Em meio a um segundo turno acirrado, tem crescido os casos de ansiedade, insônia e até piora de quadros depressivos por causa do período eleitoral.
Considerada uma das eleições mais tensas desde a redemocratização do País, muitos brasileiros têm vivenciado de forma intensa e até não-saudável as eleições.
Especialistas em saúde mental relatam que a política tem feito com que, nos últimos tempos, aumentassem as queixas de diferentes angústias e até pioras em quadros de saúde mental.
O psiquiatra José Luis Leal conta que a sociedade já vinha de uma série de situações que contribuíam para o aumento do nível de estresse, entre elas a pandemia, a guerra na Ucrânia e, agora, a política nacional e a sua polarização.
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“Nestas eleições observamos prejuízos sociais aumentando a carga do estresse. Lembrando que para combatermos o estresse precisamos cuidar da qualidade das relações sociais, que tem comprovadamente efeito anti-inflamatório e efeito neuroprotetor, prevenindo doenças psiquiátricas como depressão, ansiedade e Alzheimer.”
A psicóloga Náira Delboni relatou que é normal ter ansiedade diante das eleições, tendo em vista que ela envolve os rumos do País. Só que descargas de raiva e problemas no sono já são indicativos de que as coisas estão saindo da faixa considerada aceitável.
“O corpo acaba somatizando essas emoções, esse ‘boom’, ele vai sinalizar isso de alguma forma. Essa somatização aparece pelo estresse que vira dor de cabeça, dores no corpo, insônia e até mesmo o aumento da pressão arterial, que pode causar questões mais graves”
O professor e psiquiatra Henderson Schwengber, alerta que um dos sinais que a situação está deixando de ser saudável é quando o interesse se torna uma obsessão.
“A questão é quando isso domina a rotina da pessoa. Quando ela deixa de lado outros elementos da vida. O principal sinal é observar se tudo que ela fala ou pensa diz respeito a determinado assunto”.
Ele lembra que outros sinais são o aumento da irritabilidade, mesmo por coisas triviais; insônia; pensamentos fatalísticos ou conspiracionistas. O psiquiatra José Leal também lembra da durabilidade dos sinais. “Devemos nos preocupar na medida em que trouxer prejuízos por período maior ou igual a duas semanas.”
De famílias divididas a fim de relacionamentos
Nos consultórios, as queixas envolvendo o impacto da política na saúde mental não são raras. Brigas, confusões em grupos de famílias e até términos de relações amorosas são usuais, contaram especialistas.
O psiquiatra Henderson Schwengber contou que as situações são as mais diversas. Ele cita até casos em que os pais discordaram devido ao assunto ser abordado excessivamente com os filhos.
“Infelizmente vi casos até numa frequência maior do que o imaginava. As vezes a pessoa está em um quadro depressivo e os desentendimentos com o pai ou com a mãe acabam agravando o quadro. Há também relacionamento que foi abalado e acabou contribuindo para o término. Há queixas até envolvendo a criação dos filhos.”
A psicóloga Náira Delboni contou que uma das situações mais comuns é ver pais e filhos que acabam tendo posições políticas distintas. A solução, nesse caso, foi evitar o assunto dentro de casa para prevenir novas brigas.
“Se as opiniões são diferentes, o ideal é não falar sobre isso para não gerar um conflito interno. Tudo isso vai passar, mas o contexto familiar é importante e essencial.”
Saiba mais
1) Tenha consciência dos seus limites
– Reconheça o momento em que está prestes de perder a cabeça, saiba a hora de mudar de assunto ou deixar uma conversa.
– “Se a pessoa já tem um quadro depressivo, ela precisa ficar atenta para não deixar isso agravar o seu quadro”, cita a psicóloga Náira Delboni.
2) Limite o consumo de informações políticas
– “Para muitos a política é vista como um hobby, mas tudo em excesso é prejudicial. Tudo precisa ser dentro de um limite. Evite acompanhá-la obsessivamente”, recomenda Náira.
– Especialistas recomendam deixar as redes sociais de lado pelo menos uma hora antes de dormir.
3) Mantenha uma rotina e foque em fazer outras atividades
– É essencial não abandonar outros elementos da vida e não deixar a política dominar todos os aspectos dela, orientou o psiquiatra Henderson Schwengber.
Fonte: Náira Delboni e Henderson Schwengber