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NA TORCIDA PELO OSCAR

Sport, Náutico e Santa lançam camisas do filme “O Agente Secreto”

União inédita do Trio de Ferro celebra filme de Kleber Mendonça Filho e resgata o Recife de 1977

Sport, Náutico e Santa lançam camisas do filme “O Agente Secreto”
- Na foto principal da coleção, três mulheres exibem o manto de cada clube pernambucano
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O cinema e o futebol de Pernambuco agora vestem o mesmo manto na torcida pelo Oscar. Em uma colaboração inédita mediada pela marca Chico Rei, os três principais clubes do estado — Sport, Náutico e Santa Cruz — lançaram uma coleção oficial de camisas inspiradas no filme O Agente Secreto.

A obra do cineasta Kleber Mendonça Filho, que já conquistou o Globo de Ouro e agora mira a mais desejada estatueta do mundo, chega às arquibancadas com uma estética retrô que resgata o Recife de 1977. É o suspense magnético das telas encontrando a vibração das ruas, onde a vida real, muitas vezes, supera qualquer ficção.

No filme, o protagonista vivido por Wagner Moura circula pela cidade sitiada pela ditadura militar vestindo a camisa do Santa Cruz. A imagem é forte: o “Time do Povo” como pele de quem resiste. Mas a parceria com a marca Chico Rei decidiu que, na torcida pela cultura nacional, ninguém joga sozinho. Pela primeira vez, os três gigantes do estado dividem a mesma coleção, transformando o vestuário esportivo em um manifesto de identidade cultural.

Três escudos, um só cenário de resistência



Ambientado em 1977, O Agente Secreto mergulha em um Brasil sob vigilância. A coleção “Na Torcida Pelo Oscar” captura esse espírito. Cada camisa é um tributo à narrativa que expõe as marcas de um tempo difícil. Para os idealizadores do produto, vestir essas peças é um gesto simbólico; é reconhecer o valor das histórias que nos ajudam a compreender quem fomos.

Para o Sport Club do Recife, a peça exalta a autoridade do Leão sob a vigilância de um Fusca amarelo. O carro, ícone da repressão e do mistério em 1977, divide o pano com o rubro-negro que, naquele ano, rugia alto como soberano de Pernambuco naquele estadual. É o encontro do asfalto quente da ditadura com a glória de uma história que não se apaga.

No Santa Cruz, a coleção mergulha no surrealismo das calçadas, tão bem casado com esse surreal amor da torcida santacruzense, exposto em visceras nos anos de série D. O manto coral traz a Perna Cabeluda, a lenda que chutava o sossego do Recife no mesmo ano em que o filme se passa. Como o “Mais Querido” é o traje oficial do herói da trama, a camisa funde a mística do Arruda à resistência das ruas. É o povo transformando o medo em mito e a calçada em set de filmagem.

Para o Clube Náutico Capibaribe, time do coração de Kleber Mendonça, a fidalguia do Timbu ganha a sombra de um Tubarão. O animal, marca registrada do perigo latente no cinema do diretor, surge para escoltar a tradição alvirrubra. Fundado às margens do rio, o clube traz a força dos Aflitos para a sétima arte, reafirmando o papel de quem ajudou a fundar a nossa paixão e agora carrega a bandeira da nossa cultura para o mundo.

O tribunal das redes: entre o aplauso e a incompreensão



Embora a maioria das reações tenha sido de deslumbramento com a beleza das peças e do tema, a internet pernambucana ferveu nos últimos três dias. No Recife, futebol e política nunca caminham em linhas paralelas; eles se cruzam no meio de campo.

Nas redes do Sport, o clima de tensão do filme parece ter saltado para os comentários. “O clube Sport não tem viés político, tão querendo fazer o clube de massa de manobra”, disparou um torcedor indignado com a temática do longa. Outros preferiram o grito de “Viva o Sport livre”. É o reflexo de um Brasil que ainda lida com as feridas abertas do passado retratado na obra.

No lado Tricolor, o orgulho de ver Wagner Moura com o manto coral gerou o apelido “Santa Cruz Golden Globe Winner”. A maioria esmagadora era de elogios. “Abalou demais”, reage outra internauta.

Mas o fantasma da desinformação também apareceu. “Parem de falar na na p… desse filme, a não ser que o canal esteja ganhando alguma coisa da Lei Rouanet”, escreveu um usuário.

É preciso explicar, contudo, o que a desinformação muitas vezes esconde. A Lei Rouanet (Lei 8.313/91) é um mecanismo de incentivo fiscal onde empresas e pessoas físicas podem destinar parte do seu Imposto de Renda para projetos culturais. Não é “dinheiro direto do governo”, mas sim renúncia fiscal de entes privados. No entanto, é fundamental destacar: O Agente Secreto não foi produzido com dinheiro da Lei Rouanet. O filme trilhou caminhos de financiamento internacionale editais de fundo setorial, provando que a arte brasileira tem fôlego próprio e mercado global.





Para respirar…


Para além da mensagem, há o produto. A Chico Rei diz que desenvolveu as camisas pensando no conforto térmico exigido pelo clima do Recife e pela adrenalina dos estádios. O material é o Dry Fit Premium, composto por 95% poliamida e 5% elastano.

O resultado é um tecido com toque gelado, alta elasticidade e tramas respiráveis que facilitam a evaporação rápida do suor. É uma modelagem de Gola Olímpica que permite ao torcedor transitar da sessão de cinema ao clássico de domingo sem perder o estilo ou o conforto. O preço de R$ 244,90 foi alvo de críticas, mas muitos torcedores rebateram com o comprovante de compra: “É histórico, já garanti a minha”.

O cinema como destino


A Coleção Oficial O Agente Secreto + Times de Futebol consolida-se como um registro da força histórica de Náutico, Sport e Santa Cruz. Ao levar a estética de 1977 para o tecido, a colaboração propõe um exercício de memória, projetando a identidade local para o cenário internacional através do vestuário esportivo.

Nas redes, entre o entusiasmo do consumo e o calor dos debates ideológicos, prevalece o simbolismo da união inédita. Como resumiu um torcedor alvirrubro durante a repercussão do lançamento: “Antes de sermos brasileiros, somos pernambucanos”.

Ao fim, quando as luzes da projeção se apagam e o cronômetro do estádio para, o que as peças eternizam é o diálogo entre o Leão, a Cobra Coral e o Timbu com a cultura nacional. É o Recife de 1977 reencontrando o de 2026, vestindo o torcedor com a certeza de que, na capital pernambucana, a arte e o futebol dividem o mesmo destino.

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