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BASTIDORES

STF articula resposta ao Congresso após promulgação de Lei da Dosimetria

Apesar de tendência em validar norma, ministros veem "incentivo perverso" a atos antidemocráticos

STF articula resposta ao Congresso após promulgação de Lei da Dosimetria
- Defesa de ex-presidente aguardava decisão de Moraes
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações da Ana Pompeu, Luísa Martins e Carlina Linhares, da Folhapress



A suspensão da Lei da Dosimetria pelo ministro Alexandre de Moraes, neste sábado (9), revela um novo capítulo no embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. Nos bastidores da Corte, embora haja um consenso de que legislar sobre penas é prerrogativa do Legislativo, existe a preocupação de que a nova regra funcione como um salvo-conduto para futuros ataques às instituições.

O texto, promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o governo Lula sofrer uma derrota com a derrubada do veto, altera o cálculo de penas para crimes de tentativa de golpe de Estado. Na prática, a norma impede que as penas sejam somadas (cumulativas), aplicando-se apenas a mais grave com um aumento percentual.

O impacto direto na pena de Bolsonaro



A mudança atinge diretamente a situação jurídica de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão. Com a nova dosimetria, o tempo que o ex-presidente passaria em regime fechado poderia cair drasticamente:

Cenário atual: 6 a 8 anos em regime fechado.

Com a nova lei: 2 anos e 4 meses a 4 anos e 2 meses (dependendo da interpretação técnica).

A estratégia da defesa de Bolsonaro era de observação. Os advogados optaram por não protocolar o pedido de redução imediatamente, aguardando justamente o posicionamento de Moraes nos casos de outros condenados do 8 de janeiro para medir a temperatura do tribunal.

Veja mais: Moraes suspende Lei da Dosimetria para condenados pelos atos de 8 de janeiro

Divisão e reação jurídica

A decisão de Moraes de congelar a lei gerou reação imediata entre advogados de réus, como o da cabeleireira Débora Rodrigues, a do “batom”. A defesa classifica a suspensão como uma “preocupação institucional”, argumentando que uma lei penal mais benéfica deveria ter aplicação imediata, conforme o ordenamento jurídico brasileiro.

Por outro lado, as ações movidas por federações partidárias (PT, PCdoB, PV e PSOL-Rede) e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) sustentam que a vigência da lei cria um “incentivo perverso” para novos ataques democráticos. O STF agora se prepara para um julgamento de plenário que deve validar a lei no futuro, mas com a imposição de “recados” e limites rígidos sobre o que o tribunal considera combate ao rigor golpista.

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