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Saúde

Até beber “socialmente” aumenta risco de câncer

Pesquisa revela que não há dose segura de álcool e que o consumo pode elevar o risco de desenvolver sete tipos de câncer

Até beber “socialmente” aumenta risco de câncer
- Jovens fazem um brinde antes de beber: pesquisa aponta que mesmo o ato de beber socialmente pode ter riscos
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Nicolas Nunes

Nicolas Nunes é formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Com passagem pelo jornal australiano The Courier Mail, e participação na Jornada Galápagos de Jornalismo, atua como repórter do jornal A Tribuna e do Tribuna Online.

Última atualização


Beber socialmente, ou “tomar só umazinha”, é algo considerado inofensivo pela maioria das pessoas. Porém, uma nova pesquisa revelou que há uma ligação entre o hábito e o aumento de riscos para desenvolver diversos tipos de câncer.

A pesquisa é da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), que realizou análises com 62 estudos e amostras de quase 100 milhões de pacientes participantes.

“Não existe dose ou tipo de bebida alcoólica segura. O álcool lesiona as células de vários órgãos do seu corpo, como a boca, o esôfago, o estômago e o intestino, gerando vários tipos de câncer. Você mata neurônios quando bebe”, declarou o médico oncologista da Rede Meridional, Fernando Zamprogno.

O estudo encontrou associações mais consistentes do álcool com câncer de mama, colorretal, de fígado, laringe, esôfago, estômago e boca.

Pesquisas realizadas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) apontam que o álcool tem relação com mais de 200 tipos de doenças, explicou o médico psiquiatra e professor especialista em dependência química da Ufes, Valdir Campos.

“O consumo de álcool é responsável por mais de 200 tipos de doenças. Hepatite e cirrose já são associadas. Mas o uso também gera deficiência de vitaminas, anemias, gastrite alcoólica e, dependendo da quantidade, até crises convulsivas”, pontuou.

O médico alerta ainda que “a genética influencia no desenvolvimento de dependência, mas não é determinante; depende também de padrões psicológicos e de comportamento”.

O protocolo atual para pacientes com câncer de mama é orientar a diminuição do consumo de álcool, conta a médica oncologista Juliana Rocha.

“Antes, havia a discussão sobre existir uma dose segura. Mas, cada vez mais, a oncologia tem entendido que o álcool gera câncer sim, em qualquer dose. Hoje, faz parte do atendimento às pacientes com câncer de mama orientar a diminuição do consumo, pois está relacionado ao aumento desse tipo de tumor”, disse.

A médica oncologista ainda faz outro alerta. “O consumo de álcool associado ao tabagismo e obesidade aumenta exponencialmente as chances de desenvolvimento de câncer, que é uma doença multifatorial”.

Fique por dentro

Álcool gera 200 tipos de câncer

Sem dose segura de álcool

Uma pesquisa revelou que há uma ligação entre o hábito de “beber socialmente” e o aumento de riscos para desenvolver diversos tipos de câncer, apontando a inexistência de dose segura de álcool.

O estudo foi desenvolvido na Universidade Atlântica da Flórida (FAU).

100 milhões de pacientes adultos e norte-americanos participaram da pesquisa.

62 estudos com modelos matemáticos analisaram as amostras de todos os pacientes envolvidos.

Tipos de câncer

O estudo encontrou associações mais consistentes para câncer de mama, colorretal, fígado, laringe, esôfago, estômago e boca.

200 outros tipos de câncer também são associados ao consumo de álcool, independentemente da quantidade.

Fatores como o tipo de bebida alcoólica, a idade da primeira exposição, gênero, raça, tabagismo, histórico familiar e genética influenciam esse risco, aponta o estudo.

Bebidas mais perigosas

A cerveja e o vinho branco foram as bebidas que se mostraram mais fortemente ligadas ao maior risco.

Grupos de risco

Idosos, pessoas em situação socioeconômica desfavorável e indivíduos com comorbidades são especialmente vulneráveis.

Também houve diferenças por sexo: o texto descreve que beber com frequência se associou a maior risco em homens, enquanto episódios de consumo pesado se relacionaram a maior risco em mulheres.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera consumo alcoólico de baixo risco menos de cinco doses para homens, e menos de quatro doses para mulheres. Acima disso, o consumo é considerado intenso.

Dados apontam que pacientes com câncer de cabeça e pescoço que beberam e fumaram durante a radioterapia tiveram resultados piores, e até retorno da doença.

Fonte: Universidade Atlântica da Flórida (FAU) e especialistas entrevistados.


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