Duas professoras, vítimas dos ataques que ocorreram em escolas de Aracruz, no Norte do Estado, receberam alta médica ontem do Hospital São Camilo, localizado no mesmo município. Elas estavam internadas desde sexta-feira.
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Em entrevista ao jornal A Tribuna, a professora de Química, Bárbara Arrigoni, 37 anos, que foi baleada, lamentou as mortes, mas diz que está feliz por ter tido uma segunda chance de viver.
“Não digo que vou recomeçar, mas sim continuar a vida. De forma geral, vamos dominar nosso medo e viver a nova chance de vida que Deus nos concedeu. Cada minuto eu agradeço a Deus pela minha vida”, ressaltou.
Após ter vivido o que ela chama de filme de terror, Bárbara diz que pretende levar a educação todos os dias para os alunos.
“Estávamos fazendo o que a gente mais amava. Quero ir para a escola todos os dias e levar a educação para os alunos. Quero também aproveitar a oportunidade e agradecer a toda a equipe e a todas as pessoas que estiveram em oração por nós. Lamento pela vida de nossas amigas que estavam lá como nós, e que a lembrança e a memória delas sempre estejam em nossos corações”.
A professora de Língua Portuguesa Priscila Queiroz, de 40 anos, baleada com dois tiros, também teve alta ontem.
“Agradeço a Deus por ter me dado essa chance e ter nos livrado e resguardado as nossas vidas. Pedi a Deus pelas famílias enlutadas e com certeza pedi pelas colegas que ainda estão hospitalizadas e que estão nessa luta pela vida. Eu acredito que elas vão sair dessa situação”, afirmou.
Guerra
No dia do ataque, Priscila contou que demorou a acreditar no que estava acontecendo.
“Eu custei a entender o que estava acontecendo e levei dois tiros pelas costas. Na hora só clamei a Deus e fiquei quieta, de bruços. Do jeito que caí, fiquei. Um amigo ficou estancando o sangue até o socorro chegar. Foram momentos de muito terror e medo. Parecia um filme de terror e de guerra”.
Após o ataque, Priscila disse que a polícia e o socorro chegaram com rapidez, e ela foi encaminhada para o Hospital São Camilo, em Aracruz.
“A bala que perfurou as minhas costas não atingiu nenhum órgão vital, graças a Deus. Vi toda a equipe médica mobilizada para receber as vítimas, além de pessoas que não estavam de plantão indo trabalhar. O sentimento é de muita gratidão”, destacou.
Estudante internada luta para viver
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A estudante Thais Pessotti da Silva, de 14 anos, baleada na cabeça pelo atirador que atacou as duas escolas em Aracruz, no Norte do Estado, segue internada e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), apresenta estado grave.
Thais Pessotti está internada na UTI do pronto-socorro do Hospital Infantil de Vitória.
No fim de semana, a família relatou que a adolescente havia passado por uma cirurgia na cabeça durante a tarde de sexta-feira e que o estado de saúde dela requer muitos cuidados.
A jovem é estudante da escola Centro Educacional Praia de Coqueiral, segunda unidade escolar atacada pelo suspeito.
Até a última atualização desta reportagem, no final da noite de ontem, no total, cinco vítimas ainda estavam internadas em hospitais do Espírito Santo.
O atentado deixou quatro mortos – sendo três professoras e uma aluna – e vários feridos.
Três vítimas de atentado continuam em estado grave
O estado de saúde de três pessoas, atingidas pelos disparos nos atentados nas escolas de Aracruz, continua grave. A informação foi confirmada no último boletim médico disponibilizado pela Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa), às 18 horas de ontem.
De acordo com as informações, uma dessas pessoas é uma adolescente de 14 anos, internada no Hospital Infantil de Vitória. Segundo as informações, ela continua entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentando “grave estado geral”.
Ainda ontem, durante a manhã, no primeiro boletim disponibilizado, o estado de saúde da adolescente havia evoluído para “muito grave”. A aluna foi atingida no crânio durante a invasão à escola Primo Bitti, em Coqueiral de Aracruz.
No Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, na Serra, duas mulheres, uma de 52 e outra de 45 anos, também continuam internadas em grave estado geral.
Um estudante de 11 anos, que também está internado no Hospital Infantil de Vitória, tem situação estável. Nas últimas horas, ele evoluiu positivamente. Agora o aluno já está na unidade semi-intensiva do hospital.
Já no Hospital São Lucas, em Vitória, uma mulher de 58 anos apresenta estado de saúde estável e, de acordo com informações repassadas pela Sesa, aguarda melhora de feridas em membro inferior para ser submetida à nova cirurgia.
Idoso salvou 6 crianças de massacre
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Servidor da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Aracruz, Romildo Banhos, de 63 anos, teve um gesto heroico ao salvar seis crianças do atentado. Ele soube do ataque após uma mulher relatar que estava acontecendo um tiroteio na escola Primo Bitti.
“Chegou uma senhora de carro desesperada pedindo para uma ambulância, que fica na unidade, fosse até o colégio Primo Bitti, porque estava acontecendo um tiroteio lá”, afirmou.
Imediatamente ele seguiu para escola em um carro da prefeitura, viu os policiais e se prontificou a tirar as crianças da escola.
“Eu não vi os ônibus escolares na escola. Então fui até os policiais e falei que eu queria ajudar a tirar crianças que estavam correndo risco de vida, levando até as suas casas. O policial disse que já ajudaria muito tirando as crianças do local. Abri a porta do carro e pedi para o policial colocar seis crianças no veículo, que é da Prefeitura de Aracruz e levei cada um para sua casa”, informou.
“As crianças que eu transportei não chegaram a ser vítimas do atentado, porque a polícia chegou logo para protegê-las. As mães ficaram aliviadas ao receber os filhos com vida em casa”, relatou.