Ainda chocado com as cenas que presenciou na noite da última segunda-feira (06), o socioeducador Marco Jacintho, de 53 anos, contou como conseguiu desarmar Philipe Almeida Sabino. O suspeito ainda estava com duas facas na mão após ter matado o jovem Ricardo dos Santos Souza.
“Estava completamente transtornado. Lambia o sangue da faca e deu vários golpes contra um portão de aço”, lembrou.
A Tribuna – O senhor estava presente quando Ricardo foi atacado?
Marco Jacintho – Não. Eu estava em casa, que é próxima da igreja, assistindo TV. Comecei a ouvir os gritos vindos de lá e fui para a janela olhar. Vi o Philipe correndo pela rua com as duas facas na mão. Ele lambia sangue da faca. Também começou a dar um monte de facadas no portão de aço que tem nessa rua. Foi quando ele começou a se dirigir para uma escada que dá acesso à rua da minha casa.
E o que fez?
Na hora eu decidi sair de casa para tentar pará-lo, pois fiquei com medo dele ferir outras pessoas. Ele já estava no último degrau quando eu gritei para que ele voltasse e colocasse as facas no chão, mas ele continuou. Então, achei um pedaço de pau e ele veio para cima de mim. Consegui tirar uma das facas da mão dele, mas a outra acertou o meu queixo.
E depois?
Depois consegui tirar a outra faca também e o imobilizei. Foi então que minha mulher chamou a polícia e outras pessoas apareceram.
Você sabia o que ele tinha feito na igreja?
Não. Naquele momento eu só sabia que ele tinha ferido alguém por causa dos gritos e do sangue na faca. Quando as pessoas começaram a se aproximar e a polícia chegou é que contaram o que tinha acontecido com Ricardo. O pai dele também chegou lá. Tudo muito triste.
Conhecia a vítima?
Sim. Ricardinho cresceu com meus filhos, era meu vizinho e um rapaz muito tranquilo. Queria ser policial.
E já tinha visto o acusado?
Philipe também é uma pessoa conhecida no bairro e a mulher dele também chegou momentos depois, mas só chorava.
Ele contou alguma versão do motivo para ter feito aquilo?
Não. Estava muito transtornado e poderia ter ferido outras pessoas se não fosse parado. Foi algo horrível. Parecia cena de filme de terror, como se estivesse endemoniado.
Jovem defende namorada e é morto a facadas em igreja
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Com o sonho de combater a violência, o jovem Ricardo dos Santos Souza, de 19 anos, foi morto com uma facada na última segunda-feira, em uma igreja, quando tentava proteger a namorada de um ataque.
O crime aconteceu por volta das 21 horas, na igreja católica do bairro Santo Antônio, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.
De acordo com informações da Guarda Civil Municipal, a vítima e sua namorada, que pediu para não ter o nome revelado, seguiam pela rua a pé para participar de trezena de Santo Antônio, que acontece na igreja. Foi quando o suspeito, Philipe Almeida Sabino, 25, começou a seguir o casal fazendo ameaças, com duas facas na mão.
Ricardo e a namorada correram para o pátio da igreja. Segundo familiares e testemunhas, a vítima ainda jogou uma cadeira contra o agressor para tentar defender a namorada dos golpes.
“O homem veio na minha direção com a faca e jogou a cadeira. Ele (Ricardo) morreu para me defender”, disse a jovem à reportagem.
O socioeducador Marco Jacintho, de 53 anos, que mora perto da igreja, ficou ferido no queixo após ter desarmado o agressor.
Ricardo foi socorrido e encaminhado à Santa Casa do município, mas morreu. Já o suspeito tentou fugir e foi impedido por moradores.
Philipe, que apresentava ferimentos na cabeça e nos braços, foi levado para atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Marbrasa e, depois, conduzido à 7ª Delegacia Regional de Cachoeiro.
“Ao que tudo indica, seria um homicídio por motivo fútil, sem motivação nenhuma. Esse rapaz se aproximou do casal e disse: ‘Isso aqui é para vocês!’. Ricardo empurrou o suspeito e eles saíram correndo para a igreja e o suspeito foi atrás deles com as facas na mão. Ricardo tentou se defender, mas sem sucesso”, contou o titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro de Itapemirim, delegado Felipe Vivas.
O preso foi autuado em flagrante por homicídio e tentativa de homicídio e encontra-se no Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro.
Moradores da região e testemunhas afirmaram que o acusado é usuário de drogas. Já à polícia, ele disse apenas que tinha ingerido bebida alcoólica e que só iria falar em juízo.