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Política

Marcelo Santos: “Assembleia superou debate puramente ideológico”

Ele destacou o fato de os parlamentares terem focado nos projetos ao Espírito Santo e abordou objetivos da Casa para 2026

Marcelo Santos: “Assembleia superou debate puramente ideológico”
- Marcelo Santos falou sobre o processo eleitoral, visando as eleições deste ano, e a conjuntura política do Espírito Santo
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Eduardo Maia

Eduardo Maia é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Gestão da Comunicação Interna. Especialista em política capixaba, atua como colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde analisa diariamente os bastidores do poder no Espírito Santo. É também autor do livro “Memórias da Liberdade – 50 Anos do Guaraparistock”, que resgata a história do primeiro festival de música ao ar livre do País, realizado em Guarapari, no verão de 1971.

Última atualização


O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcelo Santos (União), destacou o fato de os parlamentares desta legislatura terem deixado o debate puramente ideológico como segundo plano, e terem focado nos projetos ao Espírito Santo.

A fala foi durante visita à Rede Tribuna, quando Marcelo concedeu entrevista ao jornal. Também abordou assuntos como objetivos da Casa em 2026, processo eleitoral ao governo do Estado e a conjuntura política do Espírito Santo.

A Tribuna — Presidente, qual o balanço que o senhor faz de 2025, tendo estado à frente da Assembleia Legislativa?

Marcelo Santos — Foi um ano produtivo e desafiador. A Assembleia cumpriu seu papel, entregando importantes resultados à população, com exemplos reconhecidos até nacionalmente.

Concluímos o Orçamento dentro do prazo, permitindo que o governo se organize para aplicar os recursos, respeitando limites legais do período eleitoral. Assim, não criamos obstáculos para o Executivo e garantimos liberação de recursos para cidades e todas as pastas.

Essa responsabilidade é grande, mas é dividida com os deputados. Mantemos diálogo com instituições e sociedade, o que ajuda a acertar mais, mesmo quando não concordamos totalmente. Já derrubamos vetos do governo, por exemplo, mas isso é apenas o exercício da função da Assembleia.

Houve uma redução nos embates puramente ideológicos na Casa. A que o senhor atribui isso?

Sem dúvida. Quando um líder indica um caminho, parte dos liderados segue. Se o foco é apenas a oposição ideológica, a Casa se comporta assim.

Minha postura é diferente: deixo de lado minha relação política e pessoal com o governador Casagrande (PSB) e o vice Ricardo Ferraço (MDB), que é de amizade, e conduzo o Poder de forma equilibrada.

O debate ideológico é importante, mas não pode se sobrepor aos interesses do Estado. Temos figuras de posicionamento extremo, mas há respeito, e as discussões vão além da ideologia, tratando também de temas centrais para o desenvolvimento do Espírito Santo.

Quais as prioridades do senhor para este ano?

Entregar a Assembleia com uma reforma que garanta não apenas o prédio legislativo, mas parte da administração também.

Melhoramos o atendimento, com serviços como a Polícia Técnica Científica, Procon da Assembleia, Defensoria e Procon da Mulher, criando um ambiente inédito. A Assembleia tem papel central de legislar e fiscalizar, mas também pode ser uma “Assembleia Cidadã”. Temos programas como os Arranjos Produtivos, que levam conhecimento para homens e mulheres do campo, entre muitos outros.

O senhor é pré-candidato a deputado federal. O que te motivou a dar esse passo a mais?

Cheguei à Assembleia quando tudo era totalmente analógico; hoje, é tudo digital. O Estado estava quebrado, e agora é pujante.

Antes éramos desorganizados; hoje temos uma gestão moderna. Tínhamos capacidade limitada de investir em infraestrutura, e hoje somos os que mais aplicam recursos, mais que o governo federal e até São Paulo.

Comecei com o ex-governador Paulo Hartung (PSD) e agora estou com Casagrande (PSB). Passei três mandatos com cada um, e 2026 marca o fim desse ciclo: Hartung já concluiu e Casagrande encerra agora.

Curiosamente, darei posse a dois governadores numa única legislatura: Casagrande renuncia para disputar o Senado, Ricardo assume e depois darei posse ao próximo governador, em janeiro.

Participei da reconstrução do Estado, feita a várias mãos, e temos responsabilidade de não deixá-lo voltar ao que era antes. Não é sobre bem e mal ou comparar A e B; vivemos em democracia, mas precisamos valorizar quem tem capacidade de diálogo. Encerrando esse ciclo, vou disputar um novo projeto: a eleição a deputado federal.

Embora o senhor tenha esse objetivo, comentam que pode compor a vice com Ricardo Ferraço. Há fundamento nisso?

Candidatura só existe para estadual, federal, governador, senador e presidente; vice é composição.

Meu projeto, construído a várias mãos, é disputar deputado federal. Fico honrado por ser citado como vice de Ricardo, mas não está nos meus planos. Ele é alguém que admiro, preparado para governar o Estado, sem desmerecer outros candidatos, como Pazolini (Rep) e Arnaldinho (PSDB).

Dentro do Executivo, Ricardo tem experiência: foi vice-governador duas vezes, ocupou secretarias importantes e lidera o Programa Estado Presente. Quero colaborar de outra forma.

Disputo federal e tenho responsabilidade de conduzir a Assembleia sem interferir no processo eleitoral. A escolha do vice é construída a várias mãos, baseada em alianças políticas. A federação poderá indicar um nome para o posto, e estarei junto nesse processo.

Afinal, quem vai ganhar apoio da federação União-Progressista à majoritária?

Essa dúvida está na cabeça de muita gente. Eu e Da Vitória temos relação estreita com Casagrande, que disputará o Senado.

Ter alguém como ele lá é um grande ativo para o Brasil. Também há relação com Ricardo, que, como eu já citei, está preparado para assumir o governo.

Precisamos construir uma chapa equilibrada. Alguns atores dentro do grupo já foram votados, como Evair de Melo e Da Vitória, e muitos sonham em continuar ou entrar na política.

Ao inclinarmos nosso apoio a um determinado projeto, queremos que ele nos apoie efetivamente. São 11 candidatos, e algumas pessoas vão entrar justamente para colaborar na chapa.

O grupo precisa receber esses ativos importantes, garantindo apoio da nossa federação, que tem, por exemplo, tempo de TV. Esse reconhecimento é coletivo, não só meu ou de Da Vitória, e naturalmente tem custo: apoio de quem poderia estar em outra agremiação, por exemplo.

É importante destacar, acima de tudo isso que falei, que a eleição que se aproxima é importante para os brasileiros e capixabas. Somos um estado pequeno, cercado por grandes, como Bahia, Minas e Rio, e vamos sofrer impactos da Reforma Tributária. Isso é inevitável.

Não podemos entrar em disputas apenas ideológicas; temos um estado para cuidar. Muito já foi feito, mas muito ainda precisará ser feito. Meu alerta para a população é simples: é preciso escolher bem seu candidato a deputado federal, estadual, senador, governador e também à Presidência da República. Todos nós somos frutos dessas escolhas.

Quem é 

Marcelo Santos

Formado em Administração e Direito, Marcelo Santos é presidente da Assembleia Legislativa.

Exerceu o cargo de vereador por Cariacica durante a legislatura de 1996 a 2000. Atualmente, está em seu sexto mandato consecutivo como deputado estadual.

Tem pretensão de disputar uma vaga à Câmara Federal neste ano.


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