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O ex-presidente Lula (PT) tocou em temas espinhosos durante a sabatina do Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta quinta-feira (25). Ele falou sobre casos de corrupção durante os governos petistas, defendeu sua gestão econômica e voltou a criticar a Lava a Jato.
Ele elogiou a ex-presidente Dilma Rousseff, mas disse que ela cometeu “um equívoco” em relação à precificação da gasolina. “Eu acho que cometeram equívoco na hora que fizeram R$ 540 bilhões de desoneração”, apontou.
Em respostas a William Bonner e Renata Vasconcellos, Lula elogiou ainda a aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na sua chapa, brincando que sentia “ciúmes” por ele ser bem aceito no PT, e mandou indiretas ao presidente Jair Bolsonaro (PL).
Descontraído, Lula respondeu a maioria das perguntas com a variação entre humor e seriedade e falas recheadas de referências populares, como futebol. E falou abertamente sobre a corrupção na Petrobras nas gestões petistas. Admitiu que houve crimes — já que houve confissão —, mas se defendeu ao dizer que só houve delação porque o governo estimulou investigação.
“Você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram. O que é mais grave é que as pessoas confessaram, e por conta das pessoas confessarem, ficaram ricos por conta de confessar. Ou seja, foi uma espécie de delação premiada”, disse.
E emendou: “Você não só ganhava a liberdade por falar o que queria o Ministério Público, como ganhava metade do que roubou. O roubo foi oficializado pelo Ministério Público, o que acho uma insanidade e uma aberração para este País.”
A resposta de Lula contempla críticas à forma como a Operação Lava a Jato investigou o caso:
“O correto era fazer a investigação que tinha de fazer da forma mais correta possível, como fizeram no tempo em que eu era presidente, e depois se a pessoa for inocente você absolve. Se a pessoa for culpada, você condena.”
Lula defendeu mecanismos criados em seu governo, como o Portal da Transparência, além de cutucar Bolsonaro ao falar que, na gestão petista, a Polícia Federal era independente e a lista tríplice na escolha da PGR (Procuradoria Geral da República) era respeitada.
Durante a entrevista, houve panelaços em protesto contra o petista em diversos bairros da Grande Vitória e em outras capitais do País.