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Quase 10 anos após um crime movido a mistérios e que chocou o Estado, principalmente os moradores de Nova Carapina I, na Serra, a Polícia Civil conseguiu desvendar e prender os acusados de matar a policial civil aposentada Lacy Fernandes Ribeiro, na época com 64 anos.
Em um inquérito complexo, que exigiu da polícia novos depoimentos, uma prova excepcional foi o suficiente para comprovar a autoria do crime: o DNA de um dos suspeitos, que estava na cena do crime.
“Foi por meio do DNA de um dos envolvidos, além de outras provas subjetivas, que são declarações por meio testemunhas, que nós tivemos muita certeza de apontar a autoria do homicídio e prender dois suspeitos”, disse a titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Rafaela Aguiar.
Os dois suspeitos mencionados pela delegada são Rafael de Carvalho Rodrigues, de 29 anos, vulgo “Rafael Lagarto” e Fabrício Germano Gomes, o “Bill”, também de 29 anos. Eles foram presos por meio de um mandado de prisão por homicídio, em outubro deste ano, mas a polícia só divulgou o fato na última quarta-feira.
O crime aconteceu em janeiro de 2013, na casa da vítima, em Nova Carapina I, na Serra. Ela, que também era escritora, foi morta a facadas, mas antes de morrer chegou a atirar em um dos assassinos.
“No dia do crime, Fabrício acreditava que ela iria ser pega de surpresa. Mas as provas técnicas apontam que ela estava se preparando para sair. Ouviu o barulho da porta sendo arrombada e pegou sua arma, conseguindo alvejar Fabrício. Ele deixou rastros de sangue no local e nós confrontamos no DNA”, explicou Rafaela.
Com o resultado do exame apontando que Fabrício esteve na cena do crime, a polícia decidiu então ouvir, mais uma vez, testemunhas que já haviam sido ouvidas na época do fato e descobriu que Rafael também participou do crime.
“Ouvindo as testemunhas e também unindo aos resultados técnicos, descobrimos que a arma da vítima ficou com o Rafael”, disse a delegada. Sobre a motivação, ela informou que ainda não foi possível descobrir, uma vez que os dois acusados insistiram em negar o crime. A família não deu conta de valores ou pertences que teriam sumido da casa, descartando uma possível linha de latrocínio.
Peritas criminais, Mariana Silva Azevedo e Bianca Bortolini Merlo fazem parte da equipe que faz análise de DNA.
Criminoso ofereceu serviço à vítima
Antes de participar da morte da policial civil aposentada Lacy Fernandes Ribeiro, na época com 64 anos, um dos envolvidos, Rafael de Carvalho Rodrigues, de 29 anos, vulgo “Rafael Lagarto”, se ofereceu para trabalhar na casa da mulher.
“Ele chegou a oferecer um serviço de capina e depois ajudou no crime”, disse a titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Rafaela Aguiar.
Segundo a polícia, o criminoso, que já possuía passagens por outros crimes, foi o responsável por ficar com a arma da vítima. “Testemunhas relatam, em seus depoimentos, que o viram com a arma da policial”, afirma a delegada.
Autoria
Mesmo com as provas técnicas e testemunhais, a delegada informou que tanto Rafael quanto o outro envolvido, Fabrício, negaram a autoria do crime. “Por isso, fica até difícil apontarmos a motivação”.
Suspeitos estavam envolvidos em outra morte
Além de responder pelo homicídio da policial civil aposentada Lacy Fernandes Ribeiro, na época do crime com 64 anos, Fabrício Germano Gomes, vulgo “Bill”, de 29 anos, também vai responder por participar do homicídio de uma outra mulher.
A vítima, identificada como Maria Ramos, na época com 45 anos, foi morta no bairro Mestre Álvaro, na Serra, um mês antes do homem participar da morte da policial.
“Do Fabrício, nós conseguimos elementos técnicos e subjetivos de que ele praticou tanto o homicídio da Lacy quanto o da Maria Ramos. Sobre o Rafael, não tivemos elementos judiciários palpáveis, ainda que pudéssemos demonstrar para o Ministério Público para que ele pudesse ofertar a denúncia”, disse a delegada Rafaela Aguiar.
A delegada falou ainda sobre a dinâmica do crime. “Ela ouviu que tinham arrombado a porta e por ser uma policial, pegou sua arma e alvejou o Fabrício. Ele e o Rafael conseguiram pegá-la e desferiram os golpes de faca nela”, explicou.
O corpo da mulher ainda foi arrastado do quarto para a cozinha até a varanda da frente da casa, que fica em Nova Carapina I, na Serra. Ela estava nua, mas segundo a delegada não há indícios de que ela foi abusada sexualmente.
“Os exames não localizaram nenhum tipo de violação sexual e nem foi encontrado PSA, que é quando tem conjunção carnal na vítima”, disse.
Ao todo, a DHPM já concluiu 11 inquéritos de homicídios contra mulheres que estavam parados na delegacia desde 2013.
Quem era Lacy Ribeiro
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Perfil
Também era escritora. Nasceu em Barra de São Francisco. Iria completar 65 anos de idade no dia 18 de março.
Morou no centro de Vitória e há cerca de seis anos, na época do crime, havia se mudado para Nova Carapina I, na Serra, mesmo bairro que sua irmã morava. Ela morava sozinha na residência.
Estava separada do marido, que na época estava preso. Deixou sua mãe e duas irmãs.
Carreira
Atuou como agente de polícia, trabalhou no antigo Instituto de Readaptação Social (IRS), em Vila Velha, na Superintendência de Polícia Prisional e em outros locais. Também atuou como investigadora de polícia.
Escreveu várias obras literárias como “Contos de Réis”, “Cátedra: Avenida República”, “Contos Bastardos”, “Grades Suspensas” e “Paixão de Cárcere”. Participou da revista Letras e da série “Escritos de Vitória”.
Como foi o crime
O assassino chegou na casa da vítima, pulou o muro e quebrou o vidro da porta da frente. Ele entrou no quarto onde ela dormia e a atingiu com golpes de faca.
Depois, o corpo da policial aposentada foi arrastado do quarto para a cozinha, até a varanda da frente da casa, que ficava em Nova Carapina I, na Serra. Ela estava nua.
Em seguida, o corpo foi arrastado pelo gramado até os fundos da residência, sendo puxado por uma escada e deixado de bruços com os braços cruzados no terraço da casa.
Fonte: Jornal A Tribuna e PCES.