O mês de julho para moradores de diversos bairros da Grande Vitória foi de muita tensão e medo. E o motivo está relacionado com o número de tiroteios, promovidos por criminosos.
Levantamento de A Tribuna em parceria com o aplicativo Onde Tem Tiroteio — criado em 2016 no Rio de Janeiro — apontou que 59 registros foram feitos do dia 1º até o dia 31 de julho no Estado. Destes, 38 foram registrados em Vitória. Isso significa que, em média, pelo menos um tiroteio foi registrado por dia em toda a Grande Vitória.
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Para chegar a esses dados, o aplicativo confrontou as informações de moradores e de policiais que atenderam as ocorrências por meio da própria plataforma online.
Além disso, policiais militares, civis, guardas municipais e os próprios moradores das regiões onde ocorreram os registros também confirmaram as informações.
“Os tiros aqui são frequentes, infelizmente. Me sinto insegura porque saio para trabalhar e não sei se vou voltar para casa. Atualmente, por conta dessa guerra de bandidos, a gente não vive mais”, afirmou uma diarista de 26 anos, moradora do bairro Gurigica, em Vitória, um dos bairros onde foi registrado tiroteio no mês passado.
Uma outra região que sofreu, e ainda sofre com os tiroteios, é Nova Almeida, na Serra. A disputa por territórios do tráfico deixou os moradores do bairro em total alerta nas últimas duas semanas.
“Teve um dia que eu e meus alunos precisamos deitar no chão por conta dos tiros. Todos ficaram assustados e com medo”, revelou um professor, de 34 anos, que também é morador do bairro.
Quem também vive passando por sustos após episódios de disparos de arma de fogo é uma dona de casa, moradora do bairro Santa Rosa, em Cariacica. Por lá, além dos tiros, quem mora na região tem sofrido até represálias.
“Tem muita gente indo até embora daqui. Os tiros acontecem com frequência. A gente vive com medo, isso sem falar que muitos traficantes tem expulsado os moradores”, disse a moradora que pediu para não ser identificada.
Benito Quintanilha, responsável pelo aplicativo, explica que uma nova versão do OTT já está disponível para toda população capixaba que deseja contribuir com informações de tiroteios.
“A população deve baixar e nos ajudar a fazer essa estatística”, explica Quintanilha.
Comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Menezes explica que boa parte dos tiros na capital são provenientes da disputa do tráfico.
“Querem manter o controle de tudo, não só de Vitória, mas em outras regiões também”, disse.
Medo tira mais de 40 famílias de suas casa em Vitória
Com medo da violência, pelo menos 42 famílias, que residiam nos morros da Piedade e Fonte Grande, na Capital, decidiram sair dessas regiões. De acordo com o Instituto Raízes, essas duas comunidades sofreram uma diminuição de 48% de sua população.
“Mais de 42 famílias deixaram suas casas. Essa saída ocorreu de forma repentina, devido ao medo e a necessidade de proteger-se com sua família buscando outros territórios para viverem”, explicou um dos responsáveis pelo instituto, Jucelino Júnior.
No ano de 2018, a região da Piedade foi alvo de constantes ataques, promovidos por criminosos que pretendiam tomar o tráfico de drogas da região. Na época, cerca de 20 moradores se mudaram do local, sendo que alguns deles foram expulsos por traficantes.
As regiões do Morro do Moscoso e Fonte Grande também foram alvo de ataques. Por lá, casas também foram invadidas por bandidos.
Para o advogado criminalista Siderson Vitorino saber que famílias estão sendo obrigadas a abandonar suas casas por conta da criminalidade é colocar em negativa de vigência a ordem pública ao admitir que o Estado falhou em propiciar a segurança dessas pessoas.
“O que estas famílias precisam é de equipamentos públicos diversos do aparato repressivo estatal. Capazes de levar à tal comunidade protagonismo social”, aponta o advogado.
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Sídrome do pânico
Uma moradora da região de Andorinhas, em Vitória, passou mal e desenvolveu síndrome do pânico, devido aos constantes tiroteios registrados na região, que não poupam nem mesmo as escolas.
Ela conta que em uma ocasião em que uma pessoa foi baleada no bairro, ela se desesperou. “Eu entro em pânico. Teve um dia em que meu filho tinha acabado de sair de casa e ouvi disparos. Achei que tivesse acontecido algo com ele e passei até mal. É uma situação corriqueira”, contou a mulher, que com medo de sofrer represálias, pediu para não ter a identidade revelada.