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Polícia

Mais de 5 mil idosos são vítimas de agressão e maus-tratos no ES

Dados são referentes ao período entre 2020 e maio de 2026. Só nos cinco primeiros meses deste ano, foram registrados 401 casos

Mais de 5 mil idosos são vítimas de agressão e maus-tratos no ES
- Idoso: temor da exposição familiar
Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização


Agressões físicas, ameaças, abandono, negligência e exploração financeira fazem parte da realidade de milhares de idosos no Espírito Santo.

Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) mostram que 5.100 idosos foram vítimas de lesão corporal e maus-tratos entre 2020 e maio de 2026. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram registrados 401 casos.

“Quando a gente fala de violência, a primeira coisa que pensa é na agressão física. Mas antes dela acontecer já ocorreram ameaças, maus-tratos, negligência, abandono e abuso financeiro. A lesão corporal normalmente é precedida por essas outras formas de violência”, diz a delegada Milena Gireli, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa (Depi).

A advogada Juliana Pimentel, especialista em Direito Previdenciário, destaca que o Estatuto da Pessoa Idosa prevê medidas de proteção para vítimas de violência, inclusive o afastamento do agressor.

“O principal mecanismo de proteção é o Estatuto da Pessoa Idosa, que garante direitos fundamentais e prevê medidas de proteção sempre que houver ameaça ou violação desses direitos. Dependendo da gravidade do caso, a Justiça pode determinar o afastamento do agressor e outras medidas para preservar a integridade física, psicológica e patrimonial da vítima”.

A legislação também prevê punições para casos de apropriação de aposentadorias, retenção de cartões bancários e utilização indevida de bens e rendimentos do idoso, de acordo com a advogada.

Para o promotor de Justiça Ronald Gomer Lopes, dirigente do Centro de Apoio Operacional Criminal (CACR) do Ministério Público do Estado (MP-ES), os números registrados não refletem toda a dimensão do problema.

“Existe subnotificação porque, na maioria dos casos, a violência é praticada por familiares. Muitas vítimas mantêm vínculos afetivos e financeiros com os agressores e acabam não denunciando”.

Segundo ele, o Ministério Público acompanha investigações, fiscaliza a rede de proteção e promove a responsabilização dos autores. As denúncias podem ser feitas em delegacias, serviços de assistência social e na Ouvidoria do Ministério Público do Estado.

Medo e vergonha de denunciar

O medo e a dependência em relação ao agressor estão entre os principais fatores que impedem a denúncia por parte dos idosos.

“Muitos idosos dependem emocionalmente, financeiramente ou fisicamente do agressor. Existe o receio do abandono, a vergonha de expor conflitos familiares e a dificuldade de reconhecer algumas situações como violência”, diz a advogada Juliana Pimentel, especialista em Direito Previdenciário.

A delegada Milena Gireli, titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso (Depi), explica que o envelhecimento da população capixaba amplia a necessidade de atenção ao problema.

Segundo ela, cerca de 80% das violências contra idosos ocorrem dentro de casa, o que dificulta as denúncias. “Muitas vezes o agressor é o próprio filho, a filha ou alguém próximo. O idoso tem dificuldade de denunciar porque existe dependência emocional, patrimonial e até medo de abandono”.

O promotor de Justiça Ronald Gomer Lopes, dirigente do Centro de Apoio Operacional Criminal (CACR) do Ministério Público do Espírito Santo, destaca que qualquer pessoa pode denunciar.

“É preciso que a rede de proteção tenha essa relação entre as instituições na preservação dos direitos dos idosos. Qualquer pessoa pode denunciar, e é fundamental para que possamos apurar os fatos e proteger a vítima”, afirma.

Casos 

Presa após agredir a avó em Vila Velha

Uma mulher de 39 anos foi presa, suspeita de agredir a própria avó, de 88 anos, dentro da casa da família, no bairro Santa Mônica, em Vila Velha.

A neta, que é dependente química, foi levada à delegacia e encaminhada ao presídio. O caso aconteceu no último dia 3.

Cuidadora presa por forçar idoso a fazer testamento

Uma cuidadora de 45 anos e o marido dela, de 53, foram detidos em fevereiro, suspeitos de extorquir um idoso de 86 anos em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo.

O idoso pediu ajuda aos servidores de um cartório enquanto era atendido e chorou, afirmando ser vítima de maus- tratos. Os suspeitos foram levados à delegacia e encaminhados ao presídio.

Funcionária de financeira na cadeia

A funcionária de uma financeira, identificada como Janete Serafim, 31 anos, foi detida em Viana, suspeita de aplicar golpes em idosos em Castelo, no Sul do Estado.

Ela foi presa em março e permanece no Centro Prisional Feminino de Cariacica.

Dados

2026 – (janeiro a maio)

  • Lesão Corporal – 379
  • Maus-tratos –  22
  • Total – 401

2025 – (janeiro a maio)

  • Lesão Corporal – 374
  • Maus-tratos – 28
  • Total – 402

2025

  • Lesão Corporal – 829
  • Maus-tratos – 63
  • Total – 892

2024

  • Lesão Corporal – 783
  • Maus-tratos – 47
  • Total – 830

2023

  • Lesão Corporal – 733
  • Maus-tratos – 56
  • Total – 789

2022

  • Lesão Corporal – 719
  • Maus-tratos – 47
  • Total – 766

2021

  • Lesão Corporal – 632
  • Maus-tratos – 49
  • Total – 681

2020

  • Lesão Corporal – 677
  • Maus-tratos – 64
  • Total – 741


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