genético.

“A gente acredita na prova do vestido. Ele pode ter elementos de DNA, o material genético dos dois”, afirmou.

Sobre a ausência de exame no IML, a advogada explicou que a própria delegacia informou à vítima que dificilmente seriam encontrados vestígios, já que se tratava de um suposto sexo oral.

“Ela foi orientada na DEAM de que dificilmente teria provas. Estava cansada, abalada e sem apoio. Por isso, optou por não fazer o exame naquele momento.”

Maju Leonel adiantou que pretende desmontar o depoimento do subtenente durante o andamento do inquérito.

“Existem muitas contradições no depoimento dele. Felizmente, a gente segurou provas importantes para demonstrar como o discurso dele não vai se sustentar.”

Em vídeo divulgado no instagram, advogada também fala sobre pronunciamento da governadora. Veja abaixo.

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