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Ainda assustado e com as marcas da violência sofrida espalhadas pelo corpo, o soldador de 28 anos, que acusa um policial penal de o ter agredido durante uma festa em Vila Bethânia, em Viana, disse que o acusado tentou sacar a arma para atirar contra ele. Segundo a vítima, foi graças a um amigo que o homem não sacou a arma e atirou.
O caso aconteceu por volta das 19h de domingo, depois que o acusado se alterou durante a festa. Após atirar para cima e agredir o soldador, que era convidado, ele acabou preso e levado para a Delegacia Regional de Cariacica.
O soldador contou para a reportagem de A Tribuna que ele e a mulher participavam da festa, a convite de um amigo. O policial penal, que estava com a mulher e também era convidado, teria se alterado e partido para cima do homem.
“Era um churrasco de aniversário em um ambiente familiar. Só que, em determinado momento, esse homem foi ao banheiro, e na volta atirou para o alto, do nada. Eu fui para área externa e senti alguém me tocando pelas costas. Quando virei, ele já me deu uma porrada e eu caí”, contou o soldador, que pediu para não ser identificado.
A Tribuna – Como tudo aconteceu?
Soldador – Era uma comemoração de aniversário, todos estavam tranquilos e de repente essa pessoa se alterou. Ele foi ao banheiro, e na volta eu ouvi o barulho de um tiro. Fui lá na área externa para olhar e senti alguém cutucando minhas costas. Na hora que eu virei, ele me deu uma porrada no rosto. Eu caí no chão e ele tentou pegar a arma na cintura.
“Era um ambiente familiar. Ele atirou para o alto, do nada, e me deu um soco. Se não tivessem segurado ele, eu não estaria aqui””
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O que aconteceu depois?
Outro amigo, o dono da festa, o pegou por trás e o arrastou para longe. Se não fosse isso, sabe-se Deus o que poderia ter acontecido, né? Se não tivessem segurado ele eu não estaria aqui para contar essa história.
Então primeiro ele foi ao banheiro e atirou pra cima?
Exatamente. Estava todo mundo curtindo. Ele simplesmente saiu andando, foi paro o banheiro, e depois deu um tiro para o alto, sem mais nem menos.
Vocês dois não tinham brigado antes?
Ele simplesmente atirou por vontade própria. Não dá nem para entender porque fez isso.
Na hora que ele te bateu, o que você fez?
Eu chamei a polícia. Tem um detalhe: na hora que ele saiu do banheiro, todos viram que ele puxou a mulher pelos cabelos.
Tinha muita gente na festa?
Umas 25 pessoas, entre crianças, adultos e idosos.
Como foi passar por isso?
É complicado, uma situação constrangedora. É uma pessoa que está ali para tentar gerar segurança para a gente, e daí ele faz uma coisa dessa? Eu queria entender como uma pessoa com um psicológico desse está atuando no sistema.
Sindicância vai apurar o caso
A corregedoria da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) vai instaurar uma sindicância para apurar a conduta do policial penal envolvido na briga durante uma festa em Viana. Além disso, o órgão informou que vai avaliar possíveis penalidades administrativas contra o acusado.
“O servidor foi preso na segunda-feira (ontem) e está na Penitenciária de Segurança Média 2, onde passa por audiência de custódia. A corregedoria da pasta acompanha o caso”, disse a Sejus por meio de nota.
O policial penal foi autuado por lesão corporal e por ter atirado e colocado a vida das pessoas em risco. Além de agredir um soldador de 28 anos, com um soco no rosto, ele ainda atirou para o alto dentro do condomínio.
Segundo o soldador, que pediu para não ser identificado, no momento do disparo, havia mais de 20 pessoas no local, entre adultos e crianças.
“Tinha criança, gente mais velha, gente de todas as idades. Imagina se o tiro pega em alguém? E se ele tivesse atirado outras vezes? Foi um desespero”, disse a vítima.
Ele também falou sobre o susto que levou. “Eu mal sabia o nome dele. Não sei porque veio para cima de mim. Foi um susto. Queria saber como que uma pessoa com um psicológico desse entra para atuar no sistema”, disse.