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Polícia

“Nada vai trazer a minha filha de volta”, diz mãe de Íris Rocha após julgamento

Para ela, nenhuma decisão consegue reparar o que aconteceu; ex-companheiro da vítima foi condenado a 37 anos de prisão

“Nada vai trazer a minha filha de volta”, diz mãe de Íris Rocha após julgamento
- Márcia Rocha, mãe de Íris, mostra um cartaz com a foto dela e diz que sentença de Cleilton (destaque) foi curta
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Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização



A aposentada Márcia Rocha, mãe da enfermeira Íris Rocha de Souza, conversou com A Tribuna nessa segunda-feira (01), após a condenação de Cleilton Santana dos Santos.

Ela afirmou acreditar que a Justiça foi feita, embora considere a pena menor do que esperava. “A sentença é muito curta, muito pouco. Nada vai trazer minha filha de volta, mas eu esperava mais”.

E completa, referindo-se ao pedido de aumento de pena: “Queremos o máximo que puder, porque sabemos que esses 37 anos não serão cumpridos totalmente em regime fechado”.

Márcia diz que o sofrimento de mãe permanece. “A dor que dilacera o coração continua, mas hoje fico um pouco mais em paz porque a Justiça dos homens fez o que era possível. Encerra-se um ciclo marcado por uma brutalidade tremenda”.

E completa: “Este ano, finalmente, vou conseguir, na medida do possível, sentir um pouco da alegria do Natal. Meu neto, filho da minha outra filha, tem me dado força e momentos de felicidade nos dias mais tristes”.

Para ela, nenhuma decisão consegue reparar o que aconteceu. “Eu respeito a sentença, mas nenhuma pena consegue medir o que tiraram da minha filha”.

LEIA TAMBÉM: Caso Íris Rocha: saiba como foi julgamento que condenou ex a 37 anos de prisão

ENTENDA O CASO

Crime

A enfermeira Íris Rocha de Souza, 30 anos, foi morta a tiros em Alfredo Chaves, região Serrana do Estado, no dia 11 de janeiro de 2024.

O corpo foi encontrado pela polícia às margens de uma estrada rural coberto com cal.

Íris estava grávida de 8 meses de uma menina que se chamaria Rebeca.

Ela tinha outro filho de 8 anos e morava em Jacaraípe, na Serra.

Investigação

Segundo a delegada titular da Delegacia de Alfredo Chaves, Maria da Glória Pessotti, o corpo foi deixado a cerca de 1 metro abaixo da estrada de chão.

A polícia diz que a intenção de Cleilton Santana dos Santos, de 27 anos, ex-namorado da vítima, era de que o corpo rolasse morro abaixo.

As cápsulas encontradas no local do crime têm o mesmo número de série das munições que foram encontradas no cofre, na casa de Cleilton.

Imagens

Câmeras registraram suspeito e vítima de mãos dadas, na pracinha de Domingos Martins, na noite do crime.

Prisão

Cleilton foi preso sete dias após o crime. Segundo as investigações, o motivo seria a desconfiança dele quanto à paternidade da menina.

Exames de DNA, no entanto, confirmaram que ele era o pai.

Julgamento

A decisão é do Tribunal do Júri realizado nessa segunda, no Fórum Desembargador Madeira de Freitas, em Alfredo Chaves. O júri foi composto por quatro mulheres e três homens. A sentença é do juiz Arion Mergar, da Vara Única de Anchieta, responsável pelo processo.

Conforme denúncia feita pelo Ministério Público, o réu foi declarado culpado de assassinar e ocultar o cadáver da enfermeira Íris Rocha.

O Ministério Público (MPES) reforça que o julgamento, ao responsabilizar o agressor e combater a violência de gênero, é mais um passo em defesa da vida, da proteção das mulheres e da promoção da justiça.

O MPES ressaltou que “o feminicídio é uma prática intolerável em uma sociedade que busca garantir dignidade e igualdade a todos e, portanto, a pena para crimes dessa natureza deve refletir tal gravidade”.

Penas

Cleilton Santana dos Santos foi condenado a 37 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio, aborto sem consentimento da gestante, ocultação de cadáver e concurso material.

Cumprimento

O réu cumprirá a sentença em regime inicialmente fechado.

Recursos

O MPES apresentou apelação em plenário por não concordar com a dosimetria da pena.

A defesa de Cleilton informou que a sentença foi justa dentro do patamar esperado e que vai recorrer, diante da decisão do MPES.

A defesa revelou que vai pedir aumento da pena para 50 anos.

Fonte: Especialistas, delegada Maria da Glória Pessotti, MPES e pesquisa/AT.



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