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Saúde

Autismo em adultos: falta de diagnóstico pode causar depressão e ansiedade

Cerca de 60% das pessoas com TEA apresentam transtornos associados

Autismo em adultos: falta de diagnóstico pode causar depressão e ansiedade
- Estudante de Psicologia Rutyelle Vieira Caetano, de 21 anos, recebeu o diagnóstico de TEA no ano passado
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Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização

O diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode trazer impactos na saúde mental, como ansiedade e até depressão.

Um exemplo que deu visibilidade ao tema foi o da atriz Letícia Sabatella, 55 anos, que recebeu o diagnóstico apenas aos 52 anos e relatou as dificuldades que viveu.

O neurologista especialista em TEA, Thiago Gusmão, explicou que o diagnóstico é considerado tardio quando acontece na adolescência ou na idade adulta. Segundo ele, esse atraso pode ocorrer pela falta de conhecimento.

“Ainda se tem a ideia de que ‘cada criança tem seu tempo’, o que não é verdade. E quando não é identificado nos primeiros anos, a pessoa pode ter a inteligência preservada, avançando na escola e até na faculdade, mas apresenta dificuldades importantes nas relações sociais, fazendo com que o diagnóstico passe despercebido”.

Na vida adulta, os principais sinais do TEA incluem dificuldades nas relações sociais, desregulação emocional e rigidez comportamental, como explicou a psicóloga Scarlet Guss.

“Mudanças na rotina podem gerar grande desconforto, e também pode haver dificuldade em compreender linguagem figurada, como metáforas e ironias, já que muitos são mais literais”.

Tratamento e alívio

A estudante de Psicologia Rutyelle Vieira Caetano, de 21 anos, recebeu o diagnóstico de TEA no ano passado, após identificar em si mesma sinais do transtorno durante as aulas.

“Percebi que fazia sentido com o que eu vivia, então procurei um profissional que confirmou o diagnóstico”.

Com os tratamentos, ela disse que se sente aliviada. “Sei os meus limites e consigo lidar com eles. É como se eu finalmente me encaixasse no mundo”.

Transtornos associados

Além das dificuldades nas relações, é comum que as pessoas apresentem ainda outros transtornos mentais.

“Cerca de 60% das pessoas com autismo têm algum transtorno associado, como ansiedade, depressão, TDAH ou distúrbios do sono”, disse Thiago.

De acordo com o psiquiatra João Paulo Cerqueira, também é comum que essas pessoas aprendam a imitar comportamentos sociais vistos como normais, numa tentativa de se adequar.

“O problema é que todo esse esforço tem um custo, como exaustão, sofrimento emocional e sensação constante de inadequação”.

O tratamento costuma combinar acompanhamento médico e psicológico, para que a pessoa possa ter mais qualidade de vida.

“O objetivo é melhorar a autonomia, a comunicação e a qualidade de vida, além de ajudar na adaptação às demandas do dia a dia”, concluiu Scarlet.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento.

Não é uma doença e não tem cura, mas pode ser acompanhado e tratado.

Diagnóstico tardio

O diagnóstico de TEA é considerado tardio para os especialistas quando ocorre apenas na adolescência ou na fase adulta, muitas vezes após anos de sinais não reconhecidos ou confundidos com outros transtornos.

Por que o diagnóstico pode demorar?

  • Falta de informação dos pais e responsáveis, principalmente no passado.
  • Sinais confundidos com timidez, ansiedade ou TDAH
  • “Mascaramento” dos sintomas, principalmente em mulheres
  • Boa capacidade intelectual, que esconde dificuldades sociais.
  • Quais sinais podem aparecer em adultos?
  • Dificuldade em relações sociais
  • Sensação de não pertencimento
  • Interpretação literal (dificuldade com ironias e metáforas)
  • Rigidez com rotina e resistência a mudanças
  • Hiperfoco em interesses específicos
  • Cansaço emocional por esforço de adaptação

Impactos do diagnóstico tardio

Segundo especialistas, cerca de 60% das pessoas com TEA podem desenvolver transtornos associados ao longo da vida, como:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Baixa autoestima
  • Dificuldades profissionais e sociais
  • Esgotamento emocional

Fonte: Especialistas entrevistados.



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