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Saúde

Alopecia androgenética: médicos explicam doença que afeta cantora sertaneja

A sertaneja Maiara relatou luta contra a calvície feminina, processo foi acelerado pela perda de peso e excesso de química

Alopecia androgenética: médicos explicam doença que afeta cantora sertaneja
- A cantora Maiara usou as redes sociais para falar abertamente sobre a alopecia androgenética, condição que enfrenta há anos
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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A queda acentuada de cabelo, que por anos foi disfarçada nos palcos e nas aparições públicas, virou tema de um relato honesto da cantora sertaneja Maiara. Aos 38 anos, a artista usou as redes sociais para falar abertamente sobre a alopecia androgenética, condição que enfrenta há anos e que impactou sua autoestima ao longo da carreira. Médicos ouvidos pela reportagem de A Tribuna explicaram que o problema enfrentado pela cantora é a calvície.

Segundo Maiara, que faz dupla com a irmã Maraisa, os procedimentos capilares feitos desde os 14 anos, quando começou a carreira, prejudicaram a saúde dos fios.

Hoje, ela usa lace (tipo de peruca feita de fio a fio em uma tela de microtule) para proteger os fios, mas a cantora revelou que já fez progressiva, usou fita e amarração, procedimentos que, segundo os médicos, pioram ainda mais a condição da queda de cabelo.

A dermatologista Karina Mazzini destaca que procedimentos químicos, como alisamentos e escovas progressivas, também prejudicam a saúde capilar.

“Essas técnicas causam perda de proteína da haste do cabelo, levando à quebra dos fios e piorando a alopecia androgenética em pessoas que já têm predisposição genética”.

Maiara também perdeu muito peso devido à bariátrica, o que, segundo Karina, pode agravar a queda de cabelo, já que a cirurgia compromete a absorção de nutrientes.

“Esse déficit nutricional pode levar ao eflúvio telógeno pós-emagrecimento, caracterizado por uma queda abrupta e intensa dos fios”.

A dermatologista Oliete Guerra destaca ainda que, apesar de a alopecia androgenética afetar mulheres, não leva à calvície total.

“O cabelo fica mais fino, especialmente na região frontal e superior da cabeça. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são os resultados, pois alguns folículos podem atrofiar”.

A médica Renata Melo ressalta que a condição não tem cura, mas é possível tratá-la. “Entre os tratamentos contamos com a tricoscopia digital, exames laboratoriais e anamnese completa para identificar a causa da queda. Após essa etapa é analisado o tratamento adequado. Temos opções como a microinfusão de medicamentos na pele, o laser fracionado, a terapia com exossomos capilares e lasers”.

Entenda o caso 

Alopecia androgenética

Alopecia androgenética, ou calvície, é uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. É relativamente frequente na população.

Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que, apesar de se iniciar na adolescência, só é aparente após algum tempo, por volta dos 40 ou 50 anos.

Apesar de o termo “andro” se referir ao hormônio masculino, na maioria das vezes os níveis hormonais se mostram normais nos exames de sangue.

A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.

Tem forte componente hereditário, mas também pode surgir sem histórico familiar.

Sintomas

A queixa mais frequente na alopecia androgenética é a de afinamento dos fios. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto.

Nas mulheres, a região central é mais acometida. Pode haver associação com irregularidade menstrual, acne, obesidade e aumento de pelos no corpo. Porém, em geral, são sintomas discretos. Nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).

Alopecia adquirida

Esse tipo é causado por emagrecimento acelerado ou procedimentos químicos, como progressivas e alisamentos.

Essas técnicas causam perda de proteína da haste do cabelo, levando à quebra dos fios e piorando a alopecia androgenética em pessoas que já têm predisposição genética.

O uso de mega hair, que traciona os fios, também pode causar inflamação do folículo e levar à alopecia. Segundo a dermatologista Karina Mazzini, estudos também indicam que a cola utilizada nesses procedimentos pode contribuir para a queda capilar.

Outros fatores

Além da genética, contribuem para a alopecia: estresse elevado; uso de hormônios e suplementos; alimentação com agrotóxicos e hormônios; alterações hormonais; anemia e doenças da tireoide.

Tratamento

Envolve: reposição de vitaminas, medicamentos tópicos e orais (como minoxidil), antiandrógenos, quando indicados; tecnologias como laser, microinfusão de medicamentos na pele e medicina regenerativa, como os exossomos capilares; e transplante capilar.


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