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Polícia

Documentos falsos são usados na venda de imóveis no Espírito Santo

Procurações falsas, fraude em assinatura digital e venda do mesmo imóvel a várias pessoas estão entre os golpes mais comuns

Documentos falsos são usados na venda de imóveis no Espírito Santo
- Chave da casa própria: muitas vezes, a vítima só descobre a fraude quando tenta registrar a escritura do bem
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Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização


Criminosos têm recorrido cada vez mais à falsificação de documentos, procurações e assinaturas digitais para aplicar golpes na compra e venda de imóveis. Muitas vezes, a vítima só descobre a fraude quando tenta registrar a escritura ou tomar posse do bem.

Segundo o delegado-adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, uma das fraudes mais comuns é a venda de imóveis por pessoas que não são as verdadeiras proprietárias.

“O que mais chega à delegacia envolve falsificação de documentos de registro ou de procurações. Também temos casos de venda do mesmo imóvel para várias pessoas e de falsos intermediadores, que anunciam imóveis na internet e desaparecem após receber o sinal”.

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O delegado alerta ainda para as fraudes com assinaturas digitais. “Tivemos casos envolvendo uso indevido de assinaturas digitais e acessos obtidos por engenharia social”, explicou.

Para evitar prejuízos, Lana recomenda desconfiar de preços muito abaixo do mercado, da pressão para fechar negócio rapidamente e de propostas que dispensem etapas formais. “Se criarem um senso de urgência para fechar o negócio imediatamente, é preciso redobrar a atenção”, disse.

O advogado especialista em Direito Imobiliário Diovano Rosetti destaca que a principal proteção está na análise da matrícula do imóvel.

“A matrícula é o coração do imóvel. Tudo o que existe sobre ele deve constar nesse documento. É preciso verificar se quem vende é realmente o proprietário e se há hipotecas, penhoras ou outras restrições”, explicou.

Rosetti orienta que o comprador pesquise a situação financeira e jurídica do vendedor. “É importante verificar se existem ações judiciais, dívidas fiscais, trabalhistas ou outras pendências que possam atingir o imóvel no futuro”.

Já o advogado Sandro Americano Câmara ressalta que os golpes mais frequentes envolvem falsos corretores, venda em duplicidade e documentos falsificados.

“Os sinais de alerta costumam ser os mesmos: preço muito baixo, pressão para fechar rapidamente, recusa em apresentar a matrícula atualizada e exigência de pagamento antecipado”, afirmou.

Ele recomenda exigir matrícula atualizada e certidões negativas, além da contratação de um corretor registrado ou um advogado.

Alguns casos 

Transferência com autenticação digital

Um dos casos mais recentes investigados pela Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações foi na Serra. Segundo o delegado Jonathan Lana, uma contadora teria obtido, com engenharia social, os dados de autenticação digital de uma empresária.

Com as credenciais, foi feita a transferência irregular da titularidade de uma empresa cujo principal patrimônio era um imóvel. A investigação foi concluída e os envolvidos, indiciados.

Cinco presos por esquema de invasão e venda ilegal de terrenos

Cinco integrantes de uma organização criminosa foram presos por suspeita de invadir e vender ilegalmente terrenos em Pontal das Garças, em Vila Velha. O grupo agia havia anos e teria movimentado mais de R$ 30 milhões.

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos ocupavam áreas vazias, falsificavam documentos e revendiam os lotes a compradores de boa-fé. Na operação, foram apreendidos veículos, celulares, R$ 29 mil e uma pistola. O caso foi divulgado no dia 29 de abril.

Procuração falsa e cartório que não existe

Um comprador perdeu cerca de R$ 550 mil após adquirir um apartamento em Vila Velha por meio de um suposto procurador do proprietário.

Segundo o advogado Diovano Rossetti, o negócio foi fechado após a apresentação de uma procuração. Mas, quando a vítima foi ao cartório para formalizar a escritura, descobriu que a procuração era falsa e o cartório mencionado nela sequer existia. O golpista fugiu e não foi localizado.

Saiba Mais 

Golpes mais comuns

  • Falsificação de procurações: documentos aparentemente autênticos são usados para dar aparência de legalidade à negociação por pessoas que se passam por intermediários da negociação.
  • Fraudes com assinatura digital e Gov.br: por meio de engenharia social, bandidos têm acesso aos mecanismos de autenticação das vítimas e fazem transferências irregulares.
  • Venda do mesmo imóvel para várias pessoas: o imóvel é negociado simultaneamente com diferentes compradores e o golpista desaparece após receber os valores.
  • Falso corretor ou intermediário: anúncios verdadeiros são clonados em plataformas digitais e o criminoso exige sinal ou taxa de reserva.

Cuidados para evitar golpes

  • Solicite uma certidão de matrícula ou de inteiro teor atualizada no Cartório de Registro de Imóveis para confirmar quem é o proprietário e verificar se há hipotecas, penhoras ou ações judiciais.

Desconfie de preços muito abaixo do mercado.

  • Fique atento ao senso de urgência. Pressão para fechar negócio rápido é um dos principais sinais de fraude.
  • Nunca faça pagamentos “de boca” ou sem contrato formal. Evite transferir dinheiro para contas de terceiros. O pagamento deve ser feito para o proprietário identificado na matrícula do imóvel.
  • Verifique se o corretor está registrado no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).
  • Confirme a autenticidade de procurações diretamente no cartório onde foram emitidas.
  • Pesquise a situação financeira e processual do vendedor, verificando débitos fiscais, trabalhistas e ações judiciais.
  • Visite o imóvel pessoalmente e desconfie de negociações exclusivamente pela internet.


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