O motorista, de 46 anos, que atropelou a advogada Karina Vaillant, de 29, em Cachoeiro de Itapemirim, em dezembro de 2022, foi condenado a 7 anos de prisão em regime inicial fechado.
De acordo com sentença proferida pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca, Bernardo Fajardo Lima, na terça-feira (7), o motorista confessou que estava embriagado na ocasião do acidente.
A ação foi movida pelo Ministério Público estadual (MPES) que acusou o condutor de não possuir permissão para dirigir ou carteira de habilitação, não ter prestado socorro à vítima e ter conduzido o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool.
Segundo o processo, a advogada participava de um evento de corrida no dia 18 de dezembro de 2022, quando, por volta das 5 horas, na Rodovia BR-482, sentido Cachoeiro a Marataízes, foi atingida pelo automóvel dirigido em alta velocidade pelo réu, que invadiu, na contramão, o acostamento onde ela estava.
A vítima sofreu lesões graves e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ela teve traumatismo craniano, fratura exposta na perna direita, fratura no tórax e nas costas.
Ainda de acordo com o processo, foi pelo depoimento de testemunhas que os policiais acionados conseguiram localizar o veículo, que estava com marcas de sangue, e o acusado, que apresentava visível sinal de embriaguez e confessou o atropelamento.
Segundo o juiz Bernardo Fajardo Lima, os depoimentos das testemunhas, a confissão do acusado, assim como as demais provas apresentadas, comprovam a autoria do crime e são suficientes para responsabilizar o réu, que foi condenado a 7 anos de prisão, inicialmente em regime fechado.
Karina Vaillant diz que segue sua vida com os tratamentos, e revelou que se sente, em parte, aliviada após a decisão da Justiça.
Entrevista
Karina Vaillant: “Fico com a sensação de que a Justiça vem sendo feita”
– O motorista confessou que estava embriagado quando te atropelou e foi condenado a 7 anos de prisão em regime inicial fechado. Como você se sente com essa decisão da Justiça?
Karina: Fico com a sensação de que a Justiça vem sendo feita, por mais que o tempo que ele ficar preso vai ser indiferente para a minha melhora do acidente. O estrago que ele causou em minha vida é muito maior do que as pessoas possam imaginar. Por mais que essa sentença não vá suprir meu sofrimento, vejo isso como o mínimo necessário para o que poderia acontecer com ele. Das sequelas que o acidente me causou eu nunca mais vou me curar.
– E quais foram as sequelas, Karina?
Hoje me encontro ainda em recuperação, eu ainda sofro de dores intensas. Meu psicológico está totalmente abalado, ainda uso um fixador para tentar recuperar a minha perna, para que o osso dela calcifique. Além disso, ainda tenho uma fratura na bacia que eu gasto muito dinheiro.
– Você sofreu traumatismo craniano, traumas na face, na clavícula e no 5º metatarso, perfuração do pulmão pela costela e fratura exposta no fêmur. Como tem sido o sua rotina de tratamento?
Fisioterapia, academia e terapia. Sou advogada e voltei a trabalhar. Trabalho todos os dias. E eu permaneço na luta, para tentar colocar meus pensamentos no lugar. Hoje eu vivo por minha melhora na saúde e por isso eu não consigo avançar muito na minha carreira.
– Você faz uso de medicamentos?
Sim, e de muitos. Tomo 10 remédios. São comprimidos para as dores e os ansiolíticos.
– Após o acidente você ficou na UTI. Quando acordou do coma, pensou que nunca mais voltaria a andar?
Claro que pensei, mas minha família, amigos e a equipe médica me deram esperança e eu segui a vida.
– Além disso, você colocou um osso de vidro no fêmur da perna direita produzido na Finlândia e você conseguiu o dinheiro para o tratamento após uma “vaquinha”. Como vê essa rede de solidariedade?
Se hoje eu tenho a condição de dar um novo passo na minha vida, de buscar novas alternativas e de ter esperança de voltar a andar e correr, eu tenho que agradecer a toda minha família, meus amigos e quem doou para a vaquinha.