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Saúde

Brasileiros tomam remédio em excesso para dormir

Levantamento feito pela USP revelou que 38% das pessoas ouvidas tomam esses remédios de cinco a sete noites por semana

Brasileiros tomam remédio em excesso para dormir
- O farmacêutico Antuany Reis afirma que os remédios para ajudar a dormir estão na lista dos mais vendidos

Última atualização


Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que os remédios para dormir têm sido a principal alternativa dos brasileiros que lutam contra a insônia.

O levantamento revelou que 60% dos participantes fazem uso de algum medicamento com essa finalidade. De acordo com a pesquisa, cerca de 38% das pessoas ouvidas disseram tomar esses remédios de cinco a sete noites por semana.

Psiquiatra e autora do estudo, Ana Flávia Bonini relata que, no cotidiano, tem sido cada vez mais comum a busca de medicamentos para dormir.

“Há uma preocupação relevante principalmente com o consumo de hipnóticos, como o Zolpidem, utilizado por 44% dos participantes da pesquisa”, pontua.

A pesquisadora destaca que entre as principais causas da insônia estão estresse, rotina exigente, pouco descanso, uso de telas, sedentarismo e consumo de álcool e cafeína. “Uma população submetida a esses fatores tende a desenvolver problemas de privação de sono”, afirma.

Nas farmácias, observa-se o efeito prático disso. O farmacêutico Antuany Reis afirma que os remédios para ajudar a dormir estão na lista dos mais vendidos.

Ferramenta

O psiquiatra e diretor-secretário adjunto da Associação dos Psiquiatras do Espírito Santo, Valber Dias, defende que o problema não está no uso do medicamento.

“O remédio é uma ferramenta que pode ser usada com precisão e eficácia, mas também de forma incorreta”, afirma o especialista.

Se usado sem orientação médica, no curto prazo esse tipo de medicamento pode prejudicar a atenção, a memória, o humor e a capacidade de reação, explicou a neurologista da Rede Meridional Raquel Aquino.

Colunista de A Tribuna, a psicóloga Sátina Pimenta complementa que a insônia, muitas vezes, está ligada a fatores psicológicos. “Estamos vivendo em uma sociedade que tem enorme dificuldade de lidar com a dor e com o sofrimento. Nosso cérebro passa o dia inteiro em estado de atividade e isso interfere diretamente na qualidade do sono”.

Fique por dentro

Resultados da pesquisa

Pesquisa da Universidade de São Paulo entrevistou 1.158 adultos com sintomas de insônia.

60% relataram o uso de medicamentos para ajudar a dormir.

40% disseram que fazem uso sem prescrição médica.

Cerca de 38% dos participantes afirmaram tomar esses remédios de cinco a sete noites por semana.

37,9% relataram o uso de algum remédio da classe benzodiazepínicos, como o Clonazepam.

44% afirmaram que usam algum remédio da classe dos hipnóticos, como o Zolpidem.

39% dos participantes disseram usar drogas de venda livre, como antialérgicos e relaxantes musculares, para ajudar no sono.

74% das pessoas brancas faziam uso de medicações para dormir, contra 26% de pretos e pardos.

O que é insônia

Quando a pessoa tem dificuldade para dormir, ou desperta à noite, com demora de mais de meia hora para retornar ao sono.

Outro sinal é acordar mais cedo do que o desejado e não conseguir retornar o sono após 30 minutos.

Tipos

Inicial: A pessoa está cansada, deita-se, mas o sono não chega. Passam-se 20 ou 30 minutos e a mente continua acelerada, cheia de pensamentos.

Intermediária: A dificuldade principal está em manter o sono. A pessoa consegue adormecer normalmente, mas desperta diversas vezes ao longo da noite e encontra dificuldade para voltar a dormir.

Terminal: Também conhecida como insônia do despertar precoce, a terminal acontece quando a pessoa acorda antes do horário previsto e não consegue mais adormecer. É como se o organismo entendesse que o dia já começou, mesmo quando ainda é madrugada, fazendo com que o indivíduo permaneça acordado até o momento de se levantar.

Consequências

Fadiga, cansaço e dificuldade de concentração.

A insônia também pode fazer parte dos sintomas de outras doenças, como por exemplo apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, doenças clínicas e psiquiátricas.

Diagnóstico

Feito a partir das queixas do paciente.

Além disso, há a polissonografia, também chamada de exame do sono. Ela auxilia na identificação de outros possíveis distúrbios do sono que podem estar agravando ou desencadeando o quadro de insônia.

Tratamentos

O uso de medicamentos deve ser avaliado por um médico especialista.

Além de remédios, o tratamento inclui medidas comportamentais.

A higiene do sono é uma das medidas que ajuda no tratamento. Trata-se de um conjunto de hábitos que buscam melhorar a qualidade do sono, como evitar o uso de telas e ingestão de bebidas estimulantes à noite.

Fonte: Especialistas entrevistados e pesquisa AT.


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