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Uma menina de 12 anos foi agredida, em dois momentos diferentes, por ter se recusado a passar cola durante prova em uma escola estadual de Cachoeiro do Itapemirim, Sul do Espírito Santo. De acordo com a mãe da jovem, a filha estava recebendo ameaças desde a primeira agressão, no dia 19 deste mês.
Ela foi cercada depois da aula por 10 estudantes, que desferiram socos, chutes e puxões de cabelo. As agressões aconteceram sexta-feira (19) e nesta terça-feira (22).
Nas redes sociais, circulam vídeos chocantes que mostram o ataque. Nas imagens, a menina apanha repetidamente no rosto, na cabeça e é derrubada várias vezes. Um colega ainda tenta ajudar e imepdir as agressões, mas é o único contra muitas pessoas.
Segundo a mãe da aluna, que pediu para as duas não serem identificadas, a briga começou dentro da unidade de ensino, no bairro Coronel Borges, depois que a filha se recusou a passar cola para as demais colegas.
As estudantes, de acordo com o relato da mãe, alegaram que a jovem estava debochando e teria dito que, se elas quisessem tirar boa nota na prova, “deveriam ter estudado”.
“Juntaram 10 meninas para surrar minha filha. Elas falaram que minha filha estava debochando delas, falando para elas estudarem mais para conseguir boas notas”. Mas, segundo a mãe, esse não seria o motivo.
Em conversa com a direção da escola, a mãe disse que foi informada que quatro alunas que participaram da agressão foram expulsas da unidade, mas soube também que as outras seis continuavam matriculadas.
Preocupada, ela, então, solicitou uma reunião com os responsáveis pelas estudantes que bateram em sua filha, mas o pedido teria sido recusado pela diretora.
Quatro dias depois da primeira agressão, nesta terça-feira (23), a menina foi novamente atacada e, dessa vez, com rasteiras, socos e puxões de cabelo. A mãe explicou que a jovem também sofreu ameaças e ainda está sendo alvo de ofensas em uma página de fofocas, na internet, criada apenas para isso.
“Registrei ocorrência na polícia. Essa página é para difamar e falar mal dela”, disse. Ela contou que a filha sempre conviveu com a implicância das colegas de turma, mas não com a gravidade dos últimos acontecimentos. O motivo, de novo, seria as alunas a considerarem “debochada”.
“Minha filha disse que elas sempre implicaram com ela, mas nunca tinha chegado a esse ponto, era só com palavras”.
O QUE DIZ A SEDU, POLÍCIAS E CONSELHO TUTELAR
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) explicou que, mesmo o fato tendo acontecido fora do ambiente escolar, as medidas cabíveis foram tomadas, conforme o Regimento Escolar. A pasta informou também que as alunas foram ouvidas e, a pedido, transferidas para outras unidades.
De acordo com a Secretaria da Superintendência Regional de Educação (Ser), vinculada à Sedu e responsável pelo comunicado, fazem parte do cronograma de atividades pedagógicas multidisciplinares desenvolvidas na rede estadual de ensino sobre respeito ao próximo, bullyng e outros temas relacionados à vida estudantil.
A Polícia Militar informou que o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) recebeu informações de agressões praticadas por alunos de uma escola a uma menina no bairro Coronel Borges, na tarde do dia 19 de agosto. No local, a equipe soube que as envolvidas já tinham ido embora. Elas não foram encontradas.
Nesta quarta (24), a Polícia Civil informou que um boletim de ocorrência foi registrado e que a mãe da vítima seguia na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente e Idoso (DPCAI) do município.
Ainda segundo a Polícia Civil, a menina fez exame de corpo de delito. Ela e a mãe prestarão depoimento sobre o assunto ainda durante esta semana. Ainda segundo a nota da PC, duas agressoras, menores de idade, não estão mais matriculadas no colégio.
O Conselho Tutelar de Cachoeiro de Itapemirim revelou que acompanha o caso e que não divulgará, por enquanto, quaisquer informações.