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Ainda assustada com o momento constrangedor que viveu enquanto voltava do trabalho em um ônibus da linha 526 (Terminal de Campo Grande / Terminal de Vila Velha), a gerente de vendas, de 37 anos, que pediu para não se identificar, disse que nunca imaginou passar pelo que passou.
A mulher voltava do trabalho, na tarde da última segunda-feira (15), quando foi surpreendida pelo suspeito, que tem 49 anos.
Segundo a vítima, o caso aconteceu por volta de 15 horas, no momento em que ela entrou no ônibus e decidiu se sentar na parte da frente do coletivo, ao lado do suspeito.
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Ao perceber que estava sendo importunada, a mulher chegou a encarar o homem, mas ele continuou com o ato. Ainda segundo ela, quando se levantou, outros passageiros, que já haviam percebido que a mulher estava sendo importunada, se revoltaram com a atitude do acusado, que tentou desembarcar do ônibus, mas foi impedido por passageiros.
O homem, que não teve a identificação revelada, foi preso em flagrante. Ele foi autuado pelo crime de importunação sexual e, posteriormente, foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana (CTV).
A vendedora conversou com a reportagem de A Tribuna na terça-feira (16) e falou ainda sobre como a sociedade julga mulheres que são vítimas de importunação sexual.
A Tribuna – Como aconteceu tudo?
Gerente de vendas: Eu embarquei no ônibus no centro de Vila Velha. Atravessei a roleta e o único lugar que tinha vaga era do lado desse homem, logo no início do ônibus. Ele estava com uma caixa entre as pernas e por isso ele estava com as pernas abertas. Eu encostei minha cabeça para trás e fechei os olhos, então comecei a sentir que ele estava encostando as pernas em mim.
O que você fez?
Me afastei um pouquinho dele e continuei com a cabeça para trás. Pouco tempo depois eu comecei a sentir o braço dele em mim.
E aí?
Olhei para ele séria, ele abaixou a cabeça e continuou caindo. Eu senti que ele encostou de novo a perna em mim e começou a jogar também o corpo dele, como se fosse me agarrar, me abraçar. Eu levantei.
Todos do ônibus viram?
Algumas pessoas viram, outras, não. Uma mulher até me perguntou se poderia sentar no meu lugar e eu disse a ela que tinha levantado justamente por conta desse homem. Nisso, um rapaz ouviu o que eu falei e ficou nervoso com o homem, gritou que esse sujeito estava tentando passar a mão em mim.
E o que aconteceu depois disso?
Os passageiros ficaram alterados e queriam bater nele. Uns até bateram. Quando o ônibus passava próximo da delegacia, em Campo Grande, o motorista parou e esse homem foi preso.
Qual o sentimento que fica?
Na verdade, a ficha não caiu ainda. Eu nunca imaginei passar por isso em um ônibus. Na hora que acontece, a gente até se sente culpada, porque a sociedade julga muito a mulher como um todo.
A gente fica pensando se é a roupa que nós usamos e tal, mas a culpa não é nossa. Por isso, eu digo que toda mulher que for vítima desse crime deve denunciar o caso à polícia.
Outro lado
A Ceturb-ES informou que realiza campanhas de conscientização visando a estimular tanto vítimas quanto usuários do Sistema Transcol a denunciarem casos de importunação sexual dentro dos ônibus.
Nos últimos dois anos, por conta da pandemia, as campanhas foram suspensas, mas já está nos planos da companhia a realização de novas ações.
Motoristas recebem treinamento para orientar as vítimas a procurarem a autoridade policial mais próxima e registrar um boletim de ocorrência nesses casos.
O objetivo das campanhas é estimular as pessoas a denunciarem atos de importunação sexual, que passou a ser crime desde que entrou em vigor a lei, em 2018.